<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826</id><updated>2012-02-16T17:20:41.250-08:00</updated><category term='Cinéfilo'/><category term='A Bíblia a e pá'/><category term='Tipos ideais: o missionário ateu'/><category term='Invasões Bárbaras'/><category term='Duas décadas'/><category term='Vestibulando feliz'/><category term='Tipos ideais: o estudante de RI'/><category term='18 de fevereiro'/><title type='text'>Meu blog não tem título</title><subtitle type='html'>Da mesma forma que você não tem tempo pra ler, eu não tenho tempo pra escrever. Ficamos então combinados.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>36</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-1622503662386893241</id><published>2012-01-28T14:39:00.001-08:00</published><updated>2012-01-28T14:39:58.359-08:00</updated><title type='text'>Confusões de Augsburg</title><content type='html'>28 de janeiro de 2012: um dia muito especial por dois motivos. Primeiro, porque daqui a um mês estarei deixando a Alemanha de volta ao Brasil. Segundo, porque daqui a algumas horas estarei completando 24 anos de vida. Aparentemente é só mais um aniversário, mas eu não vejo assim. Nasci no dia 29 de janeiro de 1988, de modo que vivi 12 anos de minha vida no século XX. Amanhã, portanto, completarei 12 anos vivendo no século XXI e igualarei essa marca: terei vivido o mesmo tanto em cada século. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não é lá muito importante, é? Também acho que não. Mas quando você sabe que vai passar o seu aniversário todo fazendo trabalho e lendo “A ética protestante e o espírito do capitalismo” no original, qualquer motivo para comemorar é válido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui a neve tem caído com mais frequência. Só essa semana eu pude pegá-la e sentir sua consistência verdadeira. Até então ela estava derretendo muito facilmente. Quase todas as manhãs logo que eu acordo minha primeira visão são as árvores cobertas de neve. O inverno chegou de verdade. Quem também chegou foram os livros que encomendei na abebooks.de, um site pelo qual você pode encomendar livros de sebos em quase todos os lugares da Alemanha. Sendo assim, pelo menos o meu presente de aniversário já está garantido, e com antecedência! Um dos livros chegou semana passada e os outros foram chegando um atrás do outro ao longo dessa semana: um hoje, um ontem, um anteontem e outro quarta-feira. Finalmente posso dizer que tenho a documentação necessária para minha monografia. Ainda não tive tempo de ler cada um atentamente, mas o conteúdo de cada um é aquele que eu já esperava. Todos eles versam sobre temas de história alemã e também da história europeia em geral, na visão dos dois mais importantes historiadores nazistas: Karl Alexander von Müller e Walter  Frank. Dois livros de von Müller (“História alemã e caráter alemão” e “Da velha até a nova Alemanha”) contêm diversos artigos históricos sobre temas variados, desde o Tratado de Versalhes até Fichte e Maquiavel, passando por Richard Wagner, Bismarck e até Oliver Cromwell. Enfim, o suficiente para se ter uma noção da visão de História que os nazistas queriam passar. O outro livro de von Müller é um bem pequeno que fala sobre o referendo de 10 de abril de 1938 pelo qual a Áustria aprovou a união com a Alemanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos livros de Walter Frank também consiste de artigos históricos que tratam de figuras como Ludendorff e Karl Marx, além de versar muito sobre a história judaica (mais do que von Müller). O outro, que chegou hoje pela manhã, tem apenas 35 páginas e conta a história do próprio nacional-socialismo. Dentro dele vieram – não me pergunte o motivo – duas páginas de jornal soltas datadas de 1935 (uma delas com uma declaração assinada por Hitler sobre a necessidade de se proteger “o sangue e a honra alemães”). Gustavo Barroso também tem livros que tratam da história do integralismo e de repente surgiu a ideia de talvez comparar a visão que cada movimento tinha acerca de seu próprio lugar na história. De uma certa maneira, ambos os grupos (nazistas e integralistas) criticavam uma experiência liberal-democrática ainda precoce em seus respectivos países (a república oligárquica e a república de Weimar) e exigiam um governo mais forte e ativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por falar em historiografia nazista, comecei a averiguar na semana passada alguns dos livros que estão disponíveis na biblioteca da universidade. São os livros de Alfred Rosenberg que, por serem muito caros, resolvi dar uma olhada no conteúdo antes para ver se realmente valia a pena encomendar. Pedi também um livro de Gottfried Feder, o programa do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Por terem um conteúdo um pouco mais “punk”, esses livros ficam em uma coleção especial, em uma sala especial, da qual não podem sair: você tem de lê-los lá mesmo. Além disso, antes de manuseá-los eu tive que preencher um formulário comprometendo-me a utilizá-los “apenas para finalidades acadêmicas”, isto é, a não irradiar o seu conteúdo maléfico por aí. Lendo algumas passagens dos livros imaginei o quanto devia ser fácil ser um historiador na época do Terceiro Reich: não era necessário discutir, debater, dialogar, raciocinar... Era só colocar a culpa nos judeus! Em algumas passagens de Alfred Rosenberg e Gottfried Feder pude ler que o comunismo, o capitalismo, o capital especulativo, o separatismo, até a Revolução Francesa: tudo fazia parte das maquinações judaicas para tomar conta do mundo e atentar contra a unidade da raça ariana. Momentos como esses me ensinam a sempre duvidar de explicações simples demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, eu sei que deve ser bem chato para você ficar lendo sobre esses assuntos intelectualóides aqui no meu blog, principalmente se você não for estudante da área de humanas. Acontece que isso é o que tem me ocupado ultimamente. “Mas Marcelo, você não faz nada para se divertir?!”. Claro que faço! Meu trabalho da matéria de “Primeira Guerra Mundial” tem me rendido boas risadas, acredite em mim... Você pode achar que escrever doze páginas em alemão sobre a Primeira Crise do Marrocos é o ápice do tédio, mas te asseguro que não. Nunca estudei um episódio histórico tão cômico como esse. Consegue ser mais engraçado até do que as libertinagens no Brasil Colonial que o professor Villalta nos contava em Brasil I. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Primeira Crise do Marrocos é, de longe, a melhor representação possível para aquele famoso meme “forever alone”. A Alemanha passou cada mês, semana e dia entre 1º de abril de 1905 e 7 de abril de 1906 tentando agradar todas as potências, convencê-las de suas boas intenções, chamando-as para negociar livremente nos portos do Marrocos, tentando forjar uma grande aliança continental sob sua hegemonia, clamando a todos que não queria a guerra, invocando o direito internacional e espantando o fantasma do isolamento diante das outras potências. Até que chega a esperada Conferência de Algeciras, proposta pelos próprios alemães para poderem se impor e isolar a França, e o que acontece? Alemanha, immer allein! Um a um, cada país da conferência abandona a Alemanha e demonstra seu apoio à França. E a cada país que dá pra trás o Kaiser Guilherme esbraveja, xinga, se irrita... Aos russos acusa de serem culturalmente inferiores e, portanto, incapazes de honrar o tratado que tinham. E quando a Itália e a Espanha se juntam à França ele diz que é uma maquinação dos povos latinos para atentarem contra o povo germânico. Um professor de Relações Internacionais bem disse: se você quiser entender geopolítica, não assista a filmes de guerra; assista Tom e Jerry e observe as crianças brincando. O Kaiser parece aquele adolescente que faz de tudo para ser aceito no grupinho cool da escola (bebe, fuma, se droga, sai pras baladas) e no fim das contas acaba excluído do mesmo jeito. Esse adolescente cresce com trauma, até que um dia ele se arma e invade uma escola. A Alemanha se armou e invadiu a França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que foi a duras penas que aprendi essa lição. Eu também já tive a “síndrome de Algeciras”, essa mania doentia de querer agradar e ser aceito por todos, por puro medo de ficar sozinho, sem um grupo. Felizmente, com o tempo a vida me vacinou contra ela. Nunca tive um grupo definido, aquele com quem sempre andei e do qual sempre fui mais próximo; e das vezes que tentei pertencer a algum, sempre falhei. Desde os primeiros anos da escola, nunca me identifiquei com um grupo apenas e hoje essa ideia me soa escabrosa. Pertencer a um grupinho fixo e ser sempre fiel a ele me faz sentir como se fosse a pata de uma centopeia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assuntos acadêmicos à parte, recebi nos dois últimos finais de semana dois convites irrecusáveis de estudantes estrangeiros aqui em Augsburg. O primeiro foi da Natalie, uma israelense que estuda História e Filosofia. Ela chamou a mim – e mais pelo menos 25 outras pessoas – para ir comer comida israelense na casa dela em um sábado à noite. Ela mesmo preparou tudo e estava muito gostoso, não me arrependi. O problema é que era muita gente em um espaço muito pequeno (ela mora em um apartamento). Foi ficando mais tarde e as pessoas falavam cada vez mais alto – principalmente os italianos. Até que lá pelas onze e meia a polícia apareceu na porta para avisar que tinha recebido reclamação dos vizinhos. Coincidência ou não, essa foi a hora que eu e mais quatro resolvemos nos despedir. Mas valeu a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final de semana seguinte quem me convidou foi o Solomon, estudante da Eritréia que mora em Augsburg já faz um tempo. Ele é sem dúvida um dos grandes amigos que fiz aqui. Acho que o principal motivo é porque eu fui uma das únicas pessoas que ele conheceu na Alemanha que sabia onde a Eritréia ficava. No domingo à tarde fui até o apartamento dele e ele me recebeu muito bem. Na sala ele me apresentou uma menina, também da Eritréia, mas não disse quem era. Sentamo-nos e começamos a conversar, mas percebi que ele estava falando muito pouco. Nossa conversa era constantemente interrompida por intervalos silenciosos. Até que em determinado momento ele me disse: “Só que há um pequeno problema, Marcelo. Hoje de manhã recebi uma notícia da Eritréia falando que meu pai faleceu”. Em seguida ele ensaiou um pequeno choro que não se concretizou. Nesse instante fui tomado por um espanto súbito, causado muito mais por uma vergonha do que por um susto. Fiquei desconcertado. Será que eu realmente deveria estar lá? Será que ele me mandou uma mensagem no Facebook cancelando o encontro e eu não vi? Não, ele disse que não. Ele havia recebido a notícia há bem pouco tempo, havia sido pego de surpresa. Eu disse que sentia muito e falei que, se ele quisesse, a gente marcava de se ver outro dia. Mas ele – e a menina que até então estava calada – se anteciparam e disseram que não, eu não precisava me preocupar; a comida já estava preparada e não havia motivos para cancelar. Ele apenas me disse que não iria poder ligar o rádio e a televisão para me mostrar alguns vídeos e músicas tradicionais da Eritréia, em respeito ao seu pai. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então comemos e bebemos. A comida estava uma delícia: um pão redondo, fino como um papelão (que nem uma panqueca) que a gente passava em um molho bem apimentado, com frango e ovo cozido. Certa hora, quando ele deixou a sala, a menina (que, como eu iria descobrir mais tarde, era namorada dele) me disse que havia mais de dez anos que eles não viam seus pais, tendo em vista que a instabilidade política na Eritréia impedia-os de retornar ao país. Resolvi ir embora mais cedo por conta da situação toda. Solomon me acompanhou até o ponto do bonde e, ao me despedir, mais uma vez lamentei pelo pai dele e ele agradeceu. Desde então não o vi de novo, mas espero que já esteja melhor. Esse é o tipo de experiência que me serve como um belo puxão de orelha e me ensina a valorizar aquilo que tenho, ao invés de ficar reclamando do que não tenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas aulas acabam dia 10, quando terei uma prova oral. Tenho mais quatro trabalhos para entregar (dois já estão prontos e um na metade) e pretendo entrega-los todos até o dia 10, pois tenho planos de viajar a partir do dia 11. Meu Eurail vale por mais seis dias e pretendo usá-lo para ir até a Áustria e, de lá, pegar o trem para Liechtenstein e depois para a Eslovênia. Por fim, pretendo ir também a Berlim caso haja tempo e dinheiro. Preciso ainda olhar uma série de questões burocráticas antes de voltar, como fechar minha conta no banco, cancelar meu cartão, informar o departamento de estrangeiros e obter os documentos da universidade. Assim será meu último mês aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a propósito, feliz aniversário para mim!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-1622503662386893241?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/1622503662386893241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=1622503662386893241' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/1622503662386893241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/1622503662386893241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2012/01/confusoes-de-augsburg.html' title='Confusões de Augsburg'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-4695117773641423760</id><published>2012-01-15T13:40:00.000-08:00</published><updated>2012-01-15T13:43:51.590-08:00</updated><title type='text'>Confissões de Augsburg - ao ataque!</title><content type='html'>Você que leu meu último texto deve ter refletido acerca da minha inquietude acadêmica. De fato, desde que pus meus pés no curso de História já pensei em me especializar nos mais diversos e contraditórios temas, sendo que nunca fui capaz de levar sequer um deles à frente; sempre aparecia outro tema mais atraente pelo caminho, que depois também era substituído por outro e assim por diante. Ao contrário do que vocês podem pensar, isso nunca me foi estranho. O que uns chamam de indecisão eu chamo de democracia interna. Não me vejo como uma pessoa confusa ou contraditória: apenas permito a mim mesmo ter uma vasta gama de opiniões acerca de um mesmo objetivo. Se isso me traz inconvenientes? Claro que sim. Os mesmo inconvenientes que existem em um parlamento ou em uma assembleia estudantil compostos das mais diversas orientações ideológicas. Inconvenientes sobre os quais nós simplesmente não podemos passar um rolo compressor. E aliás, não pense você que eu cheguei onde estou após seguir cuidadosamente um mapa bem elaborado. Ao longo de minha vida, pouquíssimas foram as vezes nas quais eu me vi estudando História. Só depois de fazer um semestre de Relações Internacionais, outro de Ciências Sociais e depois mais outro de Relações Internacionais foi que finalmente percebi que o meu lugar era nesse curso no qual estou agora – isso sem falar que no primeiro período ainda tinha minhas dúvidas. E desde o segundo período agradeço cada dia da minha vida por ter contrariado pais, amigos e colegas e decidido por prestar outro vestibular. Enfim, acho que o que quero dizer é mais ou menos isso: algumas pessoas precisam sofrer vários desvios ao longo do caminho a fim de achar o trilho certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo de minha busca frenética por livros de História nazistas no país que mais quer esquecer esse período tenho feito várias descobertas. Uma delas (anteontem) foi que Hitler escreveu um segundo livro após o “Mein Kampf”, em 1928. Ele só foi publicado após sua morte e, como não tinha nome, recebeu apenas o título de “Segundo livro de Hitler”. Diferente do primeiro, esse segundo é pouco conhecido e até fácil de achar – encontrei-o na estante da biblioteca da minha universidade e em vários sebos virtuais aqui na Alemanha mesmo; ele tem uma série de observações muito valiosas acerca da visão de História e de política externa que o führer tinha, e que pretendo abordar na minha pesquisa, comparando com a historiografia integralista. O “Mein Kampf” é proibido de circular na Alemanha e só pode ser utilizado para finalidades acadêmicas. Existe um exemplar na biblioteca da universidade, mas ele está na coleção especial, precisa ser encomendado (assim como quase todas as obras de intelectuais nazistas, como Alfred Rosenberg, Walter Frank e Karl Alexander von Müller). O melhor local para se achar obras de autores nazistas no idioma original é a própria terra natal de Hitler. Enquanto estive na Áustria encontrei o “Mein Kampf” e diversas outras obras de intelectuais do Terceiro Reich em pelo menos três sebos de Viena. Me faltou coragem – e principalmente dinheiro – para comprar, mas ainda terei outras oportunidades de passar por lá. E se depois dessa você vier com uma do tipo “Marcelo, você é nazista ?!” eu respondo que sim. E ainda acrescento que tenho um monte de professores e colegas na UFMG favoráveis à restauração da escravidão no Brasil. É mole?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como eu ia dizendo, estive em Viena entre 27 de dezembro e 2 de janeiro para aproveitar o recesso escolar aqui na Alemanha. A Áustria é um lugar fantástico, o único que eu realmente fazia questão de conhecer quando viesse para a Europa. Viena é cheia de construções antigas, museus, castelos e – como eu já disse – sebos e antiquários! É cada coisa que você encontra nesses sebos que você nem acredita. Desde diplomas autografados por Adolf Hitler (vi um que custava 1000 euros) até bandeiras da União Soviética e uniformes militares antigos. Bem no centro da cidade tem uma espécie de calçadão onde se concentram lojas, restaurantes, bancos e cafés. Como era fim de ano a cidade – e especialmente esse ponto – estava em polvorosa: muita gente indo e vindo e, pra todo lado, artistas de rua de todos os lugares do mundo abusando do seu talento em troca de dinheiro. Vi de tudo: grupos de break dance, flautistas peruanos, estátuas humanas, operadores de marionetes que tocavam instrumentos... Impossível andar sem topar com um desses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que minha única reclamação em relação à Áustria nada mais é que um complemento das minhas reclamações na Alemanha: a dificuldade sobre-humana de se achar água mineral sem gás para comprar e o “faça você mesmo”. A primeira alternativa é autoexplicativa. Aqui na Alemanha têm lugares nos quais peço água sem gás e tudo o que recebo é um olhar espantado do atendente, como se eu estivesse pedindo a coisa mais estranha do mundo, seguido da resposta “só tem com gás”. E não suporto água com gás por nada nesse mundo... Duas vezes em dois restaurantes em Viena pedi água sem gás e me serviram água gasosa; nas duas vezes tive que chamar o garçom e explicar que eu queria sem gás. Acho que eles estão tão pouco acostumados a servir água com gás que quando pedimos “água sem gás” eles nem ouvem a última parte. No supermercado próximo ao hostel onde fiquei tentei achar água sem gás para comprar, mas também sem sucesso: tinha água gasosa, água com sabor de pera e de maçã, mas nada da maldita água sem gás. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação ao segundo ponto (o “faça você mesmo”) a melhor ilustração foi também em um restaurante. Pedi um prato que demorou mais de uma hora e meia para sair. Acontece que ele era muito grande e eu não dei conta de comer, então disse ao garçom que queria embrulhar para comer em casa (odeio desperdiçar comida). Ele então me trouxe uma sacola plástica e um rolo de papel alumínio, colocou na minha mesa e disse: “pode embrulhar!”. Acredite ou não, eu não me surpreendi. Eu já havia notado que na Alemanha é tudo você quem faz: nas lavanderias você lava sua roupa, nas copiadoras você é quem xeroca e imprime, no posto é você quem abastece, no trem é você quem invalida seu bilhete. É por isso que até hoje eu não entendo como é que na universidade eles entregam, no primeiro dia de aula, um calhamaço com todos os textos a serem lidos no semestre. Se fosse para seguir a lógica, cada um deveria pegar o livro na biblioteca e xerocar por conta própria. Mas enfim, eu embrulhei e levei a comida para casa e tive jantar garantido no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Áustria, mais do que na Alemanha, me surpreendeu a quantidade de brasileiros que encontrei pelo caminho. Eles estavam em todo lugar (e à medida que viajei para o leste se tornavam mais frequentes). A virada do ano eu passei em frente à prefeitura, com muitos fogos de artifício e um grande palco armado pela rádio local onde uma banda tocava músicas consagradas desde a década de 1960 até os anos 2000. No calçadão onde ficavam os artistas de rua também havia muitos palcos, cada um tocando um estilo de música diferente. Se você enjoasse, era só mudar de lugar. Duas músicas que marcaram essa viagem foram, sem dúvida, Michel Teló com seu “Ai, se eu te pego” e outra banda com uma tal de “Dança Kuduro”. Na noite da virada passei por um grupinho de pessoas na rua que cantava “ai, se eu te pego” em um português até razoável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou ficar aqui dando sugestões de lugares interessantes para se visitar em Viena, até porque esse não é um blog turístico e essas informações você pode achar em centenas de milhares de sites na internet. Também não vou ficar me atendo a dados do tipo “população de Viena, história, curiosidades”; para isso criaram a Wikipedia. Só o que me marcou de modo especial foi o parlamento austríaco, que tem algumas estátuas muito bonitas ornamentando sua fachada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 2 de janeiro foi a vez de seguir em frente. Leste europeu: Eslováquia! Aqui vai mais um motivo pelo qual não fico dando dicas turísticas nesse espaço. Vi na internet uma série de relatos de viagens de brasileiros que já estiveram em Bratislava, capital da Eslováquia. Fui pra lá esperando o pior, pois era assim que descreviam o local: sujo, cheio de pedintes, parado, sem-graça, monótono. Tudo mentira. Foi, de fato, uma das melhores cidades que já conheci na vida! De fato lá é uma cidade pequena para ser capital, mas tem um centro histórico muito bonito, com estátuas excêntricas e uma rota (marcada por pequenas coroas talhadas no chão) que mostra o caminho que os monarcas do Império Austro-Húngaro faziam ao serem coroados. Fora isso, a cidade tem muitas estátuas e memoriais do tempo do comunismo, um grande shopping center, um castelo no ponto mais alto e uma ponte sobre o Danúbio com uma torre, do alto da qual tem-se uma vista panorâmica da cidade. O observatório da torre é no formato de um disco-voador e dizem que é um lugar para se observar OVNIS à noite. As pessoas na cidade também são muito simpáticas e sempre dispostas a ajudar, principalmente a equipe do hostel onde fiquei; isso sem falar que a comida é uma delícia. Enfim, para alguns isso é monótono, para mim foi uma experiência inigualável (no bom sentido).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Eslováquia, mais ainda do que na Áustria e na Alemanha, encontrei muitos brasileiros pelo caminho, acredite ou não. Após dois dias em Bratislava segui para Budapeste, na Hungria, onde o número de brasileiros só iria aumentar. &lt;br /&gt;Das três cidades que visitei Budapeste foi, sem dúvida, a mais bonita. Diria até que foi a segunda cidade mais bonita que já vi na vida, perdendo apenas para Ouro Preto por uma pequena diferença (se não fossem aquelas malditas repúblicas estudantis, a diferença seria maior). Nunca me senti tão em casa na Europa como em Budapeste. Talvez porque ela nada mais é do que uma versão macro da FAFICH. Lá tudo é alternativo, tudo é meio underground (quase todos os restaurantes que fui eram em porões), além do fato de que ainda se guardam muitas reminiscências do tempo do comunismo. A cidade é cortada ao meio pelo Danúbio, sendo que de um lado está Buda, e do outro está Peste (até a segunda metade do século XIX eram duas cidades). Os metrôs de Budapeste são os mais antigos da Europa, todos pichados e um pouco capengas, mas isso só fez crescer minha afeição pela cidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os húngaros lutaram dezenas de anos contra o domínio otomano (nos séculos XVI e XVII) e austríaco (no século XIX). Existem várias estátuas exaltando os heróis da luta de libertação contra os muçulmanos. E o mais interessante nessa história toda é que na Hungria você visita o Museu Nacional, aprende o quanto os húngaros sofreram para se livrar do Império Otomano e depois sai do museu e vai jantar um kebab em um dos muitos restaurantes turcos da cidade. Aliás, devemos dar duas vezes graças a Deus (ou a Allah?) pelos turcos na Hungria e na Europa como um todo. Primeiro porque graças a eles existem, em quase toda a Europa, diversos restaurantes de comida turca onde você se enche de tanto comer e paga muito pouco; enfim, para estudantes que viajam com pouco dinheiro e se hospedam em hostéis, é uma alternativa ainda mais viável que o velho McDonalds. Segundo, porque, pelo menos na Hungria, eles deixaram uma importante herança: as casas de banhos termais. Com o frio que faz no inverno esses banhos são uma salvação. O melhor de todos é a piscina de 38 graus: é a temperatura perfeita para você relaxar sem sentir muito calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a propósito, uma coisa que Budapeste me ensinou foi que a melhor forma de se orientar em uma cidade que você não conhece é visitando o museu de história antes de qualquer outro lugar. Lá vi a história dos grandes heróis nacionais cujos nomes foram dados às principais ruas, praças e estações de metrô da cidade. Depois de passar no museu, ficou muito mais fácil decorar os endereços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem só os turcos e os austríacos. Os húngaros também tiveram de lutar contra os soviéticos. No museu e em outros pontos da cidade se exalta bastante a resistência dos húngaros diante do domínio comunista, principalmente a revolução de outubro de 1956. Em um memorial em frente ao parlamento há uma placa com a frase de um intelectual com dizeres claramente anticomunistas; algo do tipo “mesmo após a derrocada da URSS, é muito difícil acabar com o comunismo”. Para eles isso até soa normal, e eu compreendo. Os húngaros são assombrados pelo comunismo assim como os alemães pelo nazismo. Mas para alguém que vem de um país governado durante 21 anos por um regime repressor que tinha a incumbência de livrar o país do perigo vermelho, aqueles dizeres na placa soaram meio mórbidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso, Budapeste é o paraíso dos comunistas de boutique. Pensando bem, acho que os húngaros não são tão assombrados pelo comunismo como os alemães pelo nazismo. Na Hungria eles aprenderam a fazer turismo com isso. Na saída da cidade existe um memorial com várias estátuas do tempo do comunismo: Marx, Engels, Lenin, trabalhadores e soldados olhando para o horizonte são algumas das estátuas mais comuns. Na loja que existe na entrada no memorial vendem-se cartazes de propaganda comunista, quepes militares soviéticos, canecas retrôs com fotos de líderes comunistas além de isqueiros, caixas de fósforo e medalhas com símbolos da URSS. Mas nem tudo é levado a sério. Eu, por exemplo, comprei um cartaz com a foto de Lenin, Mao e Stalin no qual estava escrito “Os três terrores”. Vou levar para pendurar na entrada da FAFICH. Havia também camisas com esses dizeres. Ao lado do memorial ficava uma sala interativa com fotos do tempo do comunismo. Também nessa sala tinha um pequeno cineminha que rodava vídeos de propaganda soviética. O que eu vi era um vídeo dando aulas de espionagem para agentes do serviço secreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que me surpreendeu em Budapeste foi que, pela primeira vez desde que saí do Brasil eu almocei em um restaurante self-service a quilo. Achei um restaurante ao lado do Danúbio que fazia parte de uma cadeia de restaurantes self-service (os únicos da cidade; eram de um proprietário norte-americano). Aí mais uma vez eu refleti sobre o “faça você mesmo”: se esses europeus prezam tanto a autossuficiência, podiam disseminar essa ideia de comida a quilo. Já que você xeroca, você imprime, você abastece, você lava a roupa, você embrulha a comida pra levar pra casa, então você que sirva sua própria comida! Nunca vi comida a quilo na Alemanha e sinto muita falta disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim se passou meu final e começo de ano. Treze dias de viagem, três cidades, três países e sequer meio floco de neve. Esse inverno está me decepcionando. Só fui ver neve no caminho de volta, entre Salzburg e Munique. Agora estou me preocupando em correr atrás do prejuízo: tenho vários trabalhos a entregar em fevereiro e uma prova oral. Além disso, continuo tentando providenciar os livros de historiadores nazistas, já de olho em minha monografia que inicio esse ano (essa foi minha única meta para 2012). Essa semana chega aqui em casa o livro do Walter Frank que encomendei: “Geist und Macht”, e nessa semana mesmo devo encomendar mais outros, inclusive o segundo livro do Hitler (que achei a um preço muito bom). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desejo a todos um feliz 2012 e agradeço pela atenção!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-4695117773641423760?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/4695117773641423760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=4695117773641423760' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/4695117773641423760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/4695117773641423760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2012/01/confissoes-de-augsburg-ao-ataque.html' title='Confissões de Augsburg - ao ataque!'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-902950077578365755</id><published>2011-12-26T16:48:00.000-08:00</published><updated>2011-12-26T16:49:20.559-08:00</updated><title type='text'>Aflições de Augsburg</title><content type='html'>2003: tudo me remete a esse ano. Tudo aquilo que sou, que deixei de ser, o que quero e o que não quero ser: todas essas perguntas me levam necessariamente a esse ano que permanece como um marco fundador na minha vida. Naquele ano o Brasil ganhava seu primeiro presidente oriundo das classes trabalhadoras, os Estados Unidos se mostravam cada vez mais dispostos a atacar o Iraque, o celular começava a se popularizar e aquele famoso som do ICQ ressoava por todas as internets discadas do país nos fins de semana; naquele ano uma jovem branquela metida a skatista conquistava fãs ao redor do mundo com seu estilo rebelde e sua retórica anti-Britney Spears, ao passo que aqui no Brasil figuras horrendas como Jammil e uma Noites se destacavam no carnaval. Enquanto isso, no interior de Minas Gerais, nascia mais um rebento da geração Kazaa: o então jovem de 15 anos de idade que agora vos fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De 2003 em diante minha vida se apegou à internet. Essa ferramenta estranha, que chegara à minha casa há seis anos atrás e cuja finalidade eu então mal podia compreender, se tornava de repente um gênero de primeira necessidade. Para alguém que não tinha muitos amigos, não bebia, não dançava, não saía e sequer conseguia conversar com uma menina, a internet era uma bênção. “Mas e os livros, Marcelo? Você não gostava de ler?”. Não. Meu gosto por livros foi interrompido em 2003 porque foi esse o ano no qual comecei a me preocupar com o vestibular. A partir de então, tomei ojeriza de tudo aquilo que fosse relacionado ao conhecimento, ao saber, à instrução... Justo no ano em que eu mais deveria ler e me informar eu me afastei de tudo isso. E foi justamente nesse momento que a internet me acolheu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, grande parte do que sou hoje devo a ele: o Kazaa. Quem usou essa valiosa ferramenta para baixar músicas na internet há de se lembrar que ele tinha uma opção de buscar músicas por idiomas. Aquilo para mim era a glória! Uma lista enorme com os mais diversos idiomas à minha disposição: era só escolher uma língua, procurar e baixar qualquer música que viesse. Não importava se a música era rap, pop, rock ou romântica, o mais importante era o idioma. As minhas línguas preferidas eram o turco, o chinês, o árabe e o russo. Enquanto meus dias de semana se resumiam a acumular cada vez mais medo do vestibular, meus finais de semana eram consumidos baixando músicas que ninguém ao meu redor ouvia. No ICQ minha estratégia era semelhante. Até hoje me lembro da menina russa que morava na Síria e estudava literatura japonesa com quem eu conversava frequentemente. Hoje, 8 anos depois, eu vejo que essas experiências não foram de todo insignificantes. Minhas duas estadias no exterior me provaram isso muito bem. Por ter ouvido música de tantos países e em tantos idiomas, e por ter conversado com gente de tanto lugar, hoje, quando encontro alguém de algum país, por mais longínquo que seja, sempre tenho um assunto, algo para comentar: uma banda, um cantor, um ator, um personagem histórico ou político daquele país... E muitos são os que se surpreendem ao ver que um brasileiro conhece um cantor ou o presidente do país dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, hoje digo com orgulho que todos aqueles sábados e domingos não foram simplesmente desperdiçados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas minha vida seguiu e o destino me levou para a Malásia. O que foi a Malásia? Até hoje tento compreender. Naquele ano de 2004, porém, eu sabia bem o que ela significava: vitória! O menino que ouvia músicas estranhas em idiomas esquisitos finalmente teria alguém para conversar, visto que estaria em uma terra estranha com um idioma esquisito. Uma terra de maioria islâmica com minorias chinesas e indianas era o palco perfeito para meu triunfo: estava prestes a deixar para trás um país com o qual nunca me identifiquei (até porque pouco o conhecia) para ir a um lugar onde eu me sentiria em casa. Um jovem que queria ser monge budista na infância de fato jamais iria se identificar com um país de micaretas e axés, carnavais e bebedeiras. A Malásia era minha terra prometida. Senti-me retornando à terra natal onde nunca estive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eis que deu tudo errado. Os detalhes desse desastre são complexos, contraditórios e caóticos demais para explicar aqui. Nem mesmo em minha cabeça eu consigo formular direito como e porquê essa empreitada se esfacelou em mil pedaços. Diria apenas que chegando lá eu percebi quão ridícula era a ideia de um jovem do interior de Minas, descendente de índios, portugueses, alemães e espanhóis, que nunca tinha saído do seu país, querer encarnar um indiano, malaio ou chinês. Simplesmente não fazia sentido! Nem para mim, nem para eles. Esperei chegar a um país islâmico onde todos se voltavam para Meca cinco vezes ao dia, ouviam música religiosa e conclamavam à jihad contra o grande satã; o que de fato encontrei foram jovens fanáticos por futebol inglês que ouviam Britney Spears e Jennifer Lopez e sequer sabiam a diferença entre um muçulmano sunita e um xiita. Eles esperavam receber um brasileiro bom de bola e bom de papo, que fazia sucesso com as mulheres e estivesse interessado em se divertir; o que encontraram foi um enguiço introvertido que se mostrava muito mais interessado em visitar mesquitas, aprender a recitar o corão e entender o jogo de forças na política malaia do que em comentar o desempenho dos jogadores brasileiros no futebol europeu. E eu, que passei minha infância lendo relatos dos exploradores europeus sobre o choque cultural que sentiam nas terras recém-descobertas, fui aos poucos percebendo que em tempos de Kazaa, ICQ e globalização, o choque cultural é justamente o contrário: o ocidental quer ser como o oriental e vice-versa, e eles continuam não se entendendo (como no tempo dos grandes descobrimentos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até então minha vida no Brasil tinha sido uma tentativa constante de forjar para mim mesmo uma identidade cultural que nada tinha a ver comigo: músicas cazaques, vietnamitas e dos mais longínquos confins da Ásia; quando finalmente cheguei aos confins da Ásia, vi quão escabrosas e artificiais eram tais tentativas. Até porque se nem os malaios ouviam música malaia, o que eles pensariam de um brasileiro ouvindo-as? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado disso foi que, após um ano na Malásia, retornei a um país no qual nunca havia estado. Não obstante, aquela mentalidade obsoleta pré-intercâmbio que reverenciava os outros países, as outras culturas e os outros povos permanecia de certa forma bem viva na minha cabeça. Isso me levou a optar pelo curso de Relações Internacionais na hora do vestibular. Claro, né? Ficar um ano exterior fazendo intercâmbio e depois voltar para estudar Relações Internacionais é um dos maiores clichês acadêmicos que já vi. O intercambista volta ao Brasil e opta pelas RI sob a justificativa mequetrefe de querer ajudar as criancinhas da África e salvar as vítimas de minas terrestres no Camboja, pouco se importando com o fato de que no Brasil também há criancinhas que precisam de ajuda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curso de Relações Internacionais me se mostrou para mim como um retorno da “era Kazaa” com outras roupagens. Toda aquela alienação, aquele fascínio pelo estrangeiro, por outros países, outras línguas e culturas havia retornado sob um disfarce acadêmico. O curso de Relações Internacionais foi para mim o que a Restauração foi para a Europa pós-napoleônica. Não! Acho que ele se assemelhou mais à revolução de 1830 na França: substituiu uma monarquia por outra de nome e dinastia diferentes, mas que pouco mudou justamente pelo simples fato de continuar sendo uma monarquia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na esteira dos acontecimentos, o curso de História foi o responsável por enxotar o Luís Felipe que havia em minha vida. Eu vi na História a oportunidade de abandonar essa mania que sempre tive de me interessar somente por assuntos internacionais. Passara 17 anos de minha vida com a nuca doendo de tanto se inclinar para olhar o que se passava lá fora. Quando me decidi pela História e passei no vestibular, finalmente conquistei a oportunidade de colocar meus pés no chão e olhar ao meu redor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí veio a reação. A cavalo, imbatível, veio Luís Bonaparte. Inconformados com essa mudança de rumo, os setores mais conservadores da minha mente começaram a disparar impropérios contra o curso de História. Diziam que ele era viciado, chamaram-no de “curso de uma nota só”. E a partir daí suas exigências e sua ousadia só cresceram. Publicaram um manifesto ridículo intitulado “O homem doente da FAFICH” no qual deixaram claro, entre outras exigências pertinentes, sua aversão ao apego febril que muitos no curso de História da UFMG têm pelo estudo unicamente de questões mineiras. O ápice da reação foi o dia 4 de outubro de 2011: o dia em que parti para meu intercâmbio na Alemanha. A aristocracia ultraconservadora que insistia em não deixar meu cérebro convenceu-me de que era melhor ir para fora – de novo. Me convenceu de que eu devia estudar algo diferente, longe de escravos e mineração, longe de preocupações típicas da “história mesmice”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fugir do trinômio quadrado perfeito “escravismo, barroco, minas setecentistas” para estudar um tema como “Primeira Guerra Mundial” é, nos padrões da UFMG, um ato revolucionário. Assim, essa aristocracia internacionalóide, saudosa dos tempos das Relações Internacionais, manobrou seus argumentos de uma forma tal que eles passaram a ser os progressistas! Afinal, não é de praxe estudar apenas história do Brasil na UFMG? Não é revolucionário trazer temas novos relativos à história mundial? “Sendo assim” proclamava a aristocracia saudosa do pré-2004 “inclinem-se para a história do mundo vocês que são revolucionários, pois estudar história do Brasil é ser conservador nos padrões da UFMG!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha então uma situação delicada: se eu optasse por dedicar-me à história do Brasil, seria um revolucionário por dentro e um reacionário por fora; se eu me dedicasse a algum tema relativo à história de outros países, seria um reacionário por dentro e um revolucionário por fora. Tentei, por meses e meses a fio, estabelecer uma solução de compromisso entre essas duas tendências que se digladiavam. Algumas duraram muito, outras muito pouco, mas todas fracassaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É justamente por essas razões que esse intercâmbio na Alemanha se mostrou como um dos episódios mais decisivos da minha vida. Minhas expectativas antes de vir para cá eram as maiores, bem maiores do que o dobro de todas as expectativas que tinha naquele mês de junho de 2004, antes de embarcar para a Malásia. Servirá esse intercâmbio para reforçar minhas convicções “revolucionárias-por-fora-e-reacionárias-por-dentro”? Ou servirá ele como um catalisador para mais uma revolta “revolucionária-por-dentro-e-reacionária-por-fora”? Não haverá aí caminho para uma conciliação de forças?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O atual estado de coisas sugere que a segunda opção é a mais provável. Temas como Segunda e Primeira Guerra Mundial são bem legais e fascinantes, principalmente para quem estuda História, e eu não sou exceção. Acontece que, estudando temas tão bisonhos como a Primeira Crise do Marrocos sinto-me como alguém chegando atrasado e de mãos vazias a uma festa para a qual não foi convidado. Kaiser, sultão, rei da Inglaterra e ministro francês... Como eu posso me enxergar nessas pessoas? De que maneira elas me dizem respeito? Esses temas me são tão estranhos quanto as músicas curdas, coreanas e mongóis que eu ouvia na minha adolescência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais: que acadêmico europeu sério, em sua sã consciência, daria crédito a um pesquisador brasileiro que se mete a estudar um tema assim, tão alheio à história do Brasil? Quem na Europa quer ouvir o que um brasileiro tem a dizer acerca da Primeira Guerra Mundial (a menos, é claro, que seja algo relacionado à participação do Brasil no conflito – o que particularmente nunca me interessou), quanto mais da Crise do Marrocos? Isso sem contar que ao longo da minha pesquisa fui percebendo que muito, mas muito já foi publicado a respeito desses eventos. Tanto já se falou e se escreveu sobre isso que me vejo incapaz de dar contribuições mais significativas ao assunto. Quero estudar um tema no qual eu possa descobrir coisas novas, falar coisas que ninguém nunca antes falou... E não seguir caminhos já traçados milhares de vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, é assim que vejo a atual situação: a “reação-para-dentro-e-revolução-para-fora” está novamente perdendo espaço para a “reação-para-fora-e-revolução-para-dentro”. Isso me deixa feliz. Caso escolha trabalhar com um tema ligado à história do Brasil, finalmente poderei dizer com orgulho que, enfim, sepultei a “era Kazaa”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo de minhas visitas à biblioteca da universidade um tema em especial atraiu minha atenção: a historiografia nazista. Não me refiro à historiografia sobre o período nazista, mas sim à historiografia que o regime nazista engendrou: quem eram e o que pensavam os historiadores que defendiam o regime nacional-socialista, qual era a visão de História que eles tinham e de que forma eles refutavam as duas visões de mundo predominantes até então – a doutrina comunista e o capitalismo. Esse é o tema que mais tem me atraído para uma possível pesquisa. Acho fantástico estudar as tentativas ao longo da história de se achar outro caminho, outra via possível ao comunismo e ao capitalismo, aos EUA e à URSS. No “Mein Kampf” Hitler deixa claro à exaustão o quanto despreza o comunismo e o capitalismo, e como os considera duas forças que, longe de se oporem, se aproximam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não apenas estudar a historiografia nazista, pois isso seria perpetuar a “era Kazaa”. Acho pertinente fazer um estudo comparado com a historiografia integralista no que tange ao teor anticomunista e anticapitalista das obras. Integralistas como Plínio Salgado e Gustavo Barroso têm obras sobre a história do Brasil sobre as quais nunca tinha ouvido falar e que parecem bem interessantes como objeto de estudo, principalmente se comparadas com a historiografia nazista. O fascínio que o nazismo despertou em muitos brasileiros como sendo uma alternativa viável ao comunismo subversivo e ao capitalismo imperialista é um objeto de análise que me agrada. Encontrei, na biblioteca da universidade de Augsburg, livros do “Reichsinstitut für Geschichte des neuen Deutschlands”, uma instituição criada pelo regime nazista para formular uma visão da História compatível com a nova ideologia. Seu grande mentor, Walter Frank, possui várias obras (já descobri 10 de seus livros no Bundesarchiv em Berlim) com tal intento. Os livros do “Reichsinstitut” foram escritos por diversos intelectuais aliados ao regime e tratam muito mais do antissemitismo do que do anticapitalismo ou anticomunismo. Vez ou outra, porém, eles sempre exploram o fato de Karl Marx ser judeu e a aparente inclinação desse povo ao comércio. Assim, minha hipótese é a de que na raiz do anticomunismo e anticapitalismo da historiografia nazista estava o antissemitismo, ao passo que na historiografia integralista as duas primeiras ideias eram mais fortes do que a última.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio, portanto, que o historiador deve se enxergar em seu objeto. Temas como o imperialismo alemão não permitem que eu me enxergue neles (e só fui perceber isso após já ter dado início às minhas pesquisas). O grande desafio que me aguarda agora, portanto, é de uma natureza especial: como fuçar no passado de um país justamente na parte que ele mais quer esquecer. Recentemente encomendei, em um sebo virtual, um livro de Walter Frank; deve chegar essa semana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, é uma oportunidade única estudar História e vir para a Europa fazer intercâmbio, ter aulas sobre nazismo, imperialismo germânico e Primeira Guerra Mundial. Não nego de forma alguma que tudo isso tem contribuído muito para minha formação. Mas olho com ceticismo para esse continente. Os jornais daqui estampam com cada vez mais frequência a crise do euro, o drama da Grécia, os dilemas de Portugal... Todo mundo aqui se amarrou um ao outro de tal forma que se um cair no abismo leva todos os outros junto. Não me vejo vindo para cá novamente nem mesmo em um futuro próximo. O fardo do homem branco se tornou tão pesado que até mesmo os homens de cor que habitam os trópicos estão ensaiando voos mais altos do que ele. As previsões para 2020 valorizam a China, a Índia, o Brasil, e não a França, a Inglaterra ou a Alemanha. Um dia, quando eu for bem idoso, vou contar para meus alunos que em 2011 viajei para a Europa para estudar um semestre e eles vão me olhar com assombro perguntando “2011? Justo na época da crise? Justo na época em que o Brasil começava a ultrapassar as nações europeias nos indicadores econômicos? Seria melhor ter ficado aqui mesmo!”. E eu não saberei responder a essa pergunta senão com um breve sorriso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aflições acadêmicas – e econômicas – à parte, aqui tudo vai bem. Fiz minha primeira prova no começo de dezembro, da matéria sobre imperialismo e colonialismo alemão. Recebi a nota esses dias. Tirei 2,7 em uma escala que vai de 1 até 6 (ou 7, não me lembro), sendo 1 a melhor nota possível. Fiquei impressionado comigo mesmo, mas acho que o professor me deu uma mãozinha salvadora também! Obviamente ele não corrigiu erros de ortografia (como ele mesmo já havia me dito). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha última semana de aula resolvi faltar à aula de alemão para viajar. Fui para Dortmund, cidade no noroeste da Alemanha, sozinho. E não me venha de novo com essa história de “Marcelo, você não tem amigos?!” porque viagens para mim são sagradas! Jamais cancelaria uma viagem a um lugar que eu realmente queira conhecer por falta de companhia. Caso você esteja prestes a viajar para o exterior, carregue esse ensinamento: nunca fique dependendo de terceiros para viajar quando estiver em outro país. Um final de semana um não pode, no feriado o outro não pode, nas férias o outro já tem plano... Aí você vai adiando sua viagem até o momento em que você olha no calendário e descobre que na semana que vem é seu voo de volta – e você não viajou nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conheci quase nada de Dortmund, fiquei apenas hospedado por lá. Visitei cidades ao redor: Emmerich (uma cidadezinha à beira do rio Reno perto da fronteira com a Holanda), Wuppertal (onde me encontrei com um amigo) e Utrecht, na Holanda. De fato, a última foi a que mais me fascinou. Devo confessar que minha viagem para Utrecht foi uma das coisas mais mal planejadas que já fiz na vida. Simplesmente fui, sem saber de qualquer ponto turístico, atração ou coisas para se fazer por lá. Só o que sabia era que lá havia sido assinado um tratado no século XVIII que tinha, entre suas cláusulas, acertos de fronteiras entre a América Portuguesa e a América Espanhola (acho que foi isso que me motivou a visita-la).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até agora me desconcerto ao falar da Holanda. Não sei bem o que dizer, como explicar... Precisaria passar um ano lá para poder formular opiniões inteiras sobre aquele país. De momento digo apenas que me surpreendi com a variedade cultural que se nota nas ruas e em todos os lugares (pelo menos em Utrecht): negros, chineses, judeus, muçulmanos, indianos – todos eles falando holandês e se sentindo em casa. A cada rosto não-europeu que eu via me lembrava do passado colonial holandês, suas conquistas, suas posses nos mais remotos cantos da terra, desde a Indonésia até o Suriname – e tentava descobrir de qual ex-colônia cada rosto vinha (típico exercício de um estudante de História que está sozinho em uma terra estranha sem ter o que fazer). Logo que saí da estação fui abordado por um jovem negro mais ou menos da minha idade. Foi aí que me dei conta de uma coisa para a qual eu nunca tinha atentado: eu não falo sequer uma palavra em holandês. Nem um “bom dia”, um “obrigado”, um “com licença”, nada... Fiquei meio bobo e depois disse a ele, em inglês, que eu não falava holandês. Ele então me perguntou em inglês se eu era de lá e eu disse que não, que era estrangeiro fazendo intercâmbio na Alemanha. Ele então sorriu e me disse “ok, então eu não vou te perturbar!”. Quando ele falou holandês a única palavra que pude entender foi “Greenpeace”. Acredito então que era algum ativista tentando recrutar membros para a causa. Nesse momento me lembrei das tumultuadas eleições do DCE na UFMG e dos corredores lotados com pessoas distribuindo panfletos de suas chapas. Parece que é minha sina!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade de Utrecht parece duas em uma só: de um lado Ouro Preto, de outro Belo Horizonte. A parte histórica da cidade tem canais, ruas estreitas, casinhas pequenas e várias pessoas andando de bicicleta. A parte mais moderna tem prédios, lojas, trânsito intenso e mais pessoas andando de bicicleta – sem falar, é claro, naquela famosa rua com umas vitrines de luzes vermelhas que todo mundo já sabe o que é só de olhar de longe. Fiquei mais tempo no centro histórico, andei sem rumo durante muito tempo e passei até pelo arquivo histórico da cidade. Me arrependo de não ter entrado, pelo menos quem sabe para procurar o Tratado de Utrecht em sua versão original. À noite voltei para a estação e após uma longa viagem cheguei a Dortmund.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu tutor gentilmente convidou-me para passar o Natal na casa dele em Meitingen, uma cidadezinha perto de Augsburg. À tarde fomos à casa de sua avó, comemos biscoitos e tomamos chá. Conversei bastante com o primo e com a prima dela, ambos muito simpáticos. Presenteei a vó dele com um presépio de louça que eu havia comprado no dia anterior. Ela ficou muito feliz, acendeu as suas duas velas e logo o colocou para decorar a casa. O problema é que as velas esquentaram demais e de repente a estrela que ficava no alto do presépio simplesmente quebrou! Ela logo apagou a vela e disse que mais tarde iria colar. Essa situação deveria ter me deixado sem jeito, mas surpreendentemente não deixou. Mais tarde fomos à missa e depois fui para a casa do meu tutor. Lá comemoramos só ele, eu e a mãe dele. Eles não são muito animados com Natal, por isso fizeram uma ceia simples: batata cozida e linguiças fritas. Enquanto esperávamos a refeição, conversei com ele (o nome dele é David) sobre seus planos após se formar. Ele disse que quer ser professor de Inglês e História em alguma escola (atualmente está estudando para concurso em escolas do Estado). Perguntei sobre a possibilidade de seguir a carreira acadêmica e ele me disse que não, pois várias coisas na universidade eram, para ele, sem sentido. Pedi um exemplo e ele me falou que os textos de Pedagogia eram estúpidos, pois tratavam de temas óbvios como por exemplo “a sala de aula é um lugar heterogêneo, tem homens e mulheres, cada um com sua personalidade”... Enfim, coisas que todo mundo sabe e que, caso não saiba, irá aprender em apenas um dia de experiência. Disse ainda que em um dia do seu estágio com crianças de uma escola ele aprende muito mais que em um semestre todo na universidade. Percebi, com isso, semelhanças valiosas entre as queixas dele e a de muitos de meus colegas na UFMG. Após comermos ficamos os três sem ter o que fazer. Jogamos então um jogo de tabuleiro e depois o David me mostrou fotos de seu intercâmbio em Birmingham, na Inglaterra. Voltei pra casa antes das 22h. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não reclamei: apesar de não ter tido uma ceia farta, com trocas de presentes e perto dos familiares, consegui o que mais queria, que era não passar o Natal sozinho. Nessa terça pela manhã viajo para Viena, na Áustria, onde passarei o Ano Novo, depois para Bratislava (na Eslováquia) e depois para Budapeste (na Hungria). Desejo a todos um feliz ano novo e agradeço/admiro a paciência de quem conseguiu ler até aqui! Peço desculpas pelo teor excessivamente subjetivo na primeira metade do texto, mas são reflexões que tenho feito com muita frequência nos últimos dias. Tratei de temas bem delicados os quais não devem ter ficado muito claros. Aceito, porém, críticas e sugestões a respeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-902950077578365755?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/902950077578365755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=902950077578365755' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/902950077578365755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/902950077578365755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2011/12/aflicoes-de-augsburg.html' title='Aflições de Augsburg'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-777054858032830160</id><published>2011-11-26T16:00:00.000-08:00</published><updated>2011-11-26T17:44:03.363-08:00</updated><title type='text'>Confissões de Augsburg - o retorno II</title><content type='html'>Segunda-feira era o dia D para mim: iria fazer minha primeira apresentação na universidade! Nada de muito grave: era para a matéria de "Textos-chave para o período 1830-1930". Tinha que fazer uma breve apresentação de apenas 5 minutos sobre a vida de Karl Marx. Em geral os professores daqui pedem para a gente entregar um roteiro resumindo tudo o que vamos falar na apresentação oral. Assim, procurei na biblioteca algumas biografias de Karl Marx e comecei a fazer algumas anotações. Peguei as duas mais curtas que achei (uma delas do Isaiah Berlin), pois para uma apresentação de apenas 5 minutos não podia ficar me perdendo em detalhes. Li apenas o começo de cada uma delas e complementei as informações com dois textos que achei no site marxists.org. Montei um pequeno roteiro e enviei ao meu tutor para que ele pudesse corrigir os erros gramaticais. Na hora da apresentação deu tudo certo e aquilo que eu mais temia não aconteceu: ninguém me fez perguntas. Acho que a turma se compadeceu de mim... Depois de minha apresentação discutimos o Manifesto e ao fim da aula o professor disse que eu tinha ido muito bem e aquilo me deixou aliviado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como é a universidade daqui? Só posso dizer baseado no prédio que eu frequento, que é a Faculdade de Filologia e História. Pra começar, é um lugar bem diferente da FAFICH em certos aspectos, mas bem parecido em outros. É diferente porque lá dentro ninguém fuma - é proibido, uma vez que o lugar é todo fechado. Além disso, têm vários corredores cobertos por carpetes onde muitas pessoas costumam se sentar para estudar ou apenas conversar. Têm várias mesas e cadeiras espalhadas pela faculdade que o pessoal usa para estudar. É algo muito prático quando você tem um tempo livre entre uma aula e outra e quer ler um texto mas não quer perder tempo indo até a biblioteca. Tem uma salinha lá que funciona como CA ou DA, mas nunca entrei porque é um lugar extremamente estranho e que costuma ficar de portas fechadas, ou lotado com um monte de gente na porta. No geral, a faculdade é um lugar tranquilo: festas ficam só do lado de fora, assim como o cigarro. Alemão é sim um povo festeiro, mas eles sabem muito bem separar o ambiente de festa do ambiente de estudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A faculdade se parece com a FAFICH no que tange aos adesivinhos pregados por toda parte (ainda mais do que na FAFICH) e aos escritos em banheiros. Por todo lado na faculdade, na universidade e mesmo no resto da cidade você vê adesivos parecidos com aqueles que têm na Savassi. Os daqui, porém, quase sempre são da torcida organizada do Augsburg F.C., o time local que pela primeira vez na história disputa a primeira divisão da Bundesliga. Pra todo lado tem um adesivo desses. Na faculdade, além desses adesivos do Augsburg F.C., têm outros denunciando a energia nuclear, criticando o alistamento militar, protestando contra o abate de animais para consumo humano e contra as taxas estudantis (a universidade é pública mas os estudantes têm que pagar uma taxa de cerca de 540 euros para ajudar nos gastos; não estou bem certo, mas acho que é uma contribuição semestral). Já em relação aos escritos em banheiros, as temáticas pendem mais para o lado político (diferente da FAFICH, onde predominam mensagens sexuais). A frase mais comum, escrita em quase todos os banheiros em letras garrafais é "revoltem-se!". Outras tantas denunciam o radicalismo islâmico e têm também algumas com conteúdo neo-nazista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já as aulas são muito bem conduzidas. Os professores são muito pontuais, os alunos muito participativos e, pelo menos nas matérias que estou fazendo, os professores sempre fazem questão de estabelecer um diálogo com os alunos. Eles sempre lançam perguntas e provocações a fim de atiçar as discussões entre a turma. Todos eles também sempre se mostram inteiramente à disposição dos alunos e fazem sempre questão de perguntar ao longo da aula se estão todos entendendo e se alguém tem alguma dúvida. Os textos que serão usados ao longo do semestre são entregues na primeira semana de aula, todos já xerocados (o preço deles está incluído na taxa de 540 euros). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sábado seguinte à apresentação sobre Karl Marx tive novamente aula da matéria de imperialismo e colonialismo. Essa aula era a que eu mais esperava: sobre a Primeira Crise do Marrocos! O professor já sabia que eu me interessava pelo tema e não hesitou em pegar no meu pé. Fez algumas perguntas e pediu minha opinião sobre certos pontos, ao que eu me saí relativamente bem (embora falando um alemão sofrível). Falo tanto assim dessa disciplina porque julgo que ela tem sido a mais importante para mim até aqui. Graças a ela pude entrar em contato com a bibliografia que precisarei na minha monografia, além de ter aprendido mais sobre a história do imperialismo alemão, algo que até então eu conhecia muito pouco. É isso que me dá ânimo para acordar todo sábado de manhã, sair na rua deserta toda coberta por neblina e quase congelar esperando o bonde. Sem dúvida alguma, a optativa que fiz sobre história da África nos séculos XIX e XX na UFMG foi de fundamental importância para que eu aproveitasse melhor essa matéria: Herero, Maji-Maji, Zambeze... Em uma aula ministrada em alemão, todos esses nomes iriam confundir bastante minha cabeça caso eu já não os tivesse estudado antes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana seguinte viria minha verdadeira prova de fogo: a apresentação de um seminário na disciplina de Primeira Guerra Mundial. Meu grupo era formado por um espanhol que falava menos alemão do que eu e por um alemão. Iríamos falar sobre as experiências pessoais dos soldados durante o conflito. Bolamos um trabalho muito bom com um Power Point e um roteiro, e tinha tudo para dar certo. Mas eis que o único alemão do grupo, em quem tínhamos depositado nossa confiança, nos presenteou com a triste notícia de que na semana da apresentação ele faria uma cirurgia na boca e não poderia falar no dia. Ou seja: a apresentação ficaria nas mãos do espanhol e nas minhas. Até aí ainda daria para aturar, se não fosse um outro detalhe mortal: o seminário não se resumia a uma apresentação; o grupo também tinha que apresentar um documento para a sala, instigar e moderar uma discussão em torno dele. Isso era, para mim, virtualmente impossível: por mais que eu fale relativamente bem, ainda acho extremamente difícil entender o que os outros dizem, e o espanhol (Hugo é o nome dele) tinha ainda mais dificuldades com o idioma do que eu. De qualquer modo, fizemos o possível: sentei com o Hugo um dia antes da apresentação, expliquei para ele o conteúdo dos documentos e sugeri algumas perguntas que poderíamos fazer para a o resto da turma a fim de promover um debate. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos documentos que escolhemos ficou na minha cabeça: falava de um oficial inglês que, no ápice da guerra, ficou louco. Ele começou a gemer, a rastejar no chão, a cavar desesperadamente um buraco na lama como se tentasse fugir - tudo isso observado pelos soldados os quais ele liderava. O outro oficial que viu aquilo disse que ele parecia ter regredido a uma forma pré-humana de vida, pois não se comunicava, não andava e não dava ouvidos a ninguém; apenas gritava e rastejava. Achei aquilo assustador e, ao mesmo tempo, bastante propício para suscitar uma discussão. Enxerguei aquilo como algo simbólico de uma nova realidade de guerra. Toda a pompa, a glória e majestade dos oficiais do século XIX havia se perdido diante de uma nova realidade de guerra: a realidade da metralhadora, dos bombardeios, da guerra total, capaz de deixar qualquer homem pacato do século XIX literalmente doido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas enfim, aquilo que tinha tudo para sair errado acabou não saindo: no dia da apresentação o integrante alemão de nosso grupo apareceu muito bem e pôde apresentar normalmente, além de conduzir a discussão. Preparei um texto para me guiar na hora da apresentação e até que foi tranquilo. Ao fim da aula o professor (o mesmo da matéria em que eu havia apresentado sobre Karl Marx) disse que falei com muita segurança e desenvoltura. Novamente aliviado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quinta à noite o departamento de estrangeiros da UNI-Augsburg organizou um pequeno passeio pela cidade ao qual aderi de última hora. A guia do passeio nos levou para alguns pontos históricos da cidade sobre os quais haviam lendas e nos contou dessas lendas. A que mais gostei foi a das sete crianças. Existe uma rua aqui em Augsburg que se chama "(alguma coisa) de sete crianças". Embaixo da placa com o nome da rua há seis imagens de crianças talhadas em pedra. Diz a lenda que, nos tempos do Império Romano, um casal que vivia na cidade tinha sete filhos e acabou perdendo um deles (ele simplesmente sumiu e ninguém mais o viu). A mãe ficou tão triste que se esqueceu de tudo: do marido, dos outros filhos, dos afazeres domésticos... Ela só pensava no filho desaparecido. Foi quando o marido dela fez essa escultura em pedra com seis crianças e deu a ela de presente. A mulher viu aquilo e perguntou por que ele havia esculpido só seis crianças se eles tinham na verdade sete filhos. Ao que o marido respondeu: "não preciso esculpir nosso sétimo filho pois ele está sempre com você em seus pensamentos; essa escultura é para você se lembrar dos outros seis filhos que você ainda tem mas dos quais se esqueceu".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por essas e outras digo que não poderia ter escolhido cidade melhor do que Augsburg para morar. Não preciso viajar muito porque aqui sempre têm lugares interessantes para se ver. Só me resta coragem para quebrar minha rotina "casa-faculdade". Assim como a mulher da lenda, preciso parar de ficar me preocupando apenas com um aspecto do meu intercâmbio (a finalidade acadêmica) e me lembrar dos demais aspectos (viajar, passear, conhecer...). Preciso me lembrar de meus outros seis filhos. Objetivos são bons mas não são tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-777054858032830160?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/777054858032830160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=777054858032830160' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/777054858032830160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/777054858032830160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2011/11/confissoes-de-augsburg-o-retorno-ii.html' title='Confissões de Augsburg - o retorno II'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-2988497433936072342</id><published>2011-11-26T14:00:00.000-08:00</published><updated>2011-11-26T17:57:47.600-08:00</updated><title type='text'>Confissões de Augsburg - o retorno I</title><content type='html'>Sempre fico impressionado com a capacidade que tenho de tornar minha vida uma rotina. Sou cristão, nunca escondi isso. Mas, como todo cristão em pleno século XXI, tenho uma série de dúvidas frente a algumas coisas em que acredito. Não consigo imaginar como seria viver em lugar por toda a eternidade achando tudo lindo sempre. Dada minha experiência de vida até aqui, creio que se eu fosse para o céu iria passar um mês impressionado, e depois desses trinta dias iria perguntar a Deus: "onde fica o restaurante e a biblioteca?". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Augsburg é uma cidade fantástica: aqui foram lidas em público pela primeira vez as ideias que Lutero tinha para reformar a igreja; aqui foi firmada a paz de 1555 que acabou com as guerras religiosas na Europa e definiu que cada súdito deveria ter a fé de seu rei; aqui nasceram o pai de Mozart e o filósofo Bertolt Brecht. E ainda assim, o que eu mais tenho visto nessas últimas semanas em que não escrevo é o bonde e suas estações (já estou decorando os nomes de todas entre minha casa e a universidade), a bandeja branca do restaurante universitário, meu netbook e minha cama. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que eu não vim aqui a turismo: tenho responsabilidades. Mas sempre acho que eu poderia estar aproveitando mais do que estou. Não é uma reclamação, apenas uma auto-crítica. Acho muito melhor fazer as coisas quando se tem um objetivo. Eu não vou a boates, bares e festas não porque não goste das pessoas de lá, mas apenas porque lá eu não tenho objetivos (não danço, não bebo, não estou procurando uma parceira nem novas amizades). Ficar 3, 4 ou 5 horas em um lugar sem ter metas, sem ter ambições, sabendo que esse tempo poderia estar sendo gasto de forma mais produtiva é quase uma tortura pra mim. Sendo assim, fico feliz de ter vindo para a Alemanha com um objetivo, e de poder ocupar meu tempo com ele. Meu intercâmbio na Malásia não foi assim. Lá foram 12 meses pairando, sem saber se eu estava regredindo, progredindo ou parado. Só depois que voltei ao Brasil fui perceber que ele foi uma regressão extrema, total, mas não permanente: como uma mola que se comprime até a sua base pra depois dar um salto maior que seu tamanho natural, na Malásia regredi o máximo que eu poderia regredir, até o alerta vermelho se acencer, eu me tocar e então progredir nos anos seguintes (o que eu quero dizer com "progredir" já é uma outra história completamente diferente e longa demais para contar aqui). E tudo isso por um simples motivo: fui para a Malásia sem objetivos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não, minha vida não tem sido um marasmo. Como disse em meu último post, planejei ir para o campo de concentração de Dachau na terça e, de fato, eu fui. De última hora fiquei sabendo que outros estudantes estrangeiros também iriam e pedi a uma amiga minha que era amiga deles avisarem que eu também iria. Conhecia-os assim só de vista e foi fácil achá-los na estação. Dachau fica bem perto de Augsburg, mas a viagem de trem é mais demorada pois passamos primeiro pela estação central de Munique. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O campo de concentração é um lugar de outro mundo: tirando um grupo de turistas jovens que não paravam de se atazanar, é um lugar bem tranquilo e melancólico. Quando fui o tempo estava um pouco nublado e só contribuiu para reforçar essa sensação. Lá vi as câmaras de gás, os fornos onde os corpos eram cremados, as camas dos prisioneiros e os monumentos em homenagem a todos que ali padeceram. Tem também um museu cheio de fotos, vídeos, documentos e recursos interativos sobre a história do campo. Meu único problema com museus aqui na Alemanha se deve aos textos que li na disciplina de Arquivos e Museus semestre passado. Por mais que a proposta da matéria seja válida, achei aqueles textos um verdadeiro porre e depois de lê-los minhas visitas a museus ficaram completamente modificadas - para pior. Resumidamente, poderia dizer que aprendi três coisas com esses textos: 1. Todos os museus do mundo estão errados. 2. A partir do momento em que você entra em um museu, tudo aquilo que você fizer ou deixar de fazer está errado. 3. Não há nada que você possa fazer para mudar essa realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada peça ou recurso que vejo em um museu me remete a um parágrafo daqueles textos malditos. A cada passo que dou sinto que um dos autores daqueles textos está me vigiando para saber se estou vivenciando a exposição de forma correta. Segundo aqueles autores, tudo está errado, tudo é ruim e nenhuma exposição no mundo consegue cumprir o papel que um museu deveria cumprir. Que não me levem a mal os leitores que gostaram dessa matéria, mas em se tratando de museus, a única opinião que consigo ter é a de que "cada um monta como acha melhor e cada um vivencia como acha mais conveniente". Confesso que sou ignorante demais para teorizar e entender quem teoriza sobre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no mais, Dachau foi uma experiência e tanto. Duas coisas que me chamaram a atenção foram os monumentos religiosos - existe um para homenagear os judeus, um para os católicos e um para os protestantes que morreram lá - e a livraria que fica na entrada do campo. Logo na entrada da livraria fiquei transtornado: nunca vi uma quantidade tão grande de livros, revistas e DVDs sobre nazismo em um só lugar. Tem livro sobre tudo relacionado ao tema: a política externa nazista, biografias de figuras importantes do Terceiro Reich, a burocracia nazista, as origens do nazismo, os campos de concentração, a história dos alemães que lutaram contra o nazismo (algo do que os alemães de hoje se orgulham muito), entre outros. Mas, mais no fundo da livraria, há uma outra seção: a seção de objetos judaicos! Lá têm livros sobre história do judaísmo, livros sobre as tradições judaicas, menorás (castiçais de sete braços com a estrela de Davi), livros infantis que ensinam a rezar em hebraico... Enfim, tudo que você imaginar sobre o tema "judaísmo". Achei bem interessante essa divisão e, incrivelmente, consegui me conter a ponto de não levar nenhum livro ou DVD!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos dias que se seguiram continuei dando prosseguimento à minha pesquisa. Mandei um e-mail ao meu professor da matéria de "Imperialismo e colonialismo na Alemanha Imperial" pedindo sugestões sobre em quais jornais da época eu poderia pesquisar sobre a visita do Kaiser Guilherme II a Tangier (disse a ele que queria um jornal alinhado com o Kaiser). Ele não só me passou os nomes dos principais jornais da época e a posição política de cada um deles, como também me deu a ótima notícia de que os documentos da política externa alemã do período 1871-1914 foram publicados em livros e estavam disponíveis na biblioteca da universidade. Achei-os com facilidade e atualmente estou em uma dúvida cruel sobre se tiro uma cópia do período que me interessa, se escaneio ou se procuro os volumes pra comprar. Preciso achar um jeito de levá-los comigo para o Brasil! E junto com esses volumes encontrei vários outros volumes de documentos da política externa do Império Austro-Húngaro, da França e da Inglaterra publicados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A neve pela qual tanto espero não caiu até hoje. Acho que só em dezembro. Todos os dias de manhã acordo na esperança de vê-la na janela do meu quarto mas ela nunca está lá. Mas as temperaturas de madrugada recentemente têm caído para -3 e -4. E por falar em janela, há algumas semanas descobri que tem um ninho de joaninhas no meu quarto: elas ficam todas amontoadas no canto direito da janela, ao que parece se protegendo do frio. Na cortina também tem um monte e sempre que estou estudando na mesa aparece uma em cima do caderno, mas elas nunca me incomodaram. Achei até simpático; bem melhor do que aquelas muriçocas que tiram o sono da gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sábado dia 12 aproveitei que não tive aula e fui, junto com alguns outros estudantes estrangeiros, para Salzburg, na Áustria. Aqui eles costumam postar no grupo do Facebook uma mensagem falando "estou indo para tal lugar tal dia, quem quer vir?", porque quanto mais pessoas mais fácil é de viajar. Com um Bayern-Ticket você viaja para qualquer lugar da Bavária no período de um dia. Cada bilhete pode servir para até cinco pessoas e então fica mais fácil dividir os custos. E foi numa dessas que acabei indo para Salzburg que, por mais que não seja oficialmente na Bavária, fica bem próximo à fronteira e por isso o ticket vale para lá também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Augsburg é a terra natal do pai de Mozart e Salzburg é a terra natal do próprio Mozart! Logo, tudo lá gira em torno dele: souvenirs, cartões postais, chaveiros, chocolates... Tudo que você compra vem o Mozart junto! Isso sem falar nas milhares de camisas, adesivos e canecas escritos "No cangoroos in Austria!", destinados a todos aqueles que confundem o país europeu com a ilha da Oceania. Ficamos por lá apenas um dia e já à noite voltamos para Augsburg.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-2988497433936072342?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/2988497433936072342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=2988497433936072342' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/2988497433936072342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/2988497433936072342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2011/11/confissoes-de-augsburg-o-retorno-i.html' title='Confissões de Augsburg - o retorno I'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-1227603728812863838</id><published>2011-10-29T15:14:00.000-07:00</published><updated>2011-10-29T15:31:34.728-07:00</updated><title type='text'>Confissões de Augsburg - começou!</title><content type='html'>Isso mesmo: começou. Após passar mais de três meses à deriva, finalmente voltei a frequentar uma aula e me preocupar com datas, horários e prazos. Não estou reclamando: é sempre bom ter um tempo à toa, mas também é muito boa a sensação de que você está nos trilhos novamente. Eu particularmente não acho que foram três meses perdidos. Foram muito importantes para resolver os problemas relativos ao meu intercâmbio e preparar minha ida. Além disso, foram três meses relativamente produtivos: estudei bastante alemão e li pelo menos sete livros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive minha primeira aula no dia 22, um sábado de manhã. Não me pergunte o porquê desse horário. Começou às 9h e foi até 12h. Era uma manhã fria com muita neblina, como têm sido todas as manhãs aqui. Pude usar pela primeira vez o casaco de camada dupla que tinha comprado na sexta de manhã. Chegando à universidade, tudo vazio, como uma cidade fantasma. Não tive dificuldade para achar minha sala, pois já tinha dado uma volta na faculdade a fim de aprender onde ficava cada sala na qual eu teria aula. Antes do início da aula os dois professores se apresentaram e pediram para cada um se apresentar. Depois explicaram o programa e combinaram os horários. A matéria é sobre colonialismo e imperialismo na Alemanha Guilhermina e pretende nos aproximar dos documentos necessários no estudo desse período. Teremos uma visita guiada a um arquivo aqui na cidade de Augsburg mês que vem. A primeira aula, portanto, foi mais um exercício de paleografia: eles passaram alguns textos manuscritos para que cada um pudesse ler em voz alta o seu conteúdo, enquanto o professor corrigia. Cada um leu duas linhas. Fiquei meio tenso, com medo de dar vexame, mas me saí relativamente bem. Depois o professor passou uma série de questões no quadro que seriam abordadas, do tipo: “A Alemanha precisava de colônias? Qual foi o impacto do imperialismo alemão nos povos conquistados? Qual o significado das colônias na história alemã?”. Ele respondeu resumidamente cada uma delas, o que somente com muita dificuldade pude acompanhar. Não consegui anotar quase nada. Depois ele desenhou um mapa da África no quadro. Então perguntou quem sabia onde ficava cada colônia alemã e pediu para que quem soubesse traçasse no mapa. Pedi a palavra e tracei duas: Togo e Camarões. Foi o ápice da minha participação nessa matéria, pois não acho que poderei dar mais contribuições relevantes nas discussões que se seguirem. As discussões e debates que se sucederam naquele dia eu mal pude acompanhar. No fim da aula o professor passou outro documento manuscrito para que pudéssemos transcrever e enviar por e-mail até quarta-feira. Os alunos alemães têm um ritual interessante ao fim de cada aula: batem na mesa com a mão (como se estivessem batendo na porta), como uma forma de agradecimento ao professor pela aula (quase como se fosse um bater de palmas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí da universidade e fui almoçar ao lado da prefeitura em um restaurante de comida bávara. Ao sair, uma surpresa: centenas de turcos ocupavam a praça da prefeitura portando bandeiras da Turquia, segurando placas e cantando hinos. Mais tarde descobri que eles protestavam contra um atentado do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) contra soldados turcos. Assistindo a isso tudo estava a estátua de Augusto, imperador romano que fundou Augsburg em 15 a.C. O que diria ele se estivesse vivo e visse aquela leva de “bárbaros” se manifestando em sua cidade, em plena praça pública? Dia após dia, uma das coisas que mais chamam minha atenção aqui na Alemanha é a força e a expressão da comunidade turca. Ontem, por exemplo, a Turquia comemorou 88 anos de independência e houve várias festas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na tarde de sábado comecei a transcrever o manuscrito que o professor passou. O problema é que ele estava deploravelmente esgarranchado – muito mais do que aqueles que lemos em sala. Dediquei quase toda minha tarde de sábado e domingo à tentativa de transcrevê-lo e felizmente tive sucesso. Em todo o documento, apenas uma palavra permaneceu desconhecida pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda-feira à tarde tive minha primeira aula de Primeira Guerra Mundial. Nada muito diferente da outra aula: ele passou o programa, falou como seriam as aulas, mas não começou a dar a matéria ainda – fez apenas a introdução. Mais tarde, naquele mesmo dia, tive outra aula com o mesmo professor: Textos-chave para se entender o período 1830-1930. Iremos ler autores clássicos desse período: Tocqueville, Marx, Stuart Mill, Darwin, Freud, Nietzsche e Weber (tudo em alemão! Exceto o Stuart Mill que é em inglês). O professor foi bonzinho e emprestou para cada aluno o xerox de todos os textos que iremos utilizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dessa aula fui até a biblioteca. Quase tive um ataque de euforia! Seria redundante dizer que a parte de História da biblioteca é imensa, com várias estantes e vários livros sobre vários temas. Quase me perdi no meio daquilo tudo. Minha euforia, no entanto, não foi por causa disso. Naquela tarde de segunda-feira, ao me sentar para estudar, me senti em casa – nunca havia me sentido tão em casa desde que cheguei nesse país. Também naquela tarde descobri porque eu gosto tanto de estar em uma biblioteca. Não é porque tem livros, nem porque gosto de estudar. É porque a biblioteca é um dos poucos lugares no mundo onde você não precisa ser simpático. Na biblioteca você não precisa ter assunto, não precisa se entrosar com ninguém, não precisa puxar conversa; melhor ainda: você não pode puxar conversa. Lá ninguém te olha torto quando você se senta em um canto sem falar com ninguém. Muito pelo contrário: justamente quando você começa a puxar conversa é que te olham torto. Só o que podemos fazer em uma biblioteca é aquilo que sei fazer de melhor: sentar e ficar calado. Enquanto você estiver disposto a ficar quieto, você será sempre bem-vindo em uma biblioteca, e isso – acredito eu – em qualquer lugar do mundo. A única coisa que me tirou do sério nessa biblioteca foram os armários para guardar mochilas. Tem que depositar duas moedas de dois euros pra poder fechá-lo, mas depois que você abre as moedas caem de volta. Desde que descobri isso carrego sempre duas moedas de dois euros comigo para evitar desgosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela tarde comecei a ler um livro que o professor da matéria de sábado recomendou: “História colonial alemã”. O primeiro capítulo foi até tranquilo, mas à medida que avanço vou encontrando mais dificuldades. Preciso sempre ter um dicionário ao lado, mas o que me consola é perceber que estou usando-o cada vez menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na terça tive minha primeira aula de alemão. Na minha sala tem gente de todos os lugares: Itália, Irlanda, República Tcheca, Japão, China, Turquia, País de Gales, Rússia... Esses são os que me lembro. À noite saí com algumas pessoas aqui da moradia e descobri, aqui nas redondezas de onde moro, três cinemas de filmes alternativos! Um deles se chama “Mephisto” e é também uma livraria – com uma loja em frente à universidade. O problema é que alemães não gostam muito de legenda, por isso todos os filmes são dublados – inclusive do Almodóvar. Enfim, mais uma oportunidade de treinar a o idioma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarta às 8:15 tive mais uma aula. Foi introdução à matéria de Primeira Guerra: as causas do conflito. Foi bem confusa a aula, entendi pouca coisa, mas acho que essa matéria não vai ter prova. Terei, porém, um trabalho. A distribuição do tema foi na quarta também e eu escolhi falar sobre a visão que os soldados tinham da guerra na qual participavam. No meu grupo tem mais dois: um alemão e um espanhol – que, assim como eu, está meio perdido por não falar bem alemão. Pelo menos alguém que me entende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final da tarde de quarta resolvi tomar uma providência em relação à ausência de cadeira no meu quarto: liguei para o zelador substituto (o oficial está de férias até dia 8 de novembro). Ele disse que não pode me ajudar, pois só está disponível para emergências, e que devo esperar até dia 8 para falar com o zelador oficial. "Até lá" ele disse "você vai ter que se sentar na cama...” Quase morri de desgosto. Minhas costas doem demais de ficar na cama usando o computador. O local onde se liga o cabo da internet é bem longe da cama por isso não posso me encostar na parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quinta-feira li mais um capítulo do livro sobre expansão colonial alemã e comecei a ler Tocqueville - introdução de "O antigo regime e a revolução" e introdução de "Democracia na América". Tem sido bem difícil... Mas acho que é um esforço necessário para quem quer aprender uma língua. Sexta-feira tive que ir ao Aldi Süd (o mercado aqui perto) comprar material de limpeza, pois meu quarto está muito empoeirado e eu tenho tossido com frequência essa semana, além de estar ficando um pouco rouco. De tarde tive a única aula que ainda me restava: temas de pesquisas sobre o Nacional-Socialismo. Os professores pediram pra gente se apresentar e apresentaram o programa da matéria, bem como as leituras. A prova será apenas um exame oral. Nessa aula percebi uma coisa que já vinha notando na Alemanha: o quanto os cachorros são bem-vindos. O cachorro entra no ônibus, no bonde, na faculdade... Qualquer um com um cachorro de estimação pode entrar com ele nesses lugares, desde que o cachorro se comporte. Uma das meninas assistiu à aula com o cachorro dela ao lado: ele era grande, magrelo, tinha os olhos verdes mas não sei de que raça era; ficava quietinho do lado dela e só de vez em quando ele resolvia cheirar as mesas ou as cadeiras. Os professores nem se importaram. Na hora em que cada aluno se apresentou eles pediram à dona do cachorro que o apresentasse também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aula inicial foi bem interessante: a turma se dividiu em grupos de quatro para responder a um quiz sobre o período nazista. Eram algumas folhas com atividades testando nosso conhecimento. Primeiro várias fotos de algumas figuras importantes do Terceiro Reich. Tínhamos que identificar o nome de cada um e sua função. Não pude ajudar muito meu grupo nesse sentido. Reconheci apenas o Hitler (claro!), Heinrich Himmler e Joseph Goebbels (aquela clássica foto dele discursando com um uniforme militar). Em seguida tinha uma lista de abreviações para identificarmos o significado de cada uma (só sabia NSDAP, HJ, SS e SA). Depois havia fotos de eventos-chave da Segunda Guerra para identificarmos a data e o acontecimento. Por fim, um mapa da Alemanha nazista para que identificássemos o nome de cada região anexada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sexta-feira à noite criei vergonha na cara e limpei meu quarto com os produtos que havia comprado de manhã. Um horror! Tufos e mais tufos de poeira por todos os lados, principalmente embaixo do aquecedor. Como faz muito frio, abro muito pouco a janela, o que favorece o acúmulo de poeira e cria um ambiente propício para alergias. No domingo pretendo deixar as janelas abertas de tarde por mais tempo, a fim de deixar o ar circular um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábado de manhã veio aquilo pelo que esperei a semana toda: a excursão ao Partnachklamm. É um parque natural que fica na região de Garmisch-Partenkirchen, bem ao sul da Bavária, perto da fronteira austríaca. Saí de casa bem cedo e a neblina cobria quase tudo. Ao lado da porta da moradia, o vidro que protegia a lista dos números dos apartamentos e seus respectivos moradores estava quebrado, e a lista não estava mais lá. Cada dia me preocupa mais a segurança aqui na moradia. Não bastasse a televisão roubada, agora esse vidro quebrado. Na sexta à noite houve uma festa de Halloween no 19º andar, talvez tenha alguma coisa a ver com isso – ou não, não faço ideia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A excursão foi organizada pelo departamento de estrangeiros da Uni-Augsburg. O lugar é uma maravilha: passamos pelas típicas fazendas da Bavária e vimos cavalos, ovelhas e bois em grandes pastagens. O parque natural também é muito bonito: vários túneis e cavernas, cachoeiras, rios e uma enorme gruta. Além disso, passamos por vários desfiladeiros e ao longe víamos diversas montanhas cobertas de neve. Foi uma caminhada e tanto. Achei que iria morrer de frio mas acabei tendo que tirar meu casaco: estava fazendo sol e eu suava. Além disso, meus tênis me matavam. Cheguei em casa com duas bolhas enormes em cada um dos dedões. Prometi a mim mesmo que vou comprar tênis novos na segunda-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terça-feira é feriado (dia de todos os santos), mas terei aula normalmente na segunda. Penso em ir ao memorial do campo de concentração de Dachau na terça, mas ainda não sei. Minha tosse parou ao longo da caminhada, mas foi só voltar ao quarto que ela recomeçou. Estou tomando um antialérgico e vou ver se melhora. Tenho pensado muito: sinto falta de muita coisa no Brasil, mas não a ponto de querer voltar agora. Confesso que estou feliz aqui, mas confesso também que não aguentaria ficar para além de fevereiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tendência agora é que eu crie uma rotina, por isso não sei se terei mais tanto assunto para escrever pela frente. &lt;br /&gt;A você que me acompanha um grande abraço!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-1227603728812863838?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/1227603728812863838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=1227603728812863838' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/1227603728812863838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/1227603728812863838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2011/10/confissoes-de-augsburg-comecou.html' title='Confissões de Augsburg - começou!'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-4877704634863493382</id><published>2011-10-20T16:01:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T16:03:46.732-07:00</updated><title type='text'>Confissões de Augsburg - evoluindo</title><content type='html'>E eis que na última quinta (13 de outubro) pela manhã tivemos o Einführungstag: uma palestra direcionada a estudantes estrangeiros apresentando a universidade, suas características e seu funcionamento. Lá pude perceber quão variada é a origem dos alunos da UNI-Augsburg. Quem vem para a Alemanha esperando encontrar um monte de gente loira de pele clara e olho azul se surpreenderá. Vários desses estrangeiros vêm para se formar aqui, outros tantos apenas para intercâmbio: China, Japão, Vietnã, Turquia, Argélia, Ucrânia, Peru, País de Gales, França, Itália são apenas alguns dos países que estavam lá representados. Naquela mesma quinta, de tarde, comi pela primeira vez no bandejão daqui. Eles chamam de “Mensa”. É uma grande instalação de muros e teto brancos, mantida pelo Studentenwerk Augsburg (algo como se fosse a FUMP lá da UFMG) e com um sistema supermoderno. Você paga cinco euros pelo cartão magnético e carrega-o em uma máquina que tem lá dentro. Na hora de pagar você mostra sua refeição para a moça do caixa, ela digita o valor no computador, você passa o cartão no leitor e então o valor é descontado. Nada de filas imensas, catracas, pessoas procurando desesperadamente o dinheiro para pagar o caixa ou inconvenientes batendo papo com os funcionários na hora de servirem-se. Nunca odiei o bandejão da UFMG – comia lá sempre que possível e até gostava – mas sempre achei as filas quilométricas ao meio-dia um suplício. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Mensa há mais opções e, como o preço não é fixo, não há limite de refeição: você pega tudo o que quiser e tem também várias opções de bebidas (como num restaurante normal mesmo). Comi dois knödels (um bolinho feito de farinha de trigo, como uma almôndega) mergulhados em sopa de cogumelo, batata frita e tomate com pepino. Junto com a Coca Cola de 500 ml ficou tudo em 4 euros. Quem teve o prazer de me apresentar o Mensa foi o David, meu tutor aqui em Augsburg. Até hoje não descobri para que servem os tutores oficialmente, mas o David tem sido um grande amigo. Ele também estuda História e me disse que seu avô lutou na Rússia pela Wehrmacht durante a Segunda Guerra Mundial, mesmo não sendo nazista (foi forçado). Também me disse que apenas as pessoas mais velhas na Alemanha têm mais reservas na hora de falar sobre a Segunda Guerra, sendo que os mais jovens não se importam muito com isso.&lt;br /&gt;Saí do Mensa farto. Aquelas almôndegas te enchem de uma tal maneira que você se sente como se tivesse comido o dobro. Despedi-me do David e fui para a Orientierungsphase da Philologisch-Historische Fakultät (a faculdade de História e Letras daqui; curiosamente, os cursos de Filosofia e Ciências Sociais são em outra faculdade). A Orientierungsphase é uma espécie de introdução da faculdade aos calouros. Pensei que eles fossem dar informações relevantes sobre as disciplinas, professores, funcionamento da faculdade e coisas do tipo. Nada disso aconteceu: tudo não passou de uma espécie de “calourada educativa” com provas e gincanas – a tarde inteira. Como diria o Chaves: “TERIA SIDO MELHOR IR VER O FILME DO PELÉ”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro de ter feito nada relevante na sexta-feira, além de ter dado uma volta pela cidade a fim de conhecer alguns pontos turísticos. Tirei fotos da prefeitura, um prédio imenso e muito bonito que fica de frente para uma grande praça onde muitos costumam se sentar no chão para conversar e comer – especialmente de tarde, para aproveitar um pouco do sol. Queria muito tirar fotos de uma grande fonte (se não me engano do século XVII) que tem ali em frente à prefeitura, com estátuas de imperadores romanos. O problema é que antes do inverno eles cobrem as estátuas com algumas estruturas de madeira ou metal para impedir que a neve as estrague, e só voltam a tirá-las na primavera – quando já não estarei mais aqui. Pena. Quando cheguei elas ainda estavam descobertas! Depois de passar pela prefeitura fui até um conjunto habitacional chamado Fuggerei. Ele foi fundado na primeira metade do século XVI pelo banqueiro Hans Jakob Fugger, uma das figuras mais ilustres de Augsburg. Ele construiu Fuggerei para abrigar famílias pobres de Augsburg e até hoje o conjunto tem essa função, figurando como a moradia mais antiga do mundo para pessoas de baixa renda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sábado de manhã, em uma visita guiada pela cidade, tive a oportunidade de entrar na prefeitura e fotografar o salão interior, todo ornamentado com pinturas de imperadores romanos e estátuas de ouro. A guia nos disse que quase 80% dos prédios de Augsburg foram destruídos em bombardeios aliados em fevereiro de 1944, sendo reconstruídos após a guerra com base em seus desenhos originais. A prefeitura foi um deles. Por pouco eu não pude fotografar os salões do interior da prefeitura: na hora de tirar a primeira foto minhas pilhas acabaram. Algo que me acontecia com uma frequência impressionante na Malásia. No dia anterior eu tentei gastar a máquina o máximo possível, a fim de usar as pilhas até o fim e poder recarrega-las à noite. No entanto, as pilhas não acabavam, por mais que eu usasse a máquina. Esperaram para acabar exatamente quando eu estava lá dentro. Felizmente o Maurício, cuja câmera já estava cheia, me emprestou suas pilhas e eu me safei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábado à noite saí com o David e alguns de seus amigos. Em uma de muitas conversas ele me disse que os descendentes de Hitler mudaram de sobrenome e que esse nome já não existe mais. Da mesma forma, é praticamente impossível encontrar pessoas na Alemanha com o nome de Adolf (apenas aqueles que nasceram antes da guerra). Ele me perguntou de que cidade eu vinha no Brasil e respondi que vinha de Belo Horizonte (não vejo muito sentido em dizer, na Alemanha, que eu vim de Lavras). Ele então comentou – e seus amigos concordaram – que “Belo Horizonte” tem uma sonoridade muito interessante e parece nome de boate de strip-tease. Segundo ele, aqui na Alemanha essas boates costumam ter nomes exóticos, de preferência de origem latina. Achei que fazia sentido, mas não soube o que pensar daquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurei voltar para casa antes da meia-noite, quando ainda havia bondes passando (depois da meia-noite, só ônibus especiais). Aqui em Augsburg os estudantes pagam 90 euros no começo do semestre para andar o semestre inteiro em qualquer transporte público dentro da cidade: ônibus ou bondes (com exceção desse transporte depois da meia-noite, que é pago). Se o fiscal aparecer (até hoje isso já aconteceu duas vezes) é só mostrar seu comprovante de matrícula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No domingo acordei na hora do almoço e passei toda a tarde estudando para a prova de nivelamento de alemão que eu teria na segunda de manhã. De acordo com meu desempenho nessa prova eu iria entrar num determinado nível do curso de alemão para estrangeiros que a universidade oferece. Segunda de manhã fiz a prova de nivelamento em um grande auditório quase lotado. Mais da metade do tempo da prova foi o professor explicando como funcionam os cursos, o conteúdo de cada um deles e como seríamos avaliados. Entendi razoavelmente bem o conteúdo do discurso dele; mais importante de tudo, entendi as piadas que ele fez. Ele disse, em alemão, que todos os alunos que não estivessem entendo o que ele dizia não precisavam fazer a prova e podiam ir direto para o nível A1 (básico). Quem entendeu riu, e ele disse que aqueles que riram podiam permanecer e os que não riram podiam sair. Como os que não riam não entendiam, eles permaneceram. De fato, quando a prova começou, muita gente levantou e entregou-a em branco. A prova consistia num pequeno ditado que esse mesmo professor leu. Ele leu um pouco rápido e por isso tive dificuldades. Depois havia uns 4 textos sobre a Alemanha e sobre como estudar alemão. Várias palavras, porém, estavam incompletas e então tínhamos que completa-las corretamente. Acho que me saí melhor nesse, embora eu tenha inventado algumas palavras onde eu não sabia. O problema foi só o tempo: acho que uns 20 minutos apenas... Tive que fazer na correria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda à tarde comprei um celular em uma loja da O2, uma das operadoras daqui. Nada de i-Phone, Smart Phone ou coisas do tipo. Fiz questão de levar o mais barato e básico de todos: Nokia C1-01, 49 euros, tem tudo aquilo que preciso num celular: fazer e receber chamadas, mandar e receber mensagens, MP3 e rádio. Meu Motorola já estava com alguns botões soltando e a bateria viciada, mas foi um bom companheiro ao longo desses dois anos e meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na terça de manhã fui, pela terceira vez, ao departamento de estrangeiros regularizar minha situação aqui na Alemanha (nas outras duas vezes tinha chegado atrasado). Dessa vez cheguei a tempo. Em um prazo de seis a oito semanas estarei recebendo uma carta com algumas coisas (não lembro bem o que) e então mais uma vez deverei voltar lá para pegar uma espécie de identidade comprovando que sou estrangeiro regularmente residente na Alemanha. Na terça à noite me chamaram para uma “Stammtisch” (não sei como traduzir isso em português: é como se fosse aquela mesa do bar onde sempre se sentam os mesmos fregueses todos os dias). O evento era direcionado aos estudantes estrangeiros e consistia em uma série de brincadeiras, entre as quais um certo “speed-dating” (não perguntei o que era isso pois tive medo da resposta). Baseado na Orientierungsphase da faculdade de ciências humanas, preferi recusar. Ao invés de ir e terminar a noite parafraseando Chaves (“seria melhor ter ido ver o filme do Pelé”) preferi ficar em casa assistindo Chaves pelo YouTube. Ganhei muito mais com isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por aqui muitos dizem que sou muito quieto, que não saio, que sou desanimado, que sou tímido. Pois eu creio que não há nada mais escabroso que um antissocial tentando se passar por extrovertido. Um homem fingindo ser mulher, uma criança se passando por adulto, um burro se passando por inteligente, um perna-de-pau pagando de artilheiro: tudo isso eu posso aceitar, menos um antissocial se passando por extrovertido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso, naquela terça não fiquei em casa. Resolvi visitar o Maximilianmuseum, um museu que tem próximo à prefeitura. Aproveitei que ele ficava aberto até às oito da noite e fui. Augsburg é a terceira cidade mais antiga da Alemanha, tendo sido fundada pelos romanos em 15 a. C.. Perde apenas para Trier (cidade natal de Karl Marx) e outra que não me lembro qual era. Assim, o acervo do museu é riquíssimo, com obras desde a Antiguidade Clássica, passando pela Idade Média, Renascimento (período culturalmente mais rico de Augsburg) e século XIX. Várias pinturas, esculturas barrocas (algumas das quais me lembravam um pouco aquelas de Minas Gerais), estátuas de imperadores e deuses romanos, imagens de santos... Não dá pra contar tudo que vi! Até porque cheguei um pouco tarde: o museu iria fechar em uma hora e precisei ver tudo correndo. Além disso, a maldição da câmera fotográfica mais uma vez me atacou: levei a câmera, mas larguei as pilhas em casa, no carregador. Pois é. Outro dia volto lá com mais tempo e com pilhas (isso se eu não esquecer a câmera em casa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quarta fui ver o resultado de meu exame de alemão: fiquei no nível B2, em uma escala crescente que vai de A1 (mais básico) até C2 (mais avançado) – A1, A2, B1, B2, C1, C2. Mais tarde dei uma andada pela faculdade de ciências humanas para aprender onde ficam minhas salas de aula. Dei voltas e mais voltas no prédio inteiro (pelo menos no primeiro e segundo andar) e consegui achar todas elas. A faculdade está passando por reformas por isso pra todo lado existem obras, escadas, furadeiras e poeira. Minha primeira aula é no sábado de manhã. Peguei, ao todo, quatro matérias: três Übungen (exercícios) e um Proseminar (seminário), além da aula de alemão para estrangeiros. Os exercícios são mais práticos e buscam colocar o aluno mais próximo das fontes e dos arquivos, além de terem um número reduzido de alunos. Peguei um sobre imperialismo e colonialismo da Alemanha Guilhermina, outro sobre textos-chave para se entender o período 1830-1930 e outro de leituras sobre o período nazista. Na disciplina de seminário peguei um sobre a Primeira Guerra Mundial, mas como não tinha lugar estou na lista de espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que não faz muito sentido pegar matérias demais. O idioma ainda é uma barreira para mim, por isso precisarei de mais tempo para me dedicar a cada uma dessas matérias. Já vim pra cá com um objetivo em mente: estudar como a imprensa alemã noticiou a visita do Kaiser Guilherme II ao Marrocos, em março de 1905 (um dos elementos constituintes da Primeira Crise do Marrocos e que conduziu à Primeira Guerra Mundial). Sendo assim, creio que as matérias que peguei são mais do que suficientes para me orientarem nessa pesquisa. Aliás, ando procurando por uma charge que vi num livro didático sobre o assunto: uma águia alemã protegendo alguns marroquinos diante de um galo francês. Essa charge é de 1906, de algum jornal alemão, e é extremamente emblemática do que pretendo analisar. Se alguém descobrir o nome do jornal, por favor me diga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quinta, mais uma vez acordei tarde demais. Comi no Mensa e à tarde fui, junto com o Maurício e uma amiga peruana, até a IKEA, aquela loja de departamentos sueca. A loja fica nos arredores de Augsburg e é um monstro! Tem de tudo para a casa. Passamos a tarde toda andando pela loja. Comprei um lençol (até hoje estive dormindo sem!) mas não achei um desentupidor de pia, algo que preciso com certa urgência. Já faz alguns dias que a pia do banheiro entupiu. No começo a água ainda descia, mas demorava muito; agora ela parou de vez. Na verdade, nem ao menos sei como se diz “desentupidor” em alemão. Queria falar com o zelador da moradia, mas ele parece o 5102 que vai para a UFMG: aparece de mil em mil anos e só quando você não está por perto. Queria também pedir ao zelador uma cadeira (recentemente descobri que todos os outros quartos têm cadeira, menos o meu) pois minhas costas estão doendo de ficar sentado na cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim segue minha vida aqui no velho mundo. Não deixo de acompanhar o que acontece no Brasil: as notícias, o Pan de Guadalajara, o drama do Cruzeiro e a luta contra as aulas geminadas (recentemente respondi o questionário enviado por e-mail). Assim que puder mando mais notícias, mas prometo ser mais enxuto da próxima vez, com menos detalhes e mais reflexões. Auf wiedersehen!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-4877704634863493382?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/4877704634863493382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=4877704634863493382' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/4877704634863493382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/4877704634863493382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2011/10/confissoes-de-augsburg-evoluindo.html' title='Confissões de Augsburg - evoluindo'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-555974988990288448</id><published>2011-10-12T14:07:00.000-07:00</published><updated>2011-10-12T14:12:35.542-07:00</updated><title type='text'>Confissões de Augsburg - os primeiros passos</title><content type='html'>Terminei meu último relato imaginando o que o fim de semana me reservaria. Pois não foi coisa boa. Apenas um dia depois de comprar o adaptador de tomada e instalar a internet aconteceu algo que invalidou por completo minhas duas aquisições: a energia no meu quarto acabou no sábado por volta das 11 da manhã. A bateria do meu netbook acabou naquele mesmo dia, bem como a bateria do meu celular, a qual eu suspeito fortemente que está viciada. Voltei à estaca zero. Continuei sem saber as horas (já que meu único relógio é meu celular) e acordando sem saber se deveria almoçar ou tomar café (meu celular também é meu único despertador). Liguei para o zelador e ele disse que era pra eu chamar o eletricista. Passei, portanto, o sábado, o domingo e a segunda sem luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sábado mesmo comprei algumas velas e uma espécie de isqueiro para acendê-las (daqueles de acender fogão), na drogaria aqui perto da moradia. Durante a tarde estudei alemão: continuei fazendo os exercícios do Delfin, o livro que eu usava no meu curso lá no Brasil. Foi escurecendo e eu acendi as velas. Mais à noite saí pra comprar algo para comer. Já estava cansado de comida turca, mas foi exatamente o que acabei comendo. Não por vontade própria, mas porque aqui existem mais restaurantes de comida turca do que de comida alemã. Fui até um pequeno restaurante aqui perto que fica de frente para um pub, uma espécie de Bar do Cabral mas mais sofisticado. Dentro do restaurante algumas máquinas caça-níqueis (isso tem em todo lugar aqui) e uma televisão com resultados de todos os eventos esportivos do mundo. Pedi um döner e esperei no balcão. Enquanto isso, a televisão anunciou até os jogos da próxima rodada do Campeonato Brasileiro! Corinthians X Goianienze era um dos jogos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comi o döner em casa e não demorei a dormir depois. Naquela noite sonhei que a luz havia voltado. Acordei já na hora do almoço e, mais uma vez, comida turca – acho que dessa vez foi um kebab (não me lembro bem), mas em outro restaurante. Ao longo da tarde estudei mais alemão e depois fui até o quarto da Cristina, pedir a ela um despertador emprestado porque no dia seguinte teria que levantar cedo para fazer matrícula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A manhã da matrícula estava bem nublada; um dos dias mais chuvosos desde que cheguei. Fui até a universidade e peguei uma fila com gente de vários países. Na minha vez, apresentei meus papéis e quando a secretária me disse “pronto”, estranhei. Não escolhi nenhuma matéria, nenhuma aula, nenhuma disciplina. Apenas me matriculei no curso. E agora? Posso ver a aula que eu quiser? Ainda vou descobrir como isso funciona. Depois de fazer a matrícula assinei meu contrato de aluguel na sala do Studentenwerk e andei pelo campus em busca de um restaurante não-turco; só achei pizzarias e lanchonetes. Sentia falta de um prato de comida de verdade, comer com garfo e faca. Felizmente achei um Mr. Onions (ou algo assim), um pouco afastado. Lá pedi uma vitela à moda de Viena, com batata frita, uma folha de alface roxa e duas rodelas de pepino. Um prato enorme, uma vitela enorme, e a garçonete ainda colocou dois vidros enormes de ketchup e maionese ao lado. A vitela estava muito boa, parecia um frango à milanesa. Só de não ter que comer kebab de novo foi um alívio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela mesma tarde precisei xerocar alguns documentos que eu usaria para pedir a autorização de residência. Ao entrar na gráfica da faculdade, senti-me um estúpido. Assim como tudo na Alemanha, o xerox daqui é você quem tira – não há ninguém para tirar para você. Você copia e depois paga no caixa. Pensei, então, em como passei esses anos todos de faculdade xerocando textos sem nunca sequer ter encostado numa máquina de xerox. Tive vergonha de pedir ajuda ao funcionário e usei o instinto: coloquei o documento lá dentro, fechei a tampa e apertei o botão verde. Até que funcionou! Xeroquei o resto e fui embora. Precisava ir a uma unidade da universidade na qual eu pediria autorização de residência aqui em Augsburg. Esse escritório, porém, ficava bem longe, na antiga sede da faculdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei o bonde e parei alguns pontos mais á frente de onde eu deveria parar. Pedi informações a uma senhora que estava sentada e ela me disse que o lugar que eu queria era mais atrás e então fui caminhando. Demorei um pouco, mas enfim achei o prédio. A fachada dele estava interditada e ao entrar pelos fundos vi que parecia um prédio abandonado. Não se via ninguém. Lá dentro, alguns computadores jogados e um silêncio mortal. Até que achei um funcionário e pedi informações. Ele gentilmente me explicou onde eu deveria ir e então subi um lance de escadas. No caminho, deparei-me com uma série de coisas que me interessavam: os arquivos da universidade, o departamento de História Contemporânea e vários cartazes anunciando palestras sobre diversos temas – reino dos Vândalos, a Síria antiga, entre outros. Cheguei ao local onde deveria fazer o registro, mas já estava fechado. Ficou para outro dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com toda essa correria, acabei não tendo tempo para resolver o problema da energia elétrica no meu quarto. Chamei um eletricista, mas ele só veio na terça de manhã. O problema era mais comigo do que com a energia em si: por algum motivo (acho que por um excesso de aparelhos ligados) uma das chaves do quadro de luz desligou sozinha. Havia mexido na caixinha umas quatro vezes sem sucesso; o eletricista apenas ligou a chave e... Pronto! Mais uma ocasião para me sentir um estúpido. Senti vergonha ao ver aquilo, mas ele não fez muito caso. Agradeci-o e pedi desculpas, e novamente eu tinha energia em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela mesma manhã de terça voltei no departamento da universidade para me registrar. Estava aberto, mas novamente cheguei um pouco tarde e a funcionária pediu que eu e mais algumas alunas italianas que lá estavam voltássemos na quinta. Paciência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando a hora do almoço na terça eu tentei mais uma vez variar, mas mais uma vez caí na comida turca. Consegui, porém, pelo menos mudar de restaurante. Fui ao Al Bagdady, que fica na mesma rua da moradia. Entrei e vi no cardápio que havia um prato com arroz. Achei que pelo menos eu iria me livrar dos kebabs e döners, mas o dono disse que aquele prato não estava mais disponível. Tive que pedir um döner (ou um kebab, não me lembro). O movimento no restaurante era intenso: vários senhores e jovens jogando baralho e apostando nos caça-níqueis. Lá em cima uma televisão transmitia, por um canal árabe, o jogo Coreia do Sul X Emirados Árabes Unidos, mas ninguém ali se mostrava muito interessado. Após sair de lá, decidi que era hora de dar um basta nesse negócio de comer fora de casa todo o dia. Decidi que iria comprar uma panela e fazer minha própria comida [sic].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi. Comprei uma panela de alumínio na drogaria aqui perto, bem como garfos e facas. Depois comprei algumas salsichas brancas típicas daqui da Bavária (Weiβwurst) e uma caixa de ovos. À noite comi as salsichas com ovo cozido, até que ficou bom. As salsichas são fáceis de preparar. Contanto que eu não tenha que cozinhar para ninguém além de mim, acho que tenho tudo para ser um cozinheiro regular!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também na terça saí para poder comprar casacos para o inverno. Encontrei, perto da Königsplatz, uma C&amp;A! Nem sabia que aqui tinha. Após muito olhar e experimentar levei dois casacos pesados que, ainda assim, temo que não vão me proteger do inverno rigoroso que começa no fim de outubro ou início de novembro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite de terça, enquanto mexia no Facebook, descobri, por meio de um post no grupo daqui da moradia, que a televisão que ficava no 19º andar, em uma área de lazer, tinha acabado de ser roubada. Havia, segundo a menina que postou, muitos cacos de vidro no chão e pelo visto até a polícia foi chamada. Verifiquei minhas portas e minhas janelas: tudo trancado. Hoje conversei com várias pessoas e elas confirmaram o roubo. Fazer o quê? Ladrões existem em todo lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje pela manhã comprei ainda uma frigideira, pois as salsichas ficam melhores se preparadas na frigideira. Comprei também outra comida que não sei bem o que é, mas sei que é feito de ovo. Chama-se Eierspätzle: são umas tirinhas amarelas que vem num pacote de plástico. Novamente comi a salsicha com o ovo cozido, mais as tirinhas amarelas, enquanto assistia a um episódio do Chaves na internet. À tarde fiquei só na internet, lendo e-mails e conversando. Depois comecei a redigir esse texto e, de repente, quando vi o relógio, o susto: cinco da tarde! Às seis tinha um compromisso na universidade, uma pequena festa de boas-vindas aos estudantes estrangeiros. Relutei até o fim em ir nesse evento, avesso a festas como sou, mas por fim eu fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando lá tive medo: um monte de gente que eu não conhecia conversando, comendo e bebendo, e algumas mesinhas com comida. Horror. Minha veia antissocial quase estourou. Na realidade nunca me considerei de fato antissocial, apenas sou contra socialização forçada. Ir a lugares com o único intuito de se fazer amigos é a experiência mais humilhante a que um ser humano pode se submeter. Talvez isso fizesse sentido quando eu era um menino de sete ou oito anos, mas não agora. Acho que a amizade nunca deve ser o principal alvo de uma ação; as boas amizades nascem sempre como efeitos colaterais de um objetivo ainda maior: um grupo que faz trabalho de faculdade, algumas pessoas que se reúnem para consertar um vazamento ou protestar contra uma barragem, alguns colegas que se organizam para montar um time de futebol. Eu particularmente não odeio as pessoas, nem tenho nada contra conversar com gente nova. O problema é que nunca sei o que dizer, o que falar, sobre o que conversar. Por isso prefiro poupar os outros da minha melancolia. Sou, quando muito, um antissocial altruísta, que evita socializar pelo bem dos outros, não de mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, não me arrependi de ter ido. Em menos de 5 minutos encontrei com o David, estudante de Inglês e História, que será meu tutor na faculdade e com quem já havia trocado vários e-mails. Conversamos por um longo tempo sobre futebol, sobre o curso de História, os professores e traçamos algumas comparações pertinentes entre Maradona, Pelé e Beckenbauer. Mas, mais importante que tudo isso, ele me advertiu que eu devia tirar a pele das salsichas antes de comê-las. Juro que não sabia disso. Enquanto isso o salão foi enchendo, e finalmente o evento começou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma rápida apresentação sobre o departamento de estrangeiros da universidade foi exibida num Power Point. Depois, uma dinâmica de grupo: cada um pegava uma folha de papel, escrevia uma mensagem, fazia um aviãozinho e jogava ao ar; cada um também pegava o avião que achasse no chão. Depois cada um tinha que achar a folha na qual tinha escrito. Mais uma vez, horror. Se a socialização forçada é algo degradante, a socialização via brincadeiras chega a ser uma tortura. Mas devemos todos dançar conforme a música então fui em frente. Escrevi meu nome e meu país na minha folha e joguei-a. Fui encontra-la bem depois nas mãos de uma menina que me disse que havia outro brasileiro ali na festa. Não demorei a acha-lo. Pasmem: ele morava não só na mesma moradia e no mesmo andar que eu, mas também no quarto ao lado! Passei uma semana em Augsburg morando ao lado de um brasileiro sem sequer ter ideia disso. Conversei com gente de todo lugar: Espanha, Ucrânia, Turquia, Alemanha e principalmente Itália. Nessas idas e vindas encontrei ainda uma outra brasileira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para a casa com um grupo de italianos e italianas, mais a brasileira. Quase exorcizei as italianas quando me convidaram para ir a uma boate no centro da cidade. Achei muita socialização para um dia só. Agradeci, porém, o convite. Quem sabe outro dia? Ou não. Preferi voltar para casa e acabar de escrever esse texto. Amanhã (quinta) pela manhã terei o Einführungstag, uma apresentação da faculdade aos estudantes estrangeiros, e mais à tarde uma apresentação da Faculdade de Filologia e História (acredito também que só para os estrangeiros).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim se passaram meus últimos cinco dias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-555974988990288448?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/555974988990288448/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=555974988990288448' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/555974988990288448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/555974988990288448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2011/10/confissoes-de-augsburg-os-primeiros.html' title='Confissões de Augsburg - os primeiros passos'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-2665547267132230993</id><published>2011-10-07T15:21:00.000-07:00</published><updated>2011-10-07T15:25:13.330-07:00</updated><title type='text'>Confissões de Augsburg</title><content type='html'>&lt;em&gt;“Sete anos depois de 2004; quatro anos depois de 2007: tudo se repete?”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dias antes de partir, uma amiga havia me dito que quanto mais crescemos, mais bobos ficamos. A comprovação disso tive no primeiro voo: suei gelado quando a aeronave da TAM levantou do aeroporto de Confins para Guarulhos, mesmo já tendo viajado de avião mais de sete vezes – e nunca, nessas vezes, ter sentido medo. Acredito que a melhor explicação não foi só o fato de ter ficado mais bobo, e sim o que aconteceu entre a primeira e última vez em que estive no exterior e hoje: acidente da TAM em 2007, acidente com o Legacy, acidente com um avião no rio Hudson, acidente da Air France, acidentes na Indonésia, acidente com o time de hóquei russo... Nada nos garante que não é a nossa vez. Não quis, portanto, olhar pela janela e ver a terra se afastando; demorei a acreditar que algo tão grande e pesado pudesse ficar no ar por muito tempo sem se espatifar no chão. Acho que a explicação é bem essa: não fiquei apenas mais bobo e medroso, fiquei também mais cético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há sete anos atrás era um menino bobo e imaturo viajando de avião pela primeira vez, sem medo algum. Sete anos depois eu já sou um adulto, maduro e responsável, morrendo de medo de avião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher que ocupava a poltrona oposta à minha estava lendo Raízes do Brasil, do Sérgio Buarque de Holanda. Aquilo me alegrou. Cheguei em Guarulhos sem muito tempo para ficar rodando pelo aeroporto e comer: a mulher do guichê da Alitalia disse que precisava embarcar logo e assim o fiz. No voo entre Guarulhos e Roma fiquei na primeira fileira de cadeiras, de modo que podia esticar minhas pernas livremente. Porém, não fiquei na janela e por isso não pude olhar lá embaixo quando o avião sobrevoava Belo Horizonte, Recife e o Deserto do Saara. Na hora do jantar pedi um suco de laranja e a aeromoça me serviu um suco vermelho. Pensei: “ela deve ter ouvido errado”, mas não criei caso. Mas o suco tinha mesmo gosto de laranja! Na mesma hora lembrei daquele episódio do Chaves no qual ele vendo refrescos na porta da vila: “tem o refresco de limão que parece de groselha e tem gosto de tamarindo; o de groselha que parece de tamarindo e tem gosto de limão; e o de tamarindo que parece de limão e tem gosto de groselha”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei em Roma bem cedo: nunca tinha estado na Europa antes. Um ônibus nos levou até o local de desembarque e conexões. Lá também não tive tempo para serão: a fila da imigração estava imensa; pessoas de muitos países, com destaque para várias mulheres muçulmanas. Não tive problemas para passar e logo depois fui pegar o voo de conexão: mais uma grande fila para apenas duas entradas – a terceira entrada era para portadores de passaportes da UE, EUA e Canadá. Filipinos, brasileiros, argentinos, paraguaios e colombianos tinham que esperar. O funcionário da imigração conversava alegremente com seu colega. Quando cheguei, ele carimbou meu passaporte distraidamente, na primeira página que abriu. Não havia necessidade disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí foi mais uma correria para chegar ao portão de embarque: o ônibus nos levou até o avião da Alitalia e lá meu assento era na janela. Dessa vez tive menos medo: pude ver lá embaixo todo o litoral da Itália e uma cadeia de montanhas nevadas muito bonita. Só o que me deu medo nesse voo foi o comissário de bordo falando pelo sistema de som. Ele disse, em italiano, que aquele era o voo para “Monaco”! Fiquei imaginando o que eu iria fazer se fosse parar em Mônaco: seria de pronto repatriado, sem dúvida! Foi quando abri uma revista que estava na poltrona da frente e vi um mapa da Europa em italiano. Lá descobri que “Monaco”, em italiano, significa “Munique”. Nada de pânico...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei em Munique naquela quarta, ainda pela manhã. Quase passei batido pelo fiscal da imigração, que me pediu meu passaporte. Perguntou qual era o propósito de minha visita e eu disse que era intercambista da universidade de Augsburg. Ele viu minha foto, folheou meu passaporte e me liberou. Até então tudo havia dado certo nos voos, mas era por terra que o pesadelo iria começar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntei no balcão de informações onde ficava o trem – precisava pegá-lo para chegar a Augsburg. Ela me disse que era embaixo. Desci e passei uns 20 minutos tentando decifrar o mapa e suas legendas. Finalmente descobri em que direção ficava a plataforma e – pasmem! – consegui comprar o ticket de primeira na máquina eletrônica! Não sem antes coloca-la em espanhol. Precisei de mais informação para saber onde ficava o trem e desci mais um lance de escada. Lá embaixo estava o trem, parado, de portas abertas. Não sabia se era aquele mesmo e pedi informação em alemão a um grupo de passageiros. Eles eram estrangeiros e apenas me disseram “nicht verstehen” (não entender). Tão perdidos como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedi então informação a uma moça alemã, que me disse não haver trem direto para Augsburg: eu precisava ir pra estação central de Munique e lá pegar outro. Ela também disse que aquele trem levava pra lá. Entrei no trem meio sem coragem: a menina não parecia muito segura da informação. Foi quando chegou um estrangeiro e me pediu informações... olhei pra ele com a maior cara de perdido e ele me ignorou. Após muito analisar o mapa que havia no trem, entendi mais ou menos onde ficava a estação. No caminho, fiquei impressionado com a beleza da paisagem: várias casas de campo e sítios com cavalos e vacas pastando. Em uma das casas de campo vi um Cristo Redentor de madeira ou papelão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desci na estação central e lá novamente pedi informação sobre onde pegar o trem para Augsburg. Tive que subir uma escada e lá estava ele, quase partindo. No caminho, mais paisagens bonitas: fazendas, plantações de trigo; tudo plano, bem plano... Coisa comum até para o brasileiro em geral, mas que o mineiro estranha, acostumado que está a viver entre morros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei em Augsburg e aí foi outro drama para conseguir chegar na moradia. As duas malas, muito pesadas, meu jeito desastrado de andar pelas calçadas e meus olhos confusos ao observar o quadro de horário de ônibus denunciavam a todos que eu não era de lá. Sabia que eu precisava pegar o ônibus da linha 22 ou 23, rumo a Königsplatz, mas não sabia onde parar. Por isso, pedi informação dentro do ônibus a um rapaz que mexia no celular. Quando ele olhou para mim senti vergonha: ele era deficiente visual. Fiquei sem saber o que falar: como poderia um deficiente visual me avisar a hora em que chegou meu ponto? Acabei pedindo informação para uma mulher que sentou do meu lado. Na hora que chegou meu ponto novamente senti vergonha: tanto a mulher como o deficiente visual me avisaram, ao mesmo tempo, que era ali que devia descer. Subestimei-o, mas o agradeci. A mulher desceu comigo e me mostrou o prédio da minha moradia, justamente como na foto do site. Fica perto de uma grande ponte e próximo a dois rios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá entrando, esperei pelo zelador para pegar minha chave: ele havia saído. Enquanto isso, encontrei com a Cristina, uma espanhola filha de brasileiros que também morava lá e com quem havia conversado no Facebook. Nos falamos um pouco, até que o zelador chegou. Despedi-me dela, peguei minha chave e subi. O quarto é bem pequeno, menor ainda que minha quitinete em BH. Fica no segundo andar. Tem uma cama, um banheiro (chuveiro, torneira e privada), um armário e uma pia com um fogãozinho ao lado que faz as vezes de uma cozinha. Tem também uma mesa bem grande, com muitas prateleiras e até um cofre. Duas janelas grandes dão de frente para a quadra de basquete que pertence à moradia. Lá embaixo tem uma lavanderia e cada morador tem uma caixa postal, na entrada, onde recebe suas cartas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava muito suado e resolvi tomar um banho. Também estava cansado pois só dormi duas horas na voo. Mas resisti e não dormi. Saí porque estava morto de fome e comi no primeiro lugar que achei: uma espécie de café chamado “Frisch wie Müller”, aqui ao lado. Pedi um sanduíche com salaminho e tomate. Para beber, peguei na geladeira algo que julguei ser parecido com um Toddynho. A única diferença era que vinha meio-litro de leite achocolatado! Mas o gosto é bem parecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dono do local, Herr (senhor) Müller foi muito solícito. Perguntei onde podia achar um lugar para fazer ligação internacional e ele me indicou uma lan house que oferece esse serviço. Mais ainda: me deu um cartão telefônico com dez euros, dizendo que eu podia usá-lo em uma cabine telefônica ali na frente. Agradeci muito e ele se colocou à disposição sempre que precisasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí em busca do telefone público para avisar ao pessoal que havia chegado. Andei bastante pela Lechhauser Strasse, apenas em linha reta, com medo de me perder, e nada encontrei. Pedi informação pra duas pessoas: uma não sabia, o outro começou a falar muito rápido e não entendi nada. No caminho resolvi parar no supermercado para comprar algumas coisas que estavam faltando: levei um shampoo anti-caspa e um pacote com oito rolos de papel higiênico (mais tarde fui descobrir que na verdade eram quatro rolos de papel-toalha – um erro comum que já cometi várias vezes no Brasil). Procurei sabonete feito doido mas não encontrei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessas primeiras andanças o instinto me impediu de cometer um erro crasso: atravessar a rua com o sinal de pedestre fechado. Aqui, por mais que a rua esteja deserta, raramente alguém atravessa quando o sinal está vermelho. Até mesmo um bebum que parou ao meu lado, com uma garrafona de cerveja na mão, ficou esperando até o sinal ficar verde. Foi também nessas primeiras andanças que vi uma pichação em um muro declarando “morte aos nazistas”. Em cima da pichação, porém, um monte de rabiscos, como se alguém estivesse tentando invalidá-la... Não soube o que pensar daquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho de volta finalmente encontrei a cabine telefônica, pertinho da minha moradia – não sei como não a enxerguei! Liguei para minha mãe com o cartão do Herr Müller, que continha 10 euros. Falei que estava tudo bem e o cartão acabou antes que terminássemos nossa conversa. Deixei as compras no quarto e novamente saí para procurar a lan house com ligações internacionais. Andei na direção oposta e a encontrei, próximo a uma grande torre – o Jakobertor. Lá usei a internet, mandei alguns e-mails, fiz algumas ligações. O dono, um turco meio gordinho de óculos, me lembrava muito um conhecido meu de Lavras, descendente de libaneses. Aliás, em Augsburg – como em toda a Alemanha – há um número muito grande de turcos. Mas turcos de verdade, vindos da Turquia. Aqueles a quem chamamos de turcos no Brasil são, na verdade, libaneses ou sírios. Por aqui existem muitos restaurantes de comida turca e também muitas lojas para fazer ligação internacional, graças a eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na volta passei em outro supermercado para comprar mais coisas: o sabonete que eu não encontrara, um papel higiênico de verdade e algo para comer mais tarde. Meu primeiro “jantar” na Alemanha foi, portanto, um leite de soja, um pãozinho francês mais pálido que defunto e um queijo suíço em fatias. Tive que tomar o leite na minha garrafinha do CASU – UFMG, pois não tinha copo. Esquentei o pão e o queijo e até que ficou gostoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que ia anoitecendo, eu me sentia mais esgotado. Estava muito cansado e caí na real: olhei para aquilo tudo, pensei no que eu havia feito naquele dia, refleti sobre tudo – desde meu primeiro dia na aula de alemão (em agosto de 2009) até então. Perguntei a mim mesmo: “o que foi que eu fiz?”, e não obtive resposta. Passar um ano na Malásia foi moleza; passar um dia na Alemanha me pareceu um suplício. Custei a dormir, pois não me acostumei ao fuso-horário. Pra piorar, altas horas da madrugada uma menina em outro apartamento começou a gritar escandalosamente, como se estivesse brigando com alguém. Ela gritava muito e ouvi barulhos de coisas caindo no chão. Ficou assim por uns cinco minutos e depois tudo se silenciou – e eu dormi. Até hoje não descobri o que foi aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte acordei como se nada tivesse acontecido: as dúvidas e os problemas da noite passada não mais me afligiam. Até agora não entendi exatamente o que houve comigo aquela noite. Acho que o cansaço acabou me deixando com alucinações. De toda forma, tomei meu café (mais leite de soja, pão e queijo suíço), tomei banho e saí. Fui mais uma vez na lan house do turco. Queria saber quanto tinha ficado o jogo do Cruzeiro com o São Paulo, mas esqueci de ver o resultado. Li, porém, todos os e-mails respondidos; um deles da moça da universidade que lida com intercambistas. Me disse que eu podia encontra-la no seu escritório às duas da tarde, e lá fui eu. Custei para entender como se compravam os tickets de ônibus e de uma espécie de bonde que tem aqui – até agora ainda não entendi direito como funciona a máquina que os vende. O pior de tudo é que não há ninguém para te cobrar a passagem: durante toda a viagem ninguém pediu meu ticket, ninguém barrou minha passagem. O brasileiro vê isso e estranha, mas aqui parece ser comum: todo mundo paga exatamente o valor correspondente ao lugar que quer ir. Se a pessoa quiser, pode entrar e andar de graça, mas ninguém faz isso. E se por acaso alguém te pega sem passagem, você paga uma multa de 40 euros. Óbvio que eu não me arrisquei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando na universidade, fui ao escritório da Frau (senhora) Kirchner, que trabalha no setor de apoio aos estudantes estrangeiros. Foi uma das melhores coisas que me aconteceram até aqui: ela me explicou tudo que eu precisava saber, me deu um mapinha da universidade, me indicou onde seriam as palestras de apresentação e até me inscreveu para o encontro de estudantes da faculdade de ciências humanas (o qual eu ignorava). Depois disso fui olhar meu seguro, minha conta no banco e almoçar, tudo ali mesmo, na universidade. Resolvi comer num restaurante de comida turca: pedi um kebab box, apenas 3 euros: um potinho de isopor com batata frita, carne de cordeiro e um molho meio apimentado. Uma delícia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando para casa passei novamente no supermercado para comprar mais coisas. Levei duas garrafas de água mineral (mais tarde eu tive a infelicidade de perceber que era água com gás, que eu odeio!). Também levei dois copinhos de iogurte com o único propósito de poder reaproveita-los depois de vazios (achei que não ia valer a pena comprar copos de vidro apenas para 5 meses). Por fim, levei um travesseiro e um cobertor, que não são fornecidos na moradia. Na minha primeira noite usei minha sacola com roupa suja de travesseiro e minha bandeira do Cruzeiro como coberta. Mais tarde, na hora de dormir, descobri o quanto as cobertas daqui são eficientes: elas não só impedem que o calor fuja, mas também te aquecem ainda mais! Aquecem tanto que nem aguentei dormir com ela e resolvi me deitar em cima dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, passei novamente na loja do Herr Müller para pedir informações: precisava comprar um adaptador para minhas tomadas, pois as tomadas daqui são horrendamente estranhas. Graças a isso, não consegui recarregar meu celular e, consequentemente, fiquei sem saber das horas. Ele me explicou onde tinha uma loja de material elétrico. Entendi mais ou menos e decidi que iria lá no dia seguinte. Fiquei sem-graça de ir no Herr Müller só pra pedir informação e levei novamente um Toddynho de meio-litro. A noite do meu segundo dia na Alemanha foi melhor que a primeira: minha ida à universidade me animara bastante e eu novamente sabia o que estava fazendo aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexta-feira. Fui abrir uma conta no banco para pagar a taxa da universidade, necessária para fazer a matrícula. O banco fica ali na universidade mesmo. Após abrir a conta paguei o valor devido. Antes disso tudo, porém, novamente almocei no restaurante turco. O dia estava chuvoso e o vento frio quase me cortava. Fui na lan house do turco mais uma vez, fiquei feliz ao saber do empate do Cruzeiro e liguei para o Felipe, um brasileiro que mora em Augsburg e também vai estudar na Uni-Augsburg. Depois peguei o transporte para ir até a loja de materiais elétricos de que o Herr Müller tinha me falado. Parei próximo à prefeitura da cidade mas demorei a achar o lugar. Isso foi, no entanto, muito bom: enquanto caminhava via igrejas, estátuas romanas, construções medievais, prédios antigos... A prefeitura e a praça à sua frente são maravilhosas! Augsburg é uma cidade histórica exatamente do jeito como gosto, a terceira mais antiga da Alemanha. Fiquei fascinado com suas construções e enquanto isso, meio sem querer, achei a loja de materiais elétricos. Na volta descobri onde ficava um lugar que eu queria muito visitar: a Brecht-Haus, a casa onde nasceu o filósofo Bertolt Brecht e que virou um museu. Mas já estava fechada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para casa já de posse do adaptador e antes passei no supermercado: comprei mais pães (dessa vez um pãozinho mais atraente, não aquele branco-defunto), uma garrafa de chá gelado sabor pêssego e uma barra de chocolate (vício incontrolável!). Chegando em casa carreguei meu celular, instalei a internet e terminei de escrever esse texto. Aqui no quarto não tem cadeira, por isso preciso me sentar na cama para usar a escrivaninha. Ainda estou ponderando se realmente vale a penas comprar uma cadeira, mas fico numa posição meio desconfortável – por isso esse texto escrito meio às pressas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses foram meus três primeiros dias na terra de Beethoven, Marx e Bento XVI. Vejamos o que o fim de semana me reserva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-2665547267132230993?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/2665547267132230993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=2665547267132230993' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/2665547267132230993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/2665547267132230993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2011/10/confissoes-de-augsburg.html' title='Confissões de Augsburg'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-2565880020060993912</id><published>2011-08-29T11:04:00.000-07:00</published><updated>2011-09-27T10:26:55.379-07:00</updated><title type='text'>O céu é azul</title><content type='html'>Era uma vez, em um lugar muito distante, um pequeno vilarejo encravado no meio das montanhas. Todos viviam felizes e em paz entre si, sem guerras, sem atritos; a comunidade produzia todo o necessário para sua subsistência. Havia poucas leis, pois não eram necessárias, e as poucas que existiam eram rigorosamente cumpridas. Portanto, nem ao menos um tribunal era necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existia, porém, um tabu: ninguém podia dizer que o céu era azul. Por mais que o céu fosse azul e que todos soubessem que ele era azul, era terminantemente proibido dizê-lo em público e mesmo dentro de casa. Nem mesmo o casal mais íntimo ou os amigos mais próximos ousavam dizer, em uma conversa privada, que o céu era azul. E de fato, nunca, ao longo da milenar história do vilarejo, alguém havia ousado afirmar tamanha barbaridade. Todas as manhãs o céu se estendia como um tapete acima das montanhas e do vilarejo, em uma extensão a se perder de vista, em um azul forte e deslumbrante. Porém, cada um sabia, no seu âmago, que o céu era azul, e isso era mais do que o suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma manhã de verão um morador abriu a janela de sua casa e, olhando para cima, declarou: "o céu é azul!".&lt;br /&gt;Num piscar de olhos, toda a comunidade parou o que fazia para linchá-lo. O jovem rapaz morreu em menos de meio-minuto, seu corpo foi atirado no rio para que a correnteza o levasse e jamais voltasse. Sua família foi expulsa do vilarejo e sua casa destruída; nunca mais se falou dele. Depois desse breve interregno, a comunidade voltou a viver em paz e nunca mais foi assolada por moradores que ousassem subverter o tabu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o céu permaneceu azul.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-2565880020060993912?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/2565880020060993912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=2565880020060993912' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/2565880020060993912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/2565880020060993912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2011/08/o-ceu-e-azul.html' title='O céu é azul'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-2332329134204085382</id><published>2011-06-18T08:29:00.000-07:00</published><updated>2011-06-18T08:38:52.861-07:00</updated><title type='text'>Jiao Pei Fang, o eunuco da Torre de Marfim</title><content type='html'>Era uma vez um eunuco de nome Jiao Pei Fang, que viveu há milhares de anos no longínquo Reino da Torre de Marfim, localizado nos confins da China. Os eunucos na China antiga eram serviçais castrados a fim de tomar conta dos haréns dos imperadores, sempre cheios de belas mulheres. Também era dever dos eunucos auxiliar os soberanos em tarefas do dia a dia, especialmente durante as refeições. Cabia aos eunucos a ingrata tarefa de experimentar tudo que o monarca comia e bebia, a fim de assegurar que seu alimento não estava envenenado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jiao Pei Fang era o eunuco mais antigo e também o mais fiel de toda a corte do Reino. Sua fama e experiência eram tamanhas que ele trabalhava na torre de marfim – uma torre linda, alta e brilhante, onde ficavam os principais aposentos do imperador, além de seu harém, cuja fama corria os confins da Ásia Central. Pouquíssimas pessoas podiam se aproximar da torre de marfim, e menos ainda podiam adentrá-la. Todos os súditos do rei da Torre de Marfim admiravam-na no fim da tarde, quando seu brilho era ainda mais intenso e belo. Mas Jiao Pei Fang era um serviçal competente e fiel, e por isso estava sempre lá, a encher seu monarca de cuidados: protegia suas muitas mulheres, cuidava de suas filhas e nunca permitia que sequer uma gota d’água entrasse na boca real sem antes tê-la provado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jiao Pei Fang gozava de todos os privilégios que sua função lhe permitia: dormia em um quarto suntuoso, comia do bom e do melhor, recebia presentes todas as semanas e sempre tinha um tempo livre. Esse tempo sagrado ele aproveitava das mais diversas formas: lendo, jogando xadrez, pescando, pintando, escrevendo poesia... O rei nunca escondeu seu orgulho de Jiao Pei Fang, seu mais fiel e antigo serviçal! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa manhã, o rei chamou Jiao Pei Fang em seu gabinete, ao que o eunuco prontamente atendeu. O rei estava sério. Avisou ao seu fiel serviçal que, na noite passada, duas de suas mulheres haviam desaparecido do harém. Jiao Pei Fang não soube o que dizer. Trêmulo, ele assegurou ao rei que sempre contava todas as mulheres antes de fechar o harém, e que sequer uma delas estava ausente na noite passada. O rei aceitou, mas cobrou do eunuco mais empenho, no que foi prontamente atendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passadas duas semanas, mais seis mulheres sumiram. O rei ia perdendo a paciência, mas no fim, sempre declinava diante da leveza e suavidade com que Jiao Pei Fang contornava a situação. O eunuco afirmava que zelar pelo harém do rei era sua maior honra, para a qual fora destinado desde os sete anos, quando foi vendido por seus pais para ser eunuco. Afirmava ainda o nobre funcionário que nada mais o agradava tanto quanto servir ao seu rei, e que seria capaz de doar suas roupas, seu dinheiro e suas duas pernas a fim de evitar que sequer um pedaço de pano da roupa de uma de suas mulheres fosse roubado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um mês se passou desde o último sumiço, quando novamente o harém amanheceu reduzido. Desta vez eram quinze mulheres a menos. O rei torna a chamar seu serviçal, desta vez furioso: aquilo já estava passando dos limites! E novamente Jiao Pei Fang sai em sua defesa: jamais poderia ele, nobre serviçal, tão devotado ao rei e à sua família, permitir uma afronta daquela, pois que a propriedade do rei era sagrada! E disse que ainda que tivesse todos os reinos do mundo, de todos eles desistiria, com a única finalidade de impedir que sequer meia flor do crisântemo que orna o harém fosse roubada. O rei se sensibilizou diante dos argumentos de seu servo e logo o dispensou, não sem antes ordenar que a partir de então ele dormiria no harém, a fim de evitar novos sumiços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passa-se apenas um dia, e na primeira noite na qual Jiao Pei Fang dorme no harém, desaparecem outras trinta mulheres. O rei manda chamá-lo imediatamente ao seu gabinete, mas não obtém resposta. Resolve ir ter com ele no harém, onde o acha embriagado, caído ao chão, incapaz de erguer sua cabeça. O rei ordena que ele se levante, mas tudo o que o pobre eunuco consegue fazer é estender a mão com um crisântemo, oferecendo-o ao rei, que novamente se sensibiliza diante de tamanha bravura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jiao Pei Fang já não consegue mais cuidar das mulheres do rei. Este último decide que ele não irá mais cuidar do harém, apenas de suas filhas e de sua refeição. O rei reconhece que seu pobre súdito pode estar sobrecarregado e prefere aliviar suas funções. Agora, Jiao Pei Fang pode passar mais tempo com as filhas do rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E naquela tarde Jiao Pei Fang chega ao aposento das jovens meninas. Ele se debruça sobre as almofadas e dorme. A noite no harém havia sido muito difícil – muitos ladrões de mulheres para combater, muitas donzelas para salvar, muita energia para proteger as posses de seu querido rei; de alguma forma, Jiao Pei Fang sempre consegue convencer, ao rei e a si mesmo, de que ele tem sido útil. Jiao Pei Fang ronca feito um trovão. Logo vira alvo de chacota de todas as filhas do rei, que se divertem com aquela cena. Algumas montam em cima dele como um cavalo e derramam água quente no rosto para acordá-lo, enquanto outras esfregam pimenta ralada em sua boca aberta, mas de nada adianta: Jiao Pei Fang segue dormindo o justo sono dos herois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jiao Pei Fang desperta apenas na tarde seguinte. Sente dores nas costas. Seu rosto arde e sua boca mais ainda. As filhas mais velhas do rei não estão lá. Jiao Pei Fang é novamente chamado pelo rei: metade de suas filhas sumiu! O eunuco se enche de orgulho: “agradeça a seu fiel serviçal!”. O rei não acredita no que ouve: como pode um simples eunuco deixar sumirem as filhas do rei e ainda se divertir com isso?! “Pois graças a mim – diz Jiao Pei Fang – metade de suas filhas se foi. Se não fosse por mim, teriam sumido todas!”. O rei quase chora ao ouvir o relato do eunuco: os golpes que levou nas costas, as marcas de queimadura no rosto, o veneno maligno que o fizeram ingerir... A tudo isso se submeteu o eunuco para proteger as filhas de seu rei da ação de perversos ladrões de mulheres; e se apenas as filhas mais velhas foram levadas, era porque o eunuco se compadeceu da inocência e fragilidade das mais jovens, mostrando mais empenho em defendê-las. Jiao Pei Fang é um heroi! E o rei é o primeiro a reconhecê-lo. Já não lhe fazem falta suas filhas, afinal, o melhor serviçal de todo o Reino de Marfim está ao seu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei nunca estimou tanto seu eunuco. E seu medo de perdê-lo é tamanho que resolve tê-lo só para si. A partir de então, Jiao Pei Fang não mais cuidará das filhas do soberano: ele irá apenas provar sua refeição a fim de que o rei não seja envenenado. Na manhã seguinte, o rei acorda para tomar sua refeição matinal, mas a comida acabou: Jiao Pei Fang comeu tudo. Irritado, indignado e prestes a sacar sua espada, o rei pergunta como ele ousa fazer aquilo, ao que é respondido por um Jiao Pei Fang empanzinado, meio dormindo, meio acordado: “ingeri toda a comida a fim de ter certeza que toda ela estava segura para consumo; é comum que metade dos alimentos esteja envenenada e a outra metade não, o que pode ser fatal para o rei, que merece ainda muitos anos de vida e que os deuses o tenham para todo o sempre!”. O rei tem fome, mas tem ainda mais orgulho de seu eunuco. Nunca viu tamanha dedicação de um serviçal ao seu senhor. Mais do que nunca, ele tem certeza de ter feito a escolha certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega a hora do almoço. Jiao Pei Fang está exausto: cuidar do rei exige uma energia e vigor únicos. Só o que ele quer é provar logo a refeição do rei para aproveitar seu tempo livre. Mas o pobre eunuco ainda está cheio do café da manhã usurpado. Não cabe mais nada naquela barriga tão inchada que já o impede de enxergar o que não há. E Jiao Pei Fang resolve não experimentar o almoço. O rei pergunta ao eunuco se ele já provou do arroz, ao que este responde positivamente, assegurando-lhe estar livre de toda e qualquer substância capaz de tirar a vida de tão majestosa figura. E o rei se comove...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta à cozinha, Jiao Pei Fang esbarra na vasilha de arroz e deixa cair um pouco no chão. Tenta curvar-se para limpar, mas sua barriga imensa, ainda cheia da refeição matinal, não o permite. Conclui que é melhor deixar para depois, leva a refeição para o rei e sai a perambular pela torre de marfim, compondo versos e pintando paisagens. Os dois cachorros do rei logo sentem o cheiro do arroz derrubado no chão da cozinha. Os animais não demoram a achá-lo, ao que põem-se a comê-lo com prazer, mas não por muito tempo. Em poucos segundos, ambos caem ao chão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há esposas nem filhas em idade para suceder ao rei morto – foram todas seqüestradas. Diante disso, e em reconhecimento aos serviços prestados à família real, Jiao Pei Fang é sagrado o novo soberano do Reino da Torre de Marfim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-2332329134204085382?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/2332329134204085382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=2332329134204085382' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/2332329134204085382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/2332329134204085382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2011/06/jiao-pei-fang-o-eunuco-da-torre-de.html' title='Jiao Pei Fang, o eunuco da Torre de Marfim'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-1471233470967366000</id><published>2011-05-14T08:58:00.000-07:00</published><updated>2011-05-14T09:09:34.510-07:00</updated><title type='text'>Diálogos inconclusos da Malásia</title><content type='html'>(Malaysian): Where are you from?&lt;br /&gt;       (Me): Brazil.&lt;br /&gt;(Malaysian): Oh, Brazil! Ronaldo!&lt;br /&gt;       (Me): ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Malaysian): Why isn’t Brazil taking part in Euro 2004?&lt;br /&gt;       (Me): Because Brazil is not in Europe.&lt;br /&gt;(Malaysian): Oh...Where is it?&lt;br /&gt;       (Me): South America.&lt;br /&gt;(Malaysian): So you speak English in Brazil?&lt;br /&gt;       (Me): No, Portuguese.&lt;br /&gt;(Malaysian): But I thought they spoke English in America!&lt;br /&gt;       (Me): No, no... When I say America I mean South America, not United States.&lt;br /&gt;(Malaysian): ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Malaysian): I thought Brazilians had curly hair. Why don’t you have curly hair?&lt;br /&gt;       (Me): ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Malaysian): All Brazilians I’ve seen have dark skin.Why do you look like an European? &lt;br /&gt;       (Me): ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Malaysian): Do you have a girlfriend?&lt;br /&gt;       (Me): No.&lt;br /&gt;(Malaysian): Have you ever had one?&lt;br /&gt;       (Me): No, never.&lt;br /&gt;(Malaysian): But I thought Brazilian girls were all very pretty!&lt;br /&gt;       (Me): ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Malaysian): If England has the best football in the world, why aren’t players like Ronaldo and Robinho in the English Premier League?&lt;br /&gt;       (Me): ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Malaysian): Hey, why are you eating with your hands?! You are a western... in the West they don’t use hands to eat!&lt;br /&gt;       (Me): ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Malaysian): I heard you went to a buddhist temple last weekend. You cannot do that, you are a christian!&lt;br /&gt;       (Me): ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Malaysian): If you can speak English and your friends in Brazil can speak English, why don’t you talk to each other in English?&lt;br /&gt;       (Me): ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Malaysian): Which  language do they speak in Brazil?&lt;br /&gt;(Me): Portuguese.&lt;br /&gt;(Malaysian): There’s no Brazilian language?&lt;br /&gt;(Me): Well, there are some indigenous languages.&lt;br /&gt;(Malaysian): Do you know how to speak them?&lt;br /&gt;(Me): Not really.&lt;br /&gt;(Malaysian): Why not? You are Brazilian!&lt;br /&gt;(Me): ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Malaysian): Do Brazilian girls like sex?!&lt;br /&gt;(Me): I guess...&lt;br /&gt;(Malaysian): Have you ever had sex with them?&lt;br /&gt;(Me): No.&lt;br /&gt;(Malaysian): Why not? &lt;br /&gt;(Me): ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Malaysian): Marcelo, you are so shy and quiet... I thought all Brazilians were happy and party people!&lt;br /&gt;       (Me): ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-1471233470967366000?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/1471233470967366000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=1471233470967366000' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/1471233470967366000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/1471233470967366000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2011/05/dialogos-inconclusos-da-malasia.html' title='Diálogos inconclusos da Malásia'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-764217887809649242</id><published>2011-03-29T04:48:00.000-07:00</published><updated>2011-03-29T05:05:06.551-07:00</updated><title type='text'>Montando sua chapa para o DA/DCE</title><content type='html'>Eleições para DCE e DA acontecem todo os anos, e são grandes oportunidades para você, universitário da UFMG, fazer parte da festa da democracia em nossa universidade. Não há melhor forma de se integrar a esse fenômeno do que reunindo seus amigos e montando uma chapa para concorrer às eleições. Não fique de fora dessa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguem abaixo algumas dicas fáceis e úteis para você formar a sua chapa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRIMEIRO PASSO: Ajustando sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Se o prazo permitir, tranque metade das disciplinas nas quais estiver matriculado no semestre. Fazer parte do movimento estudantil requer sacrifícios desse tipo; e tenha sempre em mente que, na expressão “movimento estudantil”, o “estudantil” é mera figura retórica.&lt;br /&gt; 1.2. Caso desconheça até quando vai o período de trancamento, consulte seu colegiado.&lt;br /&gt;  1.2.3. Caso seja aluno do curso de História, consulte o Marinho.&lt;br /&gt;   1.2.3.4. Caso o Marinho já tenha saído do colegiado, e caso seus horários não batam com os da Sônia, se mate.         &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Agora que você tem metade das disciplinas do semestre trancadas, desista da outra metade. Todo o tempo é precioso e os estudos só irão comprometer o bom desempenho de sua chapa (vide artigo 1). Faça o possível apenas para não ser jubilado; qualquer esforço além disso é desnecessário.&lt;br /&gt; 2.1. Liberte-se de suas amarras pequeno-burguesas. Não se preocupe com sua vida acadêmica ou com seu futuro profissional. Quando a revolução for consumada, todos poderemos pescar de manhã, operar máquinas à tarde e fazer poesia à noite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Se o prazo de trancamento já tiver expirado, não se preocupe. Nesse caso, ao invés de desistir de metade, desista de todas as disciplinas. No final das contas, o resultado é o mesmo.&lt;br /&gt; 3.1. Contudo, vale ressaltar que trancar metade das matérias sob o pretexto de se candidatar ao DA ou DCE carrega um estigma social que não pode ser desprezado; essa atitude poderá lhe render alguns pontos a mais dentro do movimento estudantil. Portanto, esteja atento!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SEGUNDO PASSO: Montando sua chapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Agora que você tem seu tempo livre, pode se dedicar à elaboração de sua chapa. Junte seus colegas, colegas de seus colegas e colegas dos colegas de seus colegas e forme seu grupo.&lt;br /&gt; 1.2. Prefira alunos que já tenham alguma experiência em grêmios estudantis no ensino médio. Eles poderão ser muito úteis na condução da campanha.&lt;br /&gt; 1.3. Prefira calouros. Diferente do que diz o jargão, calouros não são burros, mas são entusiasmados, constituindo combustível fundamental para sustentar a campanha até o fim. Além do mais, calouros não estudaram na UFMG no ano passado, e por isso desconhecem qualquer escândalo no qual os velhos de guerra em sua chapa possam estar metidos.&lt;br /&gt; 1.4. Tenha sempre ao menos três alunas gostosas em sua chapa. Elas não precisam saber o que é movimento estudantil, nem tampouco ter interesse em se candidatar, mas sua presença é fundamental a fim de angariar mais pessoas para a causa. Certifique-se de que elas estejam presentes em todas as passagens em sala de aula (retomaremos esse ponto mais à frente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Agora é hora de dar um nome à sua chapa. Para tanto, escolha o título, o refrão ou o trecho de alguma música do Chico Buarque: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Roda viva&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Acorda amor&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Amanhã vai ser outro dia&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Cálice&lt;/span&gt;, são alguns dos exemplos que você pode utilizar. &lt;br /&gt; 2.1. Caso consiga combinar esses nomes com alguma menção ao órgão disputado, qual seja: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ro&lt;/span&gt;DA &lt;span style="font-style:italic;"&gt;viva&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Acor&lt;/span&gt;DA &lt;span style="font-style:italic;"&gt;amor&lt;/span&gt;, melhor ainda!&lt;br /&gt; 2.2. Dê também um subtítulo à sua chapa; alguma frase de efeito com a finalidade de complementar o título e de dar a impressão que vocês não estão se resumindo a copiar o Chico: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ro&lt;/span&gt;DA &lt;span style="font-style:italic;"&gt;viva – por uma UFMG dinâmica e ativa&lt;/span&gt;; &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Acor&lt;/span&gt;DA &lt;span style="font-style:italic;"&gt;amor – Para despertar o DA de seu sono profundo&lt;/span&gt;, entre outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TERCEIRO PASSO: Divulgando sua chapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Não economize nos panfletos. Mande fazer vários deles, distribua, cole, afixe. Depois, mande fazer mais, distribua mais, cole e afixe mais... Certifique-se de que ele seja bastante colorido, não só com a finalidade de gastar o máximo possível (como veremos a seguir, dinheiro é o de menos), mas também de se diferenciar das demais chapas. Ao fim da campanha, quando as latas de lixo, ruas e calçadas do campus estiverem abarrotadas com mais panfletos seus do que dos seus adversários, aí você poderá ter a certeza de que valeu a pena.&lt;br /&gt; 1.2. Mais uma vez: não economize nos panfletos. Mais importante: não pague pelos panfletos. Deixe isso para o final. Todo estudante adora ter, à frente de seu órgão, uma gestão incapaz de administrar a própria campanha. Além disso, assim que você ganhar a eleição haverá um caixa cheio à sua espera.&lt;br /&gt; 1.3. Caso você e seus amigos tenham participado da última eleição, nunca, jamais usem o mesmo nome que vocês usaram para sua chapa. Por mais que as pessoas sejam as mesmas, os objetivos os mesmos e as propostas as mesmas, sempre mudem de nome. Dessa maneira, vocês terão um bom pretexto para jogar no lixo aquela pilha de panfletos que sobraram da eleição passada e gastar mais dinheiro imprimindo outros.&lt;br /&gt; 1.4. Critique. Faça muitas críticas. Diga que a atual gestão não está representando os estudantes, que o movimento estudantil está parado, que o DA/DCE está longe dos estudantes e que é preciso algo novo para alterar essa situação. Critique também o mundo lá fora: acuse o governo de estar torrando dinheiro com coisas inúteis, reclame 10% do PIB para a educação – a fim de que você possa passar seus oito anos na faculdade confortavelmente – e acuse a ganância capitalista de ser a responsável pelos danos ao meio ambiente. Quando a reitoria ameaçar cortar as árvores do campus, bata o pé e novamente invoque o discurso ambientalista, condenando o corte de árvores e fingindo que você nunca contribuiu para isso.&lt;br /&gt;  1.4.1. Caso você esteja concorrendo ao DCE, muito cuidado. Na hora de dizer que a entidade precisa se aproximar dos estudantes, jamais dê a entender que tal aproximação seja física. O DCE deve permanecer como o Sol, cujos raios visitam o campus, mas cujo corpo permanece lá longe, hostil a qualquer um que ousar se aproximar.&lt;br /&gt; 1.5. Já no tocante às propostas, a instrução é justamente o oposto do que vimos no item 1.3.: nunca mude. Guarde sempre pelo menos um panfleto da eleição passada, a fim de que você possa copiar as propostas no novo folheto. Caso já não tenha mais nenhum guardado, copie as propostas da chapa adversária, alterando a ordem em que são colocadas e substituindo palavras por seus sinônimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Passe nas salas de aula. Agora que você não está mais estudando, suas manhãs, tardes e noites devem ser dedicadas a esse importante ritual. Caso consiga convencer o professor a deixá-lo entrar, fale, fale, fale, fale bastante; faça um apanhado geral de tudo aquilo que está no seu panfleto, adicione algo mais, depois passe a palavra ao seu colega de chapa. Ele irá repetir tudo o que você disse com outras palavras. Por fim, passe a palavra ao seu colega mais tímido a fim de que ele possa falar unicamente o dia e a hora da votação. &lt;br /&gt; 2.1. Ninguém irá prestar atenção no que vocês disseram. Por isso, não se esqueça de trazer também a colega gostosa. A presença dela poderá render alguns membros a mais para sua chapa; estes poderão ser muito úteis posteriormente, a fim de tumultuar o corredor da faculdade distribuindo panfletos.&lt;br /&gt; 2.2. Quando você e seus amigos já tiverem a certeza de que passaram em todas as salas, de todos os cursos e em todos os turnos... passem de novo. Pode ser que algum aluno tenha faltado quando vocês passaram, ou que eles tenham se esquecido da eleição. Na segunda passagem, repitam tudo o que disseram na primeira, com a ressalva de que estão apenas querendo reforçar o que já foi dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUARTO PASSO (A): Você ganhou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Parabéns! Eu disse que ia valer a pena.&lt;br /&gt; 1.2. Lembre-se, porém, de que sua gestão será incapaz de cumprir sequer duas das inúmeras propostas elaboradas. Assim, caso seu grupo pretenda se reeleger, é bom começar, desde já, a levantar os bodes expiatórios a serem apresentados nas próximas eleições. Diga que sua chapa fez o possível, mas que graças a eles saiu tudo errado.&lt;br /&gt;  1.2.3. O sucesso nesse item poderá lhe render uma dobradinha no próximo pleito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUARTO PASSO (B): Você perdeu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Não desista! Em oito anos você chega lá...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-764217887809649242?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/764217887809649242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=764217887809649242' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/764217887809649242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/764217887809649242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2011/03/montando-sua-chapa-para-o-dadce.html' title='Montando sua chapa para o DA/DCE'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-4296514124563114382</id><published>2011-01-13T12:44:00.000-08:00</published><updated>2011-01-13T13:06:00.166-08:00</updated><title type='text'>O  homem doente da FAFICH</title><content type='html'>Em fins do século XIX, o Império Turco-Otomano era conhecido como o homem doente da Europa. Às voltas com rebeliões internas, problemas econômicos e um aparato burocrático que tropeçava nas próprias pernas, o velho Império ia sendo aos poucos desmembrado, fragmentado, corrompido pelo vício e pela letargia, evidenciando a iminência de sua ruína. Toda a pompa de seus sultões não passava de um verniz. Armas, símbolos, brasões, títulos, poses imponentes para fotos, somados ao orgulho de uma civilização que outrora inaugurara um novo período da História ao suplantar o Império Bizantino, eram apenas a vistosa fachada de uma mansão prestes a desmoronar. E às forças centrífugas que ameaçavam a coesão do Império, os imponentes sultões opunham cada vez mais repressão, cada vez mais força, cada vez mais intransigência. Revelavam, com isso, uma desesperada tentativa de se manterem de pé, enquanto o resto da Europa prosperava às custas do Império adoecido. A Sérvia, a Bulgária e a Grécia que o digam.&lt;br /&gt;Pois o mesmo mal que acometeu o homem doente da Europa faz agora outra vítima: o curso de História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais. Tal como um físico que morre ao cair de um prédio, ou um químico que padece ao inalar gases tóxicos, os historiadores foram vítimas de seu próprio objeto. Enquanto as demais graduações da FAFICH esbanjam vitalidade com bolsas, projetos de pesquisa e oportunidades aos seus alunos, o curso de História da UFMG se mostra moribundo, cambaleante, definhando ante os próprios vícios e pouco disposto a reagir. Tal como os otomanos, a História vai aos poucos se desmembrando: perde seus herois, seus grandes nomes. No lugar dos professores que se vão ficam outros tantos, alguns dos quais acabamos desejando que também tivessem partido – ou que nunca tivessem chegado. Todo o vigor que o curso ostentava no passado começa a se desvanecer e fica cada vez mais evidente que não há máscaras para camuflar sua putrefação. &lt;br /&gt;O curso de História, que a princípio deveria ser um local de aprendizado, de discussão e debate de ideias, que nos permitissem refletir de forma crítica o mundo em que vivemos, acaba se tornando um espaço vazio e medíocre. A História tem vícios que a corroem, tal como o Império Otomano: o apego, o tradicionalismo, o eterno reinado da mesmice e do enfado. Todo aquele que ousa se levantar contra esse estado de coisas, propondo algo diferente, é visto com horror pelos demais, sendo logo convidado a se calar e a voltar para seu lugar. Escravidão, barroco, Minas Setecentistas: é esse o trinômio quadrado perfeito ao qual tudo no curso de História deve se conformar; é com esse triunvirato que todo aluno deve se comprometer, caso queira seguir sua carreira acadêmica. A História rica e diversa que vimos no ensino médio é logo limitada a esse eixo; qualquer tema fora dele é uma aberração para a comunidade acadêmica, que se recusa a reconhecer nele qualquer valor. Temas cada vez mais batidos sempre voltam à tona; ano após ano são virados e revirados, e por algum motivo nunca deixam de cativar a atenção dos acadêmicos, que os fuçam incessantemente como cães fuçam o lixo, na tola esperança de achar algo novo.&lt;br /&gt;Mas, na tentativa de esconder esse apego doentio aos tradicionais objetos de estudo, nossos acadêmicos fingem forjar algo novo, diferente de tudo visto até então. Aqui tem início a História-picuinha, ainda mais decrépita e horrenda do que a História-mesmice. Trata-se de construir o saber histórico como quem decora a vitrine de uma loja de brinquedos: sempre levando em conta quem está vendo de fora. Gastam-se cada vez mais tempo e recursos com pesquisas medíocres, que buscam responder a questões ainda mais medíocres por razões não menos medíocres. Emerge aqui uma História inusitada, descolada, bacaninha, quase como que uma apropriação acadêmica das curiosidades que vinham nas figurinhas de chicletes com títulos do tipo “Você sabia?”. A História que problematiza, analisa e critica, perde seu valor. Os suplementos infantis dos jornais de domingo invadem a produção acadêmica com o imperativo de “Aprender brincando!”. A História se esvazia e só passa a fazer sentido na medida em que diverte o público. Vemos surgir pesquisas engajadas em esclarecer questões de extrema relevância, do tipo: “quantas vezes D. João VI copulava por semana?”, “quantos botões havia na camisa que D. Pedro I vestia quando ele proclamou a Independência?”, “qual era o prato preferido de D. Maria I?”, “com quantos anos o Visconde de Barbacena perdeu a virgindade?”. O fazer histórico adota a metodologia do marketing e da propaganda.&lt;br /&gt;E os nossos sultões, o que dizem disso? Eles, que se arrogam o direito de nos ensinar História. Mas como podem nossos professores ter a ingênua pretensão de nos ensinar algo que são incapazes de aprender?  Eles estudam, ao longo de sua vida acadêmica, todos os males que caminham com o homem em sua trajetória histórica, só para depois reproduzi-los a nível micro em sala de aula. Professores tão irresponsáveis quanto o mais ineficiente presidente da Velha República; tão autoritários quanto o mais enérgico déspota oriental; tão indiferentes ao seu trabalho quanto o mais incompetente burocrata soviético de fins dos anos 1980. Eles sabem o que ensinam, mas não sabem por que o ensinam; aprendem a História, mas não aprendem com a História. &lt;br /&gt;Mas não sejamos exigentes demais com nossos sultões, afinal, eles têm outras preocupações. A comunidade acadêmica é tão cruel como a sociedade do Antigo Regime, e por isso os sultões precisam cuidar de sua aparência: posam de grandes intelectuais, competem para ver quem tem mais artigos, mais citações, mais conferências, mais orientandos, mais títulos de nobreza acadêmicos... Quase se sacrificam para turbinar seus Lattes, mas dão pouca ou quase nenhuma importância a uma frase que soa cômica em seus currículos: dedicação exclusiva. Pois nem um biscateiro trata com tanto desdém o seu ofício: há professores que se atrasam sem o menor constrangimento; professores que faltam pois têm compromissos mais importantes; e professores que vão mas que, ao fim,  acabamos desejando que nem ao menos tivessem vindo, tamanha a mediocridade de suas aulas. Aparecem na sala de aula quando querem, saem quando querem e fazem o que querem. &lt;br /&gt;E nós, meros súditos? A nós, o que resta? As ordens que partiam dos palácios deviam ser prontamente aceitas em toda a extensão do Império Otomano. Do mesmo modo, as ordens que vêm do Quarto Andar devem ser acatadas de imediato por todos os estudantes. O aluno que não consegue acordar a tempo para a aula é tachado de irresponsável; o professor que não consegue acordar a tempo para a aula reúne-se com a alta cúpula e, em uma canetada, muda o turno do curso para a tarde. O aluno que não consegue conciliar os estudos com o trabalho é visto como desinteressado; o professor que não consegue conciliar o ensino com a pesquisa novamente se reúne com a alta cúpula e, mais uma vez de forma arbitrária, institui o horário corrido em toda a semana. Pior: asseguram-nos orwellianamente que tudo foi feito de maneira democrática, que houve votação, que os estudantes puderam participar e acusam aqueles que manifestam sua insatisfação de estarem fazendo escarcéu. História: ame-a ou deixe-a.&lt;br /&gt;Mas nem tudo no Império Turco-Otomano estava perdido. Em princípios do século XX, ganha força o movimento dos “Jovens Turcos”, algo mais ou menos parecido com o nosso “tenentismo”, guardadas as devidas proporções. Os Jovens Turcos eram contra o governo corrupto e viciado dos sultões. Defendiam a modernização econômica e política do país, o revigoramento do nacionalismo turco e o fim de um Império calcado no autoritarismo e na representação de interesses personalistas.&lt;br /&gt;No entanto, nossos Jovens Turcos se mostram tão realistas quanto seus próprios sultões. A eles, pouco importa resolver os problemas que afligem seu curso. Aliás, a grande maioria nem ao menos se dá conta da existência de tais problemas. Estão todos muito satisfeitos com o jeito como as coisas andam. Mesmo os que percebem os defeitos temem assumir uma postura mais ofensiva, pois não querem contrariar seus sultões e arriscar suas preciosas bolsas. Aqueles que entram no curso com uma mentalidade que foge ao trinômio quadrado perfeito citado anteriormente logo se conformam a ele. Enfim, nossos Jovens Turcos estão muito mais preocupados em cortejar seus sultões do que em levantar a voz contra eles, de modo que os únicos capazes de mudar o status quo são os menos interessados em fazê-lo. São todos ex-cristãos que, uma vez na FAFICH, enfrentam uma crise de fé e tentam achar em seus professores tudo aquilo que não mais podem achar em Deus; com isso, temem perturbar sua ira com manifestações heréticas. O Deus que tudo controla do céu é substituído pelo professor que tudo controla do quarto andar. E quanto mais raios, tempestades e fúria os professores mandam para os andares de baixo, mais nossos estudantes os adoram e menos se dispõem a contrariá-los. &lt;br /&gt;A Jovem História perpetua o legado da História-mesmice e se mostra entusiasta da História-picuinha; não propõe, não cria, não inova, não vê além. Nossos Jovens Turcos são meretrizes acadêmicas. Diferente das meretrizes comuns, que ostentam sua bolsa para depois ficarem de quatro, as meretrizes acadêmicas ficam de quatro para depois ostentarem suas bolsas: ninguém consegue ascender ao quarto andar se não souber seduzir seus sultões. &lt;br /&gt;E enquanto a Jovem História não perceber que é súdita de um Império que agoniza e se putrefaz em meio a seus próprios vícios, estaremos fadados a jamais achar a cura para ela. Se optarmos por descansar diante da agonia de nosso curso, não obstante o cheiro da putrefação que insiste em nos acordar, eis que descansará em paz o homem doente da FAFICH.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-4296514124563114382?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/4296514124563114382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=4296514124563114382' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/4296514124563114382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/4296514124563114382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2011/01/o-homem-doente-da-fafich.html' title='O  homem doente da FAFICH'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-324401335354877390</id><published>2010-06-21T14:18:00.000-07:00</published><updated>2010-06-21T14:21:37.624-07:00</updated><title type='text'>Os fantasmas do professor Ernesto</title><content type='html'>O curso de História da Universidade Federal de Minas Gerais possui vários motivos para se orgulhar; um dos principais deles é o professor Ernesto. Ernesto é o mais conceituado e experiente professor de História do Brasil Contemporâneo em todo o departamento, e ocasionalmente leciona algumas disciplinas optativas sobre ditadura militar brasileira – seu tema preferido, não apenas por estudá-lo há muitos anos, mas também por tê-lo vivenciado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas aulas sobre a ditadura militar têm um fino toque de sadismo. Se por um lado o tema o atrai, por outro lhe traz o horror de lembranças que jamais se apagarão. Ele se lembra, todos os dias – como se fosse ontem – do medo que sentia no tempo em que era um jovem universitário: quando ia para a aula sem saber se voltaria para casa; quando freqüentava reuniões do DCE sem saber se elas durariam até o fim; quando tinha aulas sobre marxismo e esperava, apreensivo, algum infiltrado soltar uma voz de prisão contra seu professor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor Ernesto sabe que os tempos mudaram e que, graças à sua geração, hoje todos respiram democracia. Mas, ainda assim, os fantasmas da ditadura militar continuam a assombrá-lo. Quando trata de temas polêmicos em suas aulas, Ernesto fica assustadiço: vê uma aluna puxando o iPod de sua mochila e confunde-o com o gravador de algum agente infiltrado; um aluno acidentalmente esbarra no interruptor, e Ernesto acha que estão sabotando sua aula; alguém deixa um estojo pesado cair no chão, e Ernesto quase se abaixa, a fim de escapar do suposto tiro. Ernesto vive amedrontado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem só de sustos vive nosso grande professor. Sua vida acadêmica é bastante regrada. Corrige provas como quem resolve um problema matemático: atento ao menor e mais insignificante erro, a fim de corrigi-lo e subtrair generosos pontos do aluno. Durante a aula exige silêncio: Ernesto expulsa da sala uma média de três alunos por semestre, alegando estarem “atrapalhando o bom andamento da aula”. Todo grupo que ousar, em um trabalho, salientar qualquer ponto positivo do regime militar, é rapidamente censurado pelo professor; diz Ernesto que falar bem da ditadura é uma atitude “fascista”. Ernesto não pode permitir que haja fascistas entre seus alunos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ademais, Ernesto também exerce funções fora da sala de aula. Ele é o dirigente do Centro de Memória do Trabalhador (CMT), entidade vinculada à universidade que procura resgatar todo o passado dos trabalhadores brasileiros: suas lutas, conquistas e percalços. Aqui, mais do que nunca, Ernesto é enfático: não admite postergações, “prazo é prazo”, e quem não entregar o trabalho na data certa ou se atrasar para os encontros corre o sério risco de ficar de fora do Centro. Afinal de contas, Ernesto não pode, de forma alguma, permitir que a memória do trabalhador brasileiro seja tratada com o mínimo descaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último projeto no qual o CMT esteve envolvido foi o Museu do Trabalhador Mineiro. O professor Ernesto, obviamente, foi protagonista desse empreendimento. Ele coordenou a reunião de um vasto acervo de fotos, vídeos, objetos e textos que buscam manter vivas a dignidade, a tenacidade e a história do trabalhador mineiro – desde o escravo que morria nas minas até o operário sindicalista que era preso pelos milicos. O professor Ernesto é, de fato, incansável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando finalmente chega o grande dia em que o Museu vai ser inaugurado, Ernesto está nervoso. Não, não são os militares que o assustam dessa vez; pelo contrário. Ernesto teme que algo dê errado, quer assegurar que tudo corra na mais perfeita harmonia, e que seu museu seja inaugurado em paz. Liga para a equipe de segurança, pede que reforcem o policiamento, pois sabe que na rua de trás do museu há um grande número de moradores de rua. O professor Ernesto não quer e não pode admitir que “uns catadores de papel de pé no chão e vestidos em frangalhos” entrem no museu, nem que “uns vendedores de doce e pipoca” aproveitem o movimento para assediar os convidados com seu produtos. Mas, para a felicidade de nosso professor, tudo dá certo, e o museu é inaugurado sem maiores problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ernesto está contente com mais uma grande realização sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final das contas, o professor Ernesto sabe que é exagero de sua parte, que às vezes se assusta sem motivos e acredita que aos poucos seus fantasmas irão se dissipar. É tudo uma questão de tempo. Só o que ele ainda está por resolver, em sua sã consciência, é que Ernesto ele quer ser – se Geisel ou Guevara.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-324401335354877390?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/324401335354877390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=324401335354877390' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/324401335354877390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/324401335354877390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2010/06/os-fantasmas-do-professor-ernesto.html' title='Os fantasmas do professor Ernesto'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-9200239127942602305</id><published>2010-05-23T06:33:00.000-07:00</published><updated>2010-05-23T06:36:46.534-07:00</updated><title type='text'>Os dilemas do professor Reinaldo</title><content type='html'>Seu nome é Torres. Reinaldo Torres. Reinaldo Torres é um simpático, efetivo e eficiente professor do departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais. Por todos os cantos do curso de História e mesmo da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, não há quem não o conheça, não há quem não o admire. Não há quem nunca tenha tido a honra ou o desejo de embelezar seu histórico ou sua vida com uma aula dele, mesmo que apenas como ouvinte. Grande professor Reinaldo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor Reinaldo é especialista em historiografia brasileira, matéria que leciona com invejável maestria. Seus alunos ficam mudos ao seu falar. Não há quem se atreva a interrompê-lo ou passar bilhetinhos enquanto o professor Reinaldo fala. Seus alunos, quase todos ateus ou agnósticos, experimentam um raro momento de religioso silêncio durante suas aulas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fala de Sérgio Buarque de Holanda, o professor Reinaldo deixa todos boquiabertos. Ao mencionar passagens de Raízes do Brasil, corrobora a visão que o autor tem da cultura personalista que a colonização portuguesa imprimiu ao Brasil. Satiriza a cultura do brasileiro de, até hoje, favorecer as relações “clientelares” em detrimento da meritocracia. Diz ele que “lá na Europa, onde fiz o meu mestrado”, só se dá bem quem estuda com dedicação e trabalha duro, e “não é que nem no Brasil, onde só tem sucesso quem é bem relacionado, quem tem contatos”. As raízes do atraso brasileiro, na concepção do professor Reinaldo, estão justamente na falta de valor que o país dá ao mérito, ao esforço, à seleção impessoal. Porque “lá nos Estados Unidos, onde fiz meu doutorado, não basta ter uma carinha bonita para ser bem-sucedido”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor Reinaldo é grande fã do inconfidente Tomás Antônio Gonzaga, o qual costuma citar com frequência em suas aulas. Diz ele que até hoje todo brasileiro tem um quê de súdito de Fanfarrão Minésio: “nesse país, quem abre a boca contra as autoridades não tem sossego”. Nosso professor não perde a pompa e, mais uma vez, cita sua experiência internacional, afirmando que na Europa há liberdade de expressão, e que não é necessário concordar com o presidente ou com o premiê para subir na vida. No Brasil, pelo contrário, prevalece a lógica de sempre agradar o poder para prosperar, independente de quem esteja por trás dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor de história moderna faltou! Sem problemas. O professor Reinaldo está lá para substituí-lo. Seus anos de estudo na França e na Inglaterra fizeram-no um exímio conhecedor da gênese do Estado Absolutista. Apesar de essa não ser sua especialidade, o professor Reinaldo não deixa por menos: ironiza o ambiente das cortes do Antigo Regime, onde a nobreza estava sempre cercando o rei, fazendo-lhe agrados, na desesperada tentativa de lhe arrancar favores. Compara a aristocracia a uma foca de circo: faz suas gracinhas para arrancar os aplausos de alguém. E conclui que, apesar da distância temporal e espacial, o Brasil de hoje não é muito diferente – a ordem continua a ser cortejar o poder, cercá-lo, fazer-se percebido, a fim de alcançar o sucesso pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de seu sucesso e satisfação profissionais, o professor Reinaldo também tem seus problemas, como todo ser humano. Recentemente ele foi contemplado com duas generosas bolsas de estudo para um projeto de pesquisa. Entre tantos alunos – todos simpáticos e agradáveis, todos solícitos em convidá-lo para “tomar uma” depois da aula, – como escolher apenas dois bolsistas? O professor Reinaldo tem um dilema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chama-lhe a atenção certo aluno que se senta, todas as aulas, na primeira fileira – “um tal de Henrique, ou algo assim”. Henrique é um garoto exemplar. Todos os dias antes da aula se oferece para comprar café para o professor. Após as aulas, mostra-se igualmente solícito para ajudar a carregar seu material. Sem dúvidas, uma boa opção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também na primeira fileira temos a simpática Fernanda, mais conhecida como Fêzinha. Fêzinha não gosta de estudar. Também não gosta de História. Ingressou em um curso superior apenas por pressão de seus pais, e optou por História apenas porque era mais fácil de passar. Seu grande sonho mesmo é casar-se com seu namorado, estudante do último ano de Engenharia Civil. Fêzinha vai às aulas de minissaia e blush e, com pouco tempo de curso, já cativou o professor Reinaldo. Outra boa opção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas carteiras atrás, bem lá no fundo, senta-se uma figura que costuma fazer importantes aparições durante as aulas do professor Reinaldo. É um rapaz de cabelo encaracolado, óculos de armação preta, que sempre se põe a discordar do que o professor Reinaldo diz. Não há uma aula sequer na qual não se note uma acirrada discussão entre ele e o professor, acerca dos mais variados temas – discussões essas que nunca chegam a um ponto final muito claro. Um bom aluno, segundo o professor Reinaldo, mas meio problemático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor Reinaldo tem ainda um dia inteiro para resolver seu dilema – fará isso em sua sala particular, depois de sua aula matinal. Antes disso, porém, precisa se desvencilhar com cautela da turba de alunos que o cerca ao final da aula. Depois de ouvir alguns elogios, pedidos, mais elogios, mais pedidos, súplicas, comentários desnecessários e irrelevantes sobre a matéria, finalmente o professor Reinaldo tem caminho livre. Senta-se em sua poltrona e, após um longo suspiro, lá fica por quase uma hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está satisfeito, pessoal e profissionalmente – é querido por todos (excetuando-se talvez o cabelo encaracolado de armação preta). E seu dilema? Já resolveu. A bolsa é da menina da minissaia e do menino do café. Envia aos dois um e-mail parabenizando-os, e mais outro para a fundação de pesquisa, na esperança de obter um valor maior para a bolsa. Recolhe seus livros sob o braço enquanto fecha a janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vai almoçar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-9200239127942602305?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/9200239127942602305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=9200239127942602305' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/9200239127942602305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/9200239127942602305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2010/05/os-dilemas-do-professor-reinaldo.html' title='Os dilemas do professor Reinaldo'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-8196028912012756346</id><published>2010-01-21T19:08:00.000-08:00</published><updated>2010-01-21T19:09:34.496-08:00</updated><title type='text'>Mudançando de destino</title><content type='html'>Já que a moda agora é ser louco&lt;br /&gt;E seguir moda significa ser igual&lt;br /&gt;Resolvi ser diferente um pouco&lt;br /&gt;E virar uma pessoa normal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-8196028912012756346?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/8196028912012756346/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=8196028912012756346' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/8196028912012756346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/8196028912012756346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2010/01/mudancando-de-destino.html' title='Mudançando de destino'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-8356671834584999208</id><published>2010-01-10T05:57:00.000-08:00</published><updated>2010-01-10T06:57:25.883-08:00</updated><title type='text'>Nota de esclarecimento</title><content type='html'>Mais um ano começa, mais uma década se inicia.&lt;br /&gt;Achei o momento propício para poder esclarecer possíveis dúvidas de alguns possíveis leitores que, por um motivo ou outro, resolveram acompanhar meu blog. Desde 2008, nos deparamos aqui, no hiperativo-categorico.blogspot, com toda uma gama de figuras exóticas, tipos excêntricos e personagens irreverentes, especialmente quando tratamos dos tipos ideais weberianos.&lt;br /&gt;Não pude deixar de notar que por vezes essas figuras suscitaram dúvidas entre os leitores, muitos deles chegando a achar que em algum momento eu pudesse me identificar com alguma delas. Não que isso nunca tenha ocorrido, mas eu jamais me arriscaria a dizer que a elaboração dessas figuras teria qualquer propósito auto-crítico, salvo em alguns raros casos.&lt;br /&gt;Sem mais delongas, proponho-me a revisar, um por um, todos os personagens analisados até aqui, deixando sempre claro quando existe - e quando não - qualquer sentimento de identidade entre criador e criatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O VESTIBULANDO FELIZ&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;É engraçado como tem gente que pensa que, só porque conseguiu marcar as bolinhas certas e escrever uma redação que agradasse a uns professores carrancudos, pode desfilar com toda pompa e orgulho, achando-se o verdadeiro escolhido de Deus. (Para maiores informações, basta ler as notas da nova Jerusalém e o comovente depoimento de Renato).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O JOVEM MOTORISTA INDEPENDENTE&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ser independente vai muito além de ter um carro. Muito mais importante é ter a capacidade de comprá-lo e não dever satisfação a ninguém quando batê-lo. Não quero uma independência ao estilo de "território autônomo" ou "departamento de ultramar"; quero uma independência ao estilo "Dien Bien Phu"!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O MISSIONÁRIO ATEU&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ele está por aí, em todo lugar ao meu redor: pode ser meu professor, meu colega de sala, meu amigo e tantos outros... Desde que não seja eu, e que não me venha salmodiar as boas-novas do ateísmo, por mim tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O CINÉFILO&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Aqui dá-se quase o mesmo que com o missionário ateu: ele me cerca por todos os lados, impossível evitá-lo. Mas tudo vai bem, desde que não me contamine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O ESTUDANTE DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Como fiz questão de deixar claro no próprio texto, ele possui um caráter auto-crítico. Mas como não sou mais um estudante de R.I., suponho que tenha se tornado anacrônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O CHRAETINUS IGNOBILIS&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Uma de minhas mais perfeitas e trágicas criações! E é justamente por lhe dever tanto mérito que faço questão de me afastar dela, e deixar que ela se chafurde sozinha em tanto glamour.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;RENATO: O CALOURO FELIZ&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Acredite ou não: ele existe (mas não é dono deste blog).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;N.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Diria apenas que N. é a personificação daquilo que busco não ser. Diria ainda que N. é uma versão manca de mim - um Marcelo coxo, ruim das pernas. Por isso mesmo ele é N., e não M..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;HENRIQUE, O HISTORIADOR CONFIANTE&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A diferença entre a prostituta acadêmica e a de beira de estrada não é lá muito significativa: ambas adoram rodar a bolsinha. Acontece que a prostituta de beira de estrada o faz como descontração, ao passo que a acadêmica o faz por ostentação: adora mostrar aos outros a bolsa que conseguiu do professor com o qual manteve relações promíscuas (sejam elas morais ou quem sabe até mesmo físicas) - relações essas sem as quais jamais conseguiria a bolsa ostentada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-8356671834584999208?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/8356671834584999208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=8356671834584999208' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/8356671834584999208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/8356671834584999208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2010/01/nota-de-esclarecimento.html' title='Nota de esclarecimento'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-8250173706013106193</id><published>2009-12-30T13:36:00.000-08:00</published><updated>2010-07-15T11:25:46.922-07:00</updated><title type='text'>A saga de N. (II)</title><content type='html'>E eis que N. era um jovem e exímio pintor, cujas mãos, mais do que pintar, faziam maravilhas com o pincel, a tinta e a tela. Seu talento era tamanho que atraía pessoas de todas as regiões ao redor para contemplar e adquirir suas obras, não se importando em pagar por elas preços exorbitantes, de tão lindas que eram. Duas pessoas tinham especial apreço pela obra de N.. Admiravam-no tanto, que até o contrataram como seu pintor particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma dessas pessoas era um senhor que morava sozinho e vivia em uma casa sombria. Todo final de semana, N. ia até sua residência e lhe pintava um quadro, cujo tema era sempre sugerido pelo senhor. Este, no entanto, tinha um gosto quase obsessivo por cores escuras e sóbrias, como o cinza e o preto. Sendo assim, sempre que julgava que o artista tinha abusado um pouco das cores vivas, o senhor o repreendia, batendo em sua mão esquerda com um martelo. Repetia tal atitude religiosamente, sempre que notasse qualquer manifestação de cores vivas no quadro, por mais discreta que fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, N. também era o pintor particular de uma senhora que habitava uma casa amplamente iluminada pela luz do sol, à beira de uma simpática lagoa. A senhora gostava muito de cores vivas e pulsantes em seus quadros, de modo que, sempre que N. fizesse um uso significativo de cores tristes e escuras, ela o punia com uma martelada na mão direita. Por desprezível que possa parecer, a senhora nunca mostrou escrúpulos por tal atitude&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N. sempre se resignava diante desses maus tratos. Sua mão doía e se danificava cada vez mais, mas cada vez mais ele procurava agradar a seus respectivos patrões. Quanto mais ele escurecia as pinturas do senhor, no entanto, mais exigente este se tornava e mais marteladas lhe dava; quanto mais clareava as obras da senhora, mais exigente se lhe apresentava e mais marteladas eram necessárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N. chegou aos seus quarenta anos de idade com ambas as mãos completamente deformadas e inutilizadas. Tão logo souberam que ele não mais poderia exercer seus ofícios de pintor, seus senhores correram para sua casa a fim de se vingarem da desfeita. Os dois gostavam tanto dos quadros de N. e confiavam tanto nele, que não podiam aceitar o fato de terem sido por ele traído de forma tão grosseira. Inconformados que estavam, começaram a espancar o artista. Não cessaram até que o tivessem matado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez sepultado o cadáver de N. no quintal dos fundos, o senhor da casa sombria convidou a senhora da casa iluminada para uma xícara de chá. Ambos viriam a se casar três meses mais tarde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-8250173706013106193?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/8250173706013106193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=8250173706013106193' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/8250173706013106193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/8250173706013106193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2009/12/saga-de-n-ii.html' title='A saga de N. (II)'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-7233608542349433905</id><published>2009-12-14T02:41:00.000-08:00</published><updated>2009-12-14T02:44:28.991-08:00</updated><title type='text'>Henrique, o historiador confiante</title><content type='html'>Esse é um dia na vida de Henrique. Henrique tem dezenove anos de idade e é estudante do primeiro período de História na UFMG. Todos os dias ele acorda cedo e vai pra aula, feliz, contente, confiante de que aquele será mais um dia de muito aprendizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro horário, sua primeira aula: &lt;em&gt;Tópicos em História das Minas setecentistas: história da mineração diamantífera no Arraial do Tejuco&lt;/em&gt;, com um dos maiores especialistas no assunto. Ele se senta na primeira fileira, assiste à aula atentamente, anota, questiona, pergunta – até aquilo que já sabe – e tece comentários extremamente produtivos, repetindo com outras palavras o que já foi dito pelo professor. Ao fim da aula ele aborda o professor, atrasando ao máximo sua saída da sala. O conteúdo da conversa pode ser o mais diverso: desde o pedido de uma bibliografia adicional sobre o tema ministrado naquela aula até uma crítica edificante sobre algum artigo publicado pelo professor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No intervalo entre as duas aulas Henrique não sai da sala; prefere se preparar mentalmente relendo os textos que serão o tema da matéria do próximo horário: &lt;em&gt;Estudos de História Econômica de Minas Gerais: análise historiográfica dos cadernos de contabilidade das mercearias das Minas setecentistas&lt;/em&gt;. O procedimento adotado nessa aula é exatamente o mesmo, com a pequena diferença que agora Henrique tece menos comentários: por motivos ainda não conhecidos pelo garoto, o professor costuma ignorar suas falas, cortando-as com uma certa frequência. Mas Henrique é confiante e não desiste. Ao fim da aula ele aborda o professor. Dessa vez, o tema é bastante específico: está pleiteando um emprego no Museu do Pão de Queijo, iniciativa levada a cabo pelo docente. A fim de conseguir uma vaga, ele se mostra extremamente solícito para com o professor, carregando seus livros e sua pasta, comprando-lhe café na cantina e mandando-lhe e-mails no final de semana, que raramente são respondidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À tarde, Henrique almoça e vai para a biblioteca. Passa a tarde estudando os mais variados temas: lê artigos acadêmicos sobre as origens da pobreza em Minas Gerais, analisa a precariedade das condições sociais de Vila Rica no ápice da mineração, estuda a vida miserável que muitos homens livres levavam na capitania e se surpreende ao ler as terríveis condições nas quais muitos dos escravos mineradores trabalhavam. Henrique ainda acha tempo para estudar um pouco de francês, língua que ele acredita lhe conferir certo distintivo sócio-intelectual; o rapaz optou pelo francês por considerar o espanhol muito fácil, o inglês a língua do imperialismo e o alemão a língua do nazismo. Curiosamente, uma das poucas questões com as quais Henrique teve algum problema no vestibular foi uma que dizia respeito à guerra de independência na Argélia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às seis, Henrique tem sua última aula no dia: &lt;em&gt;Teares e Pocilgas: uma análise da complementaridade entre a indústria têxtil e a criação de suínos nas Minas setecentistas&lt;/em&gt;. Henrique já está com sono, mas não se entrega fácil. Segue ligado na aula, mas infelizmente não tem mais paciência para abordar o professor no final. Tudo bem – ele pensa – , fica pra próxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henrique volta pra casa ao final de mais um dia na universidade. Ao chegar em sua rua, busca se esquivar desesperadamente de um pedinte que lhe suplica moedas para comprar um pão. Olha com um certo nojo as condições nas quais os outros moradores de rua se instalam, embaixo de uma marquise, ao mesmo tempo que procura apertar o passo: precisa dormir cedo. No dia seguinte, Henrique tem uma defesa de tese de mestrado para assistir cujo tema é de seu interesse: &lt;em&gt;Mais do Mesmo: história dos vícios e da dependência química nas Minas setecentistas&lt;/em&gt;. Ele entra em seu quarto, arruma sua mochila, deita e descansa um pouco. Reflete sobre os mendigos que viu e os que estudou; conclui que da próxima vez tomará um caminho mais longo do ponto de ônibus até seu prédio, a fim de evitar os pedintes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-7233608542349433905?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/7233608542349433905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=7233608542349433905' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/7233608542349433905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/7233608542349433905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2009/12/henrique-o-historiador-confiante.html' title='Henrique, o historiador confiante'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-3461748390855890524</id><published>2009-07-06T07:07:00.000-07:00</published><updated>2009-07-06T07:09:54.475-07:00</updated><title type='text'>A saga de N.</title><content type='html'>Na semana de seu vigésimo primeiro aniversário, N. se deparou com um fato aterrador: ele não sabia aproveitar a vida. Tantos anos, tantos dias, tanto tempo, tudo passado em branco, batido, como uma folha de papel na qual nunca nenhuma caneta ousou se aventurar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horrorizado com sua constatação, N. resolveu agir: pegou uma caneta e um caderno e trancou-se em seu quarto com a missão de não sair de lá até que houvesse elaborado uma estratégia eficaz para aproveitar a vida. N. não queria passar os próximos anos de sua existência da mesma maneira que passara os últimos 21: apático, indiferente, incapaz de viver intensamente cada momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante esses sete dias trancado N. estipulou um plano de metas: viagens a fazer, festas a frequentar, amigos a conhecer, restaurantes a degustar, filmes a assistir, amores a declarar... Já estava cansado de levar sua vida como se ele ainda tivesse muitas outras pela frente e pudesse se dar ao luxo de viver de forma medíocre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após muitas noites em claro, N. concluiu o trabalho na manhã do seu aniversário. Estava exausto, mas todos aqueles dias de reclusão valeram a pena: finalmente ele poderia viver sem medo de repetir os erros do passado. Seu plano de metas ficara impecável, e ele estava decidido a aproveitar a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz, N. saiu de sua casa naquela manhã ensolarada para encontrar os amigos e dar início à sua nova vida. Tão logo botou os pés na rua, foi atropelado por um caminhão de engradados de cerveja, vindo a falecer alguns minutos depois a poucos passos do meio-fio. O motorista do caminhão seguiu seu caminho sem prestar socorro. Estava muito atrasado para entregar uma encomenda na casa da mãe de N., que lhe preparava uma festa surpresa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-3461748390855890524?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/3461748390855890524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=3461748390855890524' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/3461748390855890524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/3461748390855890524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2009/07/saga-de-n.html' title='A saga de N.'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-7370478017526631709</id><published>2009-05-15T09:41:00.000-07:00</published><updated>2010-05-23T06:45:00.513-07:00</updated><title type='text'>Notas da Nova Jerusalém</title><content type='html'>Muitos jovens que ingressam nas concorridas instituições públicas de ensino superior do país, entram nesse ambiente imbuídos de um orgulho excessivo e, por vezes, caricato. Satisfeitos com a vitória alcançada, nossos novos universitários experimentam uma fase de êxtase, e sentem-se os verdadeiros escolhidos de Deus cada vez que enchem o peito para falar que estudam "na federal".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jovem universitário se denomina um orgulhoso membro da "elite intelectual do país" – uma entidade mítica, lendária, que só existe dentro de sua cabeça. Ele venceu uma concorrência impiedosa, desbancou adversários e superou o horror de uma das fases mais lamentáveis de nossa vida; enfim, derrotou muitos mares vermelhos para chegar nessa terra prometida à qual poucos têm acesso. E a forma que ele adota para comemorar essa vitória costuma ser peculiar.&lt;br /&gt; Tão logo começam as aulas, ele se converte em um ser esnobe, cheio de si: satiriza aqueles que não passaram classificando-os de "burros" ou "incapazes" e participa de comunidades no Orkut cujo intuito é justamente reunir esses bravos herois que passaram "na federal" em um local onde eles possam cantar toda a sua virtude e majestade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, a universidade virou objeto de ostentação! Estudar "na federal" dá status entre os amigos. "A federal" é envolta por todo um glamour, toda uma mística que se expressa nos novos e débeis hábitos que o estudante adquire.Esse universitário compraz-se não tanto em ter passado, mas em ter deixado vários outros de fora. Sua atitude reflete uma noção cara à nossa sociedade: só podemos triunfar se alguém definha. Mas afinal, não é a educação um problema social tal como a moradia e a saúde? O estudante que não conseguiu entrar na universidade pública está também sendo privado de seus direitos, tal como uma pessoa que vive na favela ou que não consegue ser atendida no hospital. Frente a esse problema, qual é a solução que nosso universitário - o futuro da nação - encontra? Debochar dos "incapazes", é claro! É muito mais fácil e muito mais divertido do que buscar soluções eficazes. Além do mais, ele já gastou neurônios o suficiente para passar no vestibular; merece, portanto, ter seu descanso intelectual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os vis mortais que não passaram no vestibular? Eles que rezem para que, no meio de tantos escolhidos de Deus que habitam essa cidade sagrada - essa Nova Jerusalém chamada universidade pública, - no meio de tantas mentes capazes, possa surgir o novo Messias. E que, tal como Jesus estendeu a salvação para além do povo judeu, ele estenda a universidade pública para além dos escolhidos pelo dedo do vestibular.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-7370478017526631709?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/7370478017526631709/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=7370478017526631709' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/7370478017526631709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/7370478017526631709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2009/05/notas-da-nova-jerusalem.html' title='Notas da Nova Jerusalém'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-1447164520240347722</id><published>2009-02-27T11:03:00.001-08:00</published><updated>2009-02-27T18:57:40.506-08:00</updated><title type='text'>E eis que um dia todo Lula vira presidente</title><content type='html'>Não é de hoje que nós, do hiperativo-categorico.blogspot, ironizamos o inebriante orgulho dos estudantes brasileiros que, uma vez aprovados em uma universidade federal, sentem-se os escolhidos de Deus após tal conquista.&lt;br /&gt;Acontece que, recentemente, este mesmo quem vos fala foi condecorado com tal mérito, e não obstante sua merecida felicidade, ficou um pouco atormentado ao ver-se virando tudo aquilo que ele um dia satirizou.&lt;br /&gt;A verdade é que o mundo dá voltas, e tal como Lula virou presidente, os porcos de Orwell tomaram o controle da fazenda e os comunistas tomaram o poder dos czares na União Soviética, &lt;strong&gt;estamos sempre fadados a virar aquilo que outrora condenamos&lt;/strong&gt;. É esse o destino fatídico de grande parte da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto a seguir nada mais é do que uma forma de descontração em meio a esse fatídico destino que acabo de encontrar; mais do que isso, é um compromisso que assumo de jamais virar mais um Renato da vida.&lt;br /&gt;Não sei quem é Renato. Pode ser que ele seja meu alter-ego, embora eu prefira considerá-lo apenas um tipo ideal de vestibulando feliz (vide post número 1). Queira Deus apenas que ele não seja meu filho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-1447164520240347722?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/1447164520240347722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=1447164520240347722' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/1447164520240347722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/1447164520240347722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2009/02/e-eis-que-um-dia-todo-lula-vira.html' title='E eis que um dia todo Lula vira presidente'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-9206130403020573074</id><published>2009-02-27T10:08:00.000-08:00</published><updated>2009-04-30T19:29:36.225-07:00</updated><title type='text'>Renato, o calouro feliz</title><content type='html'>Olá!&lt;br /&gt;Meu nome é Renato - meus amigos me chamam de Renatim -, tenho 18 anos de idade, sou natural de Belo Horizonte, acabei de passar na UFMG - e estou muito feliz por isso! Logo que saiu o resultado, fiquei tão feliz que, pra comemorar, bebi o dia inteiro com meus amigos e só fui acordar no dia seguinte, não lembrando de quase nada...! Foi muito bom, um dia inesquecível, mesmo sabendo que eu não passei pra um curso tão bom nem tão concorrido.&lt;br /&gt;A história de como escolhi prestar vestibular pra tal curso é até estranha sabe...desde os onze anos de idade sempre quis fazer Engenharia Civil, porque meu pai é engenheiro civil e meu avô também era. Porém, no primeiro ano do ensino médio resolvi que iria prestar vestibular pra Medicina, pois o guia do estudante disse que o salário é melhor e o mercado de trabalho também. Já no terceiro ano, quando estava quase me formando e conciliando cursinho com a escola, comecei a ficar meio vagabundo, faltava muito às aulas pra beber e jogar truco e estudava muito pouco. Logo percebi que não ia dar pra passar em Medicina, porque a concorrência na UFMG é muito foda. Fiquei com medo de fracassar no vestibular e ter que fazer cursinho novamente no outro ano - e cursinho é muito ruim, credo, não quero voltar jamais!&lt;br /&gt;Decidi então mudar de idéia e tentar vestibular pra outro curso, um curso mais fácil, mais tranquilo pra passar...inscrevi-me então pra História, mas até hoje não sei bem porquê. Minha vida inteira sempre odiei História (peguei recuperação duas vezes, na quinta e na oitava séries) e só passei a me interessar mesmo no cursinho, porque tive um professor muito bom que dizia que o curso era ótimo. Acho que foi ele quem me incentivou a prestar pra História, e aí felizmente eu passei!&lt;br /&gt;Não sei bem ainda o que eu quero com esse curso (se é que realmente quero alguma coisa), nem tenho muitas ambições quanto a ele até o momento...o importante mesmo é que eu passei, e foi na FEDERAL! Sempre foi meu sonho estudar na UFMG, e nem ligo muito se o curso não era realmente o que eu queria. Pelo menos agora vou poder zuar meus amigos que estudam na PUC e entrar naquela comu do Orkut "Ih, foi mal! A minha é federal!" para poder confraternizar com estudantes de todo o país e principalmente zuar aqueles mais burrinhos que tentaram mas não conseguiram, e agora estão em universidades particulares...hauahauahauha! Universidade privada é muito ruim, nem se compara à federal... aliás, acho que lugar de merda é na privada mesmo! hauahauahua...&lt;br /&gt;Só quem não está muito feliz é o meu pai...o sonho dele era que eu fosse engenheiro que nem ele, ou então médico, que nem o meu tio...ou até mesmo advogado, que nem minha mãe. Ele disse que o curso de História não leva à nada, ainda mais pra mim que nunca gostei de História. Acho isso uma grande mentira, porque o guia do estudante disse que o salário médio inicial de um historiador gira entre 1300 e 2300 reais, acredita?! E na mostra de profissões da UFMG, o cara do stand de História me falou que o mercado de trabalho na área só tende a melhorar, pois a demanda por historiadores tem crescido muito, mesmo em época de crise econômica. Isso tudo me motivou ainda mais a escolher o curso.&lt;br /&gt;Meu pai continuou discordando, falando que se pelo menos eu me interessasse pelo assunto, lesse mais sobre história do Brasil e do mundo e demonstrasse algum entusiasmo, ele ainda botava fé em mim. Ele até se propôs a pagar uma particular pra mim, se o curso fosse Medicina ou Engenharia Civil, mas particular nem rola. Estudar na particular não dá status, sabe? Não troco o glamour da federal por nada nesse mundo!&lt;br /&gt;A verdade é que eu nem me importo com isso...o importante é que eu passei, e foi na federal, e tô indo estudar na FAFICH! Ouvi falar que lá é cheio de maconheiro e o pessoal adora tomar todas depois da aula...hauahauha, acho que vou gostar muito de lá então! Matar aula pra beber, jogar sinuca, isso pra mim é o paraíso! Acho que até vo desistir da Medicina depois que entrar lá, heuehueheuhe...E tipo, eu nunca experimentei maconha, mas quando eu estiver lá dentro vo ter que experimentar, vo pedir pros meus veteranos me ensinarem a fumar, é bom que ajuda a socializar com todos eles! E ajuda ainda a dar umas viajadas, porque o curso de História demanda muita criatividade, muita imaginação, impossíveis de serem alcançadas quando se está sóbrio...huahauahaua!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-9206130403020573074?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/9206130403020573074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=9206130403020573074' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/9206130403020573074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/9206130403020573074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2009/02/renato-o-calouro-feliz.html' title='Renato, o calouro feliz'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-6815884368125170466</id><published>2009-01-29T08:22:00.000-08:00</published><updated>2009-01-29T09:23:01.746-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Invasões Bárbaras'/><title type='text'>Invasões bárbaras</title><content type='html'>DEVANEIO Nº 1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No alvorecer dos séculos XIII e XIV, a Europa acordou mais tranquila: as invasões bárbaras se escasseavam, as pessoas começavam a abandonar os campos e migrar para as cidades, e uma nova era parecia ter início, menos negra, menos mística e menos perigosa; mais racional, mais humana e mais segura. A Europa renascia da ignorância, buscava voltar à uma antigüidade da qual jamais deveria ter saído.&lt;br /&gt;Aos poucos, a idéia de queimar bruxas na fogueira começou a parecer absurda; se não absurda, questionável. Andar pelas cidades deixou de representar um risco, pois não havia mais homens montados em cavalos empunhando espadas mortíferas e sedentos por sangue; finalmente, o homem medieval percebia que sua vida não tinha necessariamente que se confinar a um feudo, restrito feudo, que, embora não fosse confortável, era melhor do que lá fora onde o perigo rondava. A felicidade? Sim, a felicidade! Ela não estava somente no porvir, no além...ela também estava aqui, na terra, na vida real! Tamanha não foi a surpresa dos primeiros a perceberem que não teriam que esperar pela morte, e ainda pela aceitação no céu, para poderem ser felizes - poderiam sê-lo agora mesmo. Toda a estrutura que confinava os homens a alguns poucos pedaços de terra e a um senhor prepotente que cobrava satisfações começava a ruir.&lt;br /&gt;E a natureza? Não, não era apenas para ser admirada e temida, mas também compreendida. As secas não eram castigos divinos, tinham explicações mais coerentes; a chuva e os trovões não eram a ira de Deus, eram fenômenos naturais, como o simples nascimento de um bebê. Aos poucos, o homem europeu abandonava um período de ignorância, paralisia, estagnação e conflito; talvez até tomado por uma certa vergonha, como um jovem menino que, ao crescer, recorda com amargura suas pirraças de infância e se pergunta como foi capaz de fazer uma coisa dessas.&lt;br /&gt;Agora o mundo era mais belo, a vida fazia mais sentido, as cidades cresciam e prosperavam sem temer os perigosos homens bárbaros, e as trevas da Idade Média pareciam se dissipar de uma forma cada vez mais irreversível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DEVANEIO Nº 2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo acordou no alvorecer de seus vinte e um anos de vida aliviado: os vestibulares foram vencidos, a aflição acabara, a frenética e angustiante maratona de estudos chegara a um fim definitivo. Saiu à rua para um passeio tranquilamente, mais tranquilamente do que nunca; não tinha mais o que temer do lado de fora. Em sua cidade natal, tudo parecia lembrá-lo do famigerado vestibular: aquelas árvores da praça, que acompanharam sua infância e adolescência e viram-no crescer em meio a medos e sonhos, pareciam sempre questioná-lo "passou? passou? passou?". A rua da escola na qual sempre estudara era ainda mais exigente: "e você, passou 14 anos me amolando para chegar no vestibular e fazer merda? Não acredito, meu Deus, eu pari um idiota! Tu desonraste meu nome por toda a eternidade!". Os prédios que ladeavam seu cursinho eram curtos, mas firmes: "passaste três meses aqui para nada! Passaste três meses aqui para nada!". Tão logo Marcelo abria o portão de sua casa, uma enxurrada de cobranças o perturbavam, querendo saber de seu desempenho.&lt;br /&gt;Mas tudo aquilo finalmente chegara a um fim! Marcelo não mais precisava se confinar em sua casa, pregado à tela do computador, esperando pela lista de aprovados...sua vida não mais se restringia à sala de televisão e ao seu quarto. As manhãs eram mais belas, as noites de sono mais calmas, as ruas da cidade menos ameaçadoras, as árvores da praça menos exigentes...Até Marcelo andava diferente: não ficava cabisbaixo, como de costume; todo o peso da cobrança que curvava sua cabeça para baixo se desmoronara, e ele novamente andava olhando reto, para a frente e para os lados - e, por que não, para o alto!&lt;br /&gt;A felicidade? Não, não estava mais no porvir! Não mais precisava esperar o resultado do vestibular para poder ser feliz...chegara enfim a hora de sorrir! Nada de desculpas do tipo "depois do vestibular, depois do vestibular!", depois do vestibular era agora, e agora era a hora de ser feliz!&lt;br /&gt;Tudo sempre indicava para um novo tempo, uma nova era: uma era de paz, prosperidade e esperança, sem vestibulares! Claro que todo esse otimismo demorou um pouco a se manifestar; começou timidamente, ainda temeroso de todo aquele horror que assolara há pouco tempo, como o sobrevivente de um terremoto que coloca a cabeça para fora de seu abrigo e pergunta: "já?". Afinal de contas, quem não sabe ser feliz na angústia, demora um pouco para ser feliz na fartura; felicidade também é uma questão de costume. Com o tempo, esperamos que Marcelo se acostume e, diferente do homem europeu, não se envolva em novos pesadelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande abraço Marcelo, Feliz Aniversário!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-6815884368125170466?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/6815884368125170466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=6815884368125170466' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/6815884368125170466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/6815884368125170466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2009/01/invasoes-barbaras.html' title='Invasões bárbaras'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-5118128901864136528</id><published>2009-01-14T02:19:00.000-08:00</published><updated>2009-01-14T03:51:38.829-08:00</updated><title type='text'>O velho, a viúva e a insônia</title><content type='html'>Esta noite não dormi - literalmente. Nem sequer um segundo de sono, nem um cochilozinho, nada nada. Fazia tempo que isso não me acontecia, mais de quatro anos se não me falha a débil memória. Estive extremamente preocupado com o vestibular, temendo pelo resultado que sairá amanhã. Nessas horas dá uma angústia terrível, pois começo a lembrar de tudo aquilo que deveria ter feito na hora da prova mas não fiz: a opção errada que eu poderia ter acertado, o cálculo mal elaborado e a redação mal-feita. O vestibular deveria poder ser feito que nem esse blog: movido a surtos criativos. Deveria ser permitido ligar para a comissão de vestibular e chamá-la em sua casa para lhe aplicar a prova, justamente naquele momento de maior efusão da sua inteligência. Se assim fosse, teria discado para a comissão de vestibular às três da madrugada de hoje, convocando-os urgentemente para aplicar a prova no sofá; tenho certeza que faria uma redação impecável, capaz de deixar no chinelo até o mais confiante concorrente que eu tivesse! Na hora do vestibular, nada me inspira, nada me motiva a escrever. O vestibular é só um monte de gente estranha falando merda antes e depois da prova, comentando os comentários idiotas dos professores de seus cursinhos na aula anterior e falando o quanto está confiante e preparado para a prova; sem contar nos fiscais de sala com seus imponentes crachazinhos que intimidam-no desde o início da prova a abrir mão de seu celular ou de qualquer outro aparelho eletrônico EM FUNCIONAMENTO OU NÃO. Por isso mesmo nunca me atrevi a levar meu celular para as provas; até porque não gostaria de receber nenhum telefonema num momento desses, sem notícias boas pra dar a quem quer que estivesse ligando.&lt;br /&gt;Muitos me perguntam: "mas Marcelo, você escreve tão bem! Como pode ter ido mal na redação?!". Acontece que escrever não é simplesmente colocar suas idéias na folha, envolve outras coisas. Uma delas é o objetivo da escrita: uma coisa é escrever para as pessoas lerem, refletirem e elogiarem/criticarem, conforme suas impressões. Outra, totalmente diferente, é escrever sabendo que quem vai ler estará analisando seu texto sintaticamente, corrigindo os paralelismos, reparando nas concordâncias e demais picuinhas, além de te castigar ou te premiar com uns pontinhos a menos ou a mais sempre que achar conveniente. Nesse último caso, nada te inspira a escrever. Antes mesmo de começar, fico logo imaginando um professor barbudo e ranzinza que irá ler minha redação, assim como tem feito ao longo de muitos e muitos anos com milhares de outras redações, num trabalho entediante que ele só faz para poder conseguir um dinheiro extra a fim de pagar a escola do filho que vive repetindo; imagino que ao final de cada parágrafo o barbudo ranzinza escarra pra dentro e promete a si mesmo que é "o último ano que eu faço isso" e jura que "depois dessa leva de redações vou direto na reitoria pedir para me removerem desse cargo". Ou então é aquela mulher antipática e velha que se casou aos dezesseis anos e se tornou professora por pressão dos pais, já que o marido já tinha um emprego bom e bem-remunerado e não ficava bem, naquela época, ter um emprego melhor nem tão bom quanto o do marido, e por isso virou professora porque é um emprego discreto, sem muito prestígio social, incapaz de ofuscar o brilho do marido, e por ser conhecida do vice-reitor da universidade acabou abocanhando o cargo de correção de redações, já que a pensão do falecido marido já não conseguia mais acompanhar o dragão da inflação, "tenho filhos pra criar, ora!".&lt;br /&gt;Não dá, simplesmente não dá. A inspiração para escrever vem justamente quando você menos precisa dela, por exemplo quando está teclando com aquele seu amigo chato no MSN que você só não deletou até agora por pura consideração, ou quando está fuçando naquele perfil ridículo de um amigo de um amigo seu no Orkut, ou quando está matando a barata que entrou no quarto da sua avó e, principalmente, quando não está conseguindo dormir à noite porque tem medo do velho do saco ou do velho ranzinza que corrige as redações. Afinal, como acha que consegui inspiração para escrever esse texto? Pois foi agora pouco no café-da-manhã, quando tudo de que eu não precisava era inspiração para escrever, acredito ser justamente por isso que ele está ficando tão bom - caso o leitor não pense assim, desculpe a minha prepotência, eu só quero ser útil.&lt;br /&gt;Ah, e por falar em pronomes pessoais da primeira pessoa do singular, que saudade de usá-los! O candidato que fizer uso deles em sua redação pode estar assinando sua sentença de morte no vestibular. Acontece que o outro velho ranzinza - não o que corrige as redações, mas o que elabora os temas e, diga-se de passagem, tem estado com sua criatividade meio no vermelho ultimamente - em geral não aceita qualquer redação: precisa ser dissertação, um gênero textual que não admite pronomes na primeira pessoa do singular. Além disso, a dissertação tem uma série de regrinhas bacanas como por exemplo, precisa ter capacidade analítica, argumentação, coesão e coerência, porque a dissertação pretende ser um texto científico. O indivíduo que inventou a dissertação deve ser mesmo um babaca, pois só uma mente babaca poderia enxergar coerência e coesão na ciência, logo na ciência onde tudo tende pra bagunça, pra desordem, para a entropia. Os átomos não gostam de coesão, eles querem ser livres, se expandir por aí afora, por isso estão sempre em sua incessante busca para se assemelharem aos gases nobres, esses sim os verdadeiros paladinos da ciência! As raízes não crescem de forma comportada, uniforme, a fim de deixar o máximo de espaço possível para suas companheiras: se deixar, elas avançam mesmo, sem fazer cerimônia; aqui em Lavras, por exemplo, a raiz da Tipuana da praça teve uma época que quase partiu a rua ao meio. O fluxo de elétrons em uma corrente em nada se assemelha às crianças em um jardim de infância fazendo fila pra lanchar; aliás, essa idéia de ordenamento partiu mesmo foi do homem, e é tão contrária à natureza que o próprio homem não a suporta, tanto é que preferimos correr livres pelos campos do que ficar parado em uma fila de banco.&lt;br /&gt;O inventor da dissertação não passa, portanto, de um sujeito de imaginação perturbada que achava que toda a natureza se comporta como os fascistas marchando sobre Roma ou os integralistas marchando na Guanabara nos anos 1930, não obstante tivesse um coração bom, generoso e humilde, tão humilde que até se proibia de usar pronomes em primeira pessoa do singular, para evitar qualquer forma de egocentrismo, embora sempre admitisse seu uso na primeira pessoa do plural, a fim de valorizar o coletivo, o trabalho de equipe, trocando o "eu" por "nós" e o "meu" por "nosso", evidenciando um nobre coração desapegado e solidário! e a propósito, se você for um pré-vestibulando não siga jamais o meu exemplo porque nas dissertações não se pode usar períodos muito longos como esse aqui, é sempre preciso dar uma pausa com um ponto ao invés de escrever um parágrafo inteiro sem pontuar como o que acabo de fazer, me desculpe.&lt;br /&gt;Ao contrário do que você deve estar pensando, eu não tenho raiva de ninguém. Não guardo rancores do velho ranzinza (nem do que elabora nem do que corrige a dissertação), nem da viúva que corrige as dissertações e nem tampouco do babac...quero dizer, do sujeito nobre e humilde de bom coração que nos fez o favor de inventar a dissertação. Não são eles os responsáveis pela minha insônia, afinal, todos nós sabemos que a tarefa de curar a insônia é da televisão, ela sim é a responsável por nos entreter quando não conseguimos dormir. Acontece que a programação da TV de madrugada se divide basicamente em três: aquelas que antecipam a programação do dia seguinte, aquelas que saem do ar e aquelas que repetem a programação do dia anterior. Não assisto aos programas antecipados, caso contrário já amanhecerei no dia seguinte sabendo de tudo o que irá ocorrer - não gosto de dias sem surpresa. Também não assisto à programação fora do ar, porque consiste basicamente do logo da emissora e de um relógio, que me faz lembrar há quanto tempo atrás eu já deveria estar dormindo. Mas o pior de tudo é assistir à reprise do dia que se acabou; repetições cheiram a falta de criatividade, e me fazem lembrar o quanto não tive criatividade ao fazer minha dissertação.&lt;br /&gt;Em todo caso, acredito que é esse o ciclo natural da humanidade: tendemos sempre a voltar às origens, que nem um canal de televisão que esbanja sua programação ao longo do dia e no final retoma a parte principal dela. Nós nascemos fracos e indefesos, e quando ficamos bem idosos geralmente também morremos fracos e indefesos, mas com as principais experiências acumuladas ao longo da vida ressaltadas. No início da humanidade o mundo era em grande parte deserto, inóspito, com um ou outro grupo de seres humanos aqui e acolá, e dado o desenvolvimento das armas atômicas, os efeitos catastróficos do aquecimento global e toda sorte de malvadezas que rondam o planeta, alardeadas pelo Greenpeace e pelos livros didáticos de geografia, é para esse estágio que parecemos encaminhados.&lt;br /&gt;Lhe parece trágica essa profecia? Pouco me importa... Pelo menos fica como uma idéia para colocar em minha próxima dissertação. Tenho certeza de que ela irá agradar ao velho ranzinza, pois combina muito bem com o seu ar carrancudo e desolado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS.: Caso você seja meu (minha) amigo (a) no Orkut, não hesite em me deixar recadinhos de madrugada! mesmo que você não tenha esse costume. Eles sempre me fazem sentir menos abandonado em meio à noite escura. Obrigado!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-5118128901864136528?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/5118128901864136528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=5118128901864136528' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/5118128901864136528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/5118128901864136528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2009/01/o-velho-viva-e-insnia.html' title='O velho, a viúva e a insônia'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-1045370157789910775</id><published>2008-12-27T14:56:00.000-08:00</published><updated>2008-12-27T18:21:23.763-08:00</updated><title type='text'>Chapeuzinho Vermelho nos vestibulares</title><content type='html'>Você já parou pra pensar como cada vestibular cobraria a história da Chapeuzinho Vermelho? Eu já.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UFOP&lt;br /&gt;1.Redija um texto EXPLICANDO o que aconteceu quando Chapeuzinho Vermelho entrou na casa da vovó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.Redija um texto JUSTIFICANDO a decisão do caçador de matar o Lobo Mau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.Leia atentamente a frase:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"...é pra te enxergar melhor(...)"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com base no incidente envolvendo Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau, explique a ironia que ela contém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UFMG&lt;br /&gt;1.CITE e EXPLIQUE quatro conseqüências (duas positivas e duas negativas) da morte do Lobo Mau para a economia brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseqüência positiva 1___________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseqüência positiva 2___________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explicação da conseqüência positiva 1________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explicação da conseqüência positiva 2________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseqüência negativa 1__________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseqüência negativa 2__________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explicação da conseqüência negativa 1________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explicação da conseqüência negativa 2________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.CITE e EXPLIQUE três fatores (um de ordem política, um de ordem social e um de ordem econômica) que levaram o Lobo Mau a comer a vovozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fator político______________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fator social_______________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fator econômico____________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explicação do fator político_________________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explicação do fator social__________________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explicação do fator econômico______________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.a)APONTE ao menos três evidências que nos permitem concluir que o crime contra a vovozinha e Chapeuzinho Vermelho foi premeditado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidência 1________________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidência 2________________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidência 3________________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b)Relacione cada uma dessas evidências com o impacto que o crime gerou na opinião pública&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relação da evidência 1___________________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relação da evidência 2___________________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relação da evidência 3___________________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;USP&lt;br /&gt;1. Leia atentamente a frase:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;...pela estrada afora/eu vou bem sozinha/levar esses doces para a vovozinha(...)"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Contextualize o período no qual ela foi enunciada e problematize os eventos que a sucederam, contemplando em sua resposta a temática do conflito Lobo/idoso, Lobo/criança e Lobo/caçador e seus respectivos impactos nos movimentos de defesa dos idosos, nos grupos de defesa de crianças e adolescentes e nos movimentos de proteção aos animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Leia atentamente o texto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Todos nós sabíamos o que aconteceria ali naquela tarde, mas poucos foram os que tiveram coragem de assumir uma postura. A maioria ficou intacta, temerosa, ambígua, como quem espera o fim dos tempos: impotente, sem capacidade de fazer nada. Os poucos que fizeram alguma coisa a respeito se limitaram a pegar em armas mas não ousaram dar um só passo sequer para fora de suas residências; estes sim estavam dispostos a usar a violência, mas apenas em legítima defesa. Eles sabiam que o inimigo era mais perigoso, mais preparado e mais inteligente, por isso o máximo que ousaram foi zelar pela própria vida. Uma coisa, no entanto, era certa: se todos se unissem, certamente o venceriam. Tal proposição não só era verdade, como também era do conhecimento de todos ali, mas os motivos pelos quais ninguém propôs uma união permanecem até hoje desconhecidos. Nunca a baixa auto-estima de um povo lhe custou tão caro(...)"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Depoimento de um camponês que habitava o bosque do Lobo Mau&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com base no texto e em outros conhecimentos sobre o assunto, justifique por que o Lobo Mau foi bem-sucedido em sua empreitada ao atacar a choupana da vovozinha de Chapeuzinho Vermelho, levando em consideração a postura assumida pelos habitantes do local e a conjuntura sócio-econômica do Brasil rural de então. É possível que medidas assistencialistas tenham precipitado o incidente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Apresente e analise ao menos cinco argumentos que nos permitam concluir que a ação do caçador ao matar o Lobo Mau foi legalmente inválida, levando em consideração, em cada um de seus argumentos, a ameaça que os biomas brasileiros vêm sofrendo, a crescente ocupação antrópica nas áreas de reserva florestal e a ausência de uma legislação mais rígida para crimes cometidos por animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UnB&lt;br /&gt;1. Tendo em vista o recente incidente envolvendo o Lobo Mau, a vovozinha, Chapeuzinho Vermelho e o caçador, julgue os itens a seguir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( ) Ao ingerir a vovozinha, o Lobo Mau não pode tê-la digerido dada a estrutura simplificada e limitada do sistema digestório dos canídeos.&lt;br /&gt;( ) Tendo em vista o tempo que o Lobo Mau gastou para comer a vovozinha, vestir suas roupas, ajeitar-se na cama e encontrar Chapeuzinho Vermelho já devidamente disfarçado, é possível concluir que Chapeuzinho Vermelho não se deslocou pela floresta em movimento reilíneo uniformemente variado.&lt;br /&gt;( ) A função sintática da palavra "&lt;em&gt;que" &lt;/em&gt;na frase &lt;em&gt;"(...) que olhos grandes você tem" &lt;/em&gt;é a mesma da palavra &lt;em&gt;"por&lt;/em&gt;&lt;em&gt;" &lt;/em&gt;na frase "&lt;em&gt;(...)e o Lobo Mau passeia aqui por perto".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;( ) Tendo em vista a coloração clara da pele de Chapeuzinho Vermelho e a coloração escura do pêlo do Lobo, podemos concluir que, no momento em que os dois se encontram, o Lobo está para Chapeuzinho assim como João Cândido estava para Hermes da Fonseca em 1910 na Revolta da Chibata.&lt;br /&gt;( ) Tendo em vista a coloração da capa da protagonista juvenil, a fragilidade da personagem idosa e a prepotência do animal, podemos concluir que Chapeuzinho Vermelho, a vovozinha e o Lobo Mau estavam um para o outro assim como a União Soviética, Cuba e os Estados Unidos, respectivamente, estavam um para o outro na Crise dos Mísseis de 1962.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-1045370157789910775?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/1045370157789910775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=1045370157789910775' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/1045370157789910775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/1045370157789910775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2008/12/chapeuzinho-vermelho-nos-vestibulares.html' title='Chapeuzinho Vermelho nos vestibulares'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-4971017134118735102</id><published>2008-10-11T13:27:00.000-07:00</published><updated>2008-10-11T14:38:17.427-07:00</updated><title type='text'>Análise comportamental dos Chraetinus ignobilis durante a cretamia</title><content type='html'>PREFÁCIO&lt;br /&gt;Biologia é algo que nunca fez sentido para mim. Com este texto, procurarei me redimir. Dedico-o a todas as professoras de biologia que já tive - e ainda tenho - na vida: não sei o que seria de mim sem vocês - embora saiba muito bem o que seria de vocês sem mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ABSTRACT&lt;br /&gt;O Sul do estado de Minas Gerais é sazonalmente afetado por um fenômeno de proporções bíblicas desde alguns anos atrás, mas que, mesmo assim, não tem despertado o interesse de acadêmicos ou leitores. O presente artigo tem como objetivo realizar uma análise fria e acurada do referido fenômeno - o fenômeno da cretamia - bem como de seu principal causador, o &lt;em&gt;Chraetinus ignobilis, &lt;/em&gt;sem nenhuma pretensão, no entanto, de exaurir o tema. Estou aberto a sugestões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A CRETAMIA: DE SUA OCORRÊNCIA E DE SEU CAUSADOR&lt;br /&gt;Entre os meses de setembro e outubro (a data varia de ano em ano), o interior do estado de Minas Gerais é acometido pelo fenômeno da cretamia. Grosso modo, a cretamia representa, para o núcleo urbano, o mesmo que uma proliferação de pragas no cafezal representaria para o meio rural. Ainda assim, sua ocorrência nunca foi reconhecida como um caso de calamidade pública pelas autoridades. Pelo contrário, a cretamia por vezes traz até benefícios econômicos para a região atingida, embora o mesmo não possa ser dito sobre seus benefícios sócio-culturais.&lt;br /&gt;O fenômeno da cretamia não é exclusivo do estado de Minas Gerais, sendo comum em diversas outras regiões urbanas do país. Em cada um delas se manifesta de maneira peculiar, apesar de seguir uma linha geral pré-estabelecida, comum a todos os lugares, e de ser sempre causada pelo mesmo agente: o &lt;em&gt;Chraetinus ignobilis.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Acredita-se que o &lt;em&gt;Chraetinus ignobilis &lt;/em&gt;tenha se originado de uma linhagem de &lt;em&gt;Homo erectus &lt;/em&gt;que não conseguiu evoluir para &lt;em&gt;Homo sapiens,&lt;/em&gt; ficando, portanto, estagnada a meio caminho dessas duas espécies e se degenerado, descambando para a formação de outra espécie, sem um reino muito definido. Vale aqui lembrar o quão pouco tem sido dedicado ao estudo desses indivíduos, de maneira que pouco sabemos a respeito das causas que levaram à estagnação da referida linhagem.&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;Chraetinus ignobilis &lt;/em&gt;tem propriedades que os assemelham à algumas bactérias, como a capacidade de proliferar-se e de organizar-se em colônias. A cretamia nada mais é do que uma concentração em massa de diversos &lt;em&gt;Chraetinus&lt;/em&gt; num mesmo espaço geográfico a fim de satisfazer suas necessidades de associação.&lt;br /&gt;Por outro lado, a estrutura extremamente simplificada dos&lt;em&gt; Chraetinus, &lt;/em&gt;especialmente de sua caixa craniana, assemelha-os diversas vezes aos vírus, além é claro de sua capacidade de ser nocivo ao ser humano.&lt;br /&gt;Apesar dessa semelhança com os vírus e de especulações acerca de uma possível origem dos &lt;em&gt;Chraetinus &lt;/em&gt;a partir da evolução de alguns vírus bacteriófagos - ou vice-versa - esses indivíduos são seres sexuados. A cretamia, portanto, constitui-se em um dos maiores paradoxos da natureza, por ser um período de intensa atividade sexual entre os &lt;em&gt;Chraetinus &lt;/em&gt;e, ao mesmo tempo, sem qualquer aumento de sua taxa de natalidade. Isso se deve a mais uma característica típica dos &lt;em&gt;Chraetinus, &lt;/em&gt;que é a capacidade de controle de natalidade, altamente eficaz. Por razões ainda desconhecidas, os &lt;em&gt;Chraetinus &lt;/em&gt;que se reproduzem deixam de praticar a cretamia. A cópula durante a cretamia adquire, portanto, um caráter meramente lúdico.&lt;br /&gt;A cópula entre os &lt;em&gt;Chraetinus ignobilis &lt;/em&gt;costuma ser antecedida por uma série de rituais a fim de atrair o sexo oposto. Tais rituais, durante a cretamia, são freqüentes e quase imperceptíveis de tão comuns. &lt;em&gt;Chraetinus &lt;/em&gt;do sexo masculino costumam deixar em evidência seus tecidos musculares - geralmente complexos e volumosos -, ao passo que as fêmeas procuram salientar seus mecanismos de locomoção e seus sistemas de nutrição da prole. As fêmeas cujos mecanismos locomotores são demasiado volumosos ou excessivamente delgados têm menos chances de encontrar um parceiro, bem como aquelas que possuem sistemas de nutrição da prole reduzidos.&lt;br /&gt;Apesar de fazerem parte de uma mesma espécie, os &lt;em&gt;Chraetinus ignobilis &lt;/em&gt;são extremamente diversificados , podendo ser agrupados segundo as mais diversas tipologias e critérios. Tal classificação pode ser tema para um trabalho posterior, haja vista ser complexa e polêmica, não permitindo portanto que eu me detenha neste ponto. O mais relevante para esse trabalho é notar que, durante a cretamia, os &lt;em&gt;Chraetinus &lt;/em&gt;tendem a uma uniformização física: todos eles desenvolvem carapaças denominadas &lt;em&gt;sadaba&lt;/em&gt; que cobrem a metade do corpo, dando à sua colônia um aspecto regular. Os &lt;em&gt;sadaba &lt;/em&gt;mudam de cor de ano em ano e de lugar pra lugar, segundo parâmetros ainda desconhecidos. Regra-geral, porém, apresentam coloração vistosa. O motivo mais provável pelo qual essa carapaça é desenvolvida é a necessidade de diferenciar-se do meio externo e de identificação entre os próprios &lt;em&gt;Chraetinus. &lt;/em&gt;Tal uniformização, entretanto, não impede que cada &lt;em&gt;Chraetinus &lt;/em&gt;expresse sua individualidade.&lt;br /&gt;A cretamia é um evento particularmente curioso porque altera o hábito alimentar dos indivíduos da referida espécie. Os &lt;em&gt;Chraetinus &lt;/em&gt;se alimentam, naturalmente, por fagocitose e pinocitose. Ao longo da cretamia, no entanto, seus hábitos pinossômicos predominam, praticamente anulando a atividade fagocitária. Tal mudança brusca em sua nutrição deixa os &lt;em&gt;Chraetinus &lt;/em&gt;em estado de profunda excitação, podendo inclusive prejudicar seu organismo e alterar a harmonia e o equilíbrio de suas sociedades. A alimentação principal durante a cretamia consiste no consumo de substâncias à base de etanol. O excesso de etanol, bem como sua ausência, pode afetar o comportamento da espécie de forma drástica.&lt;br /&gt;Apesar de durar no máximo três ou quatro dias, a cretamia deixa seqüelas irreversíveis nos locais onde ocorre, tais como poluição - sonora e visual - e prejuízos ao bem público. Além disso, a crescente migração de &lt;em&gt;Chraetinus ignobilis &lt;/em&gt;de diversas partes do país para se concentrarem em um só lugar por vezes resulta em tumultos e em disputas por território entre os &lt;em&gt;Chraetinus &lt;/em&gt;e outras espécies e entre os próprios &lt;em&gt;Chraetinus &lt;/em&gt;. Tendo em vista a já mencionada simplicidade de sua caixa craniana, esses indivíduos por vezes são desprovidos de qualquer senso de orientação, o que só tende a se agravar com a também já mencionada mudança de hábitos alimentares.&lt;br /&gt;Chegar a um veredicto final sobre a cretamia e os &lt;em&gt;Chraetinus ignobilis &lt;/em&gt;que a praticam é difícil, até porque seus prejuízos costumam ser compensados pelos benefícios financeiros à região afetada. Como o presente artigo não pretende ser tendencioso, a única conclusão a que me permito chegar é a de que somente mais estudos e análises sobre o tema serão capazes de nos dar uma visão geral mais fiel do assunto, tendo em vista estarmos diante de um problema ainda pouco explorado e ao qual não tem sido dada a devida importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;POSFÁCIO&lt;br /&gt;Para entender o texto, desembaralhe a palavra "cretamia" e substitua-a; faça o mesmo com &lt;em&gt;"sadaba"&lt;/em&gt; , lendo-a de trás para frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso continue não entendendo, troque &lt;em&gt;Chraetinus ignobilis &lt;/em&gt;por micareteiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-4971017134118735102?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/4971017134118735102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=4971017134118735102' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/4971017134118735102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/4971017134118735102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2008/10/anlise-comportamental-dos-chraetinus.html' title='Análise comportamental dos Chraetinus ignobilis durante a cretamia'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-4727059257176295247</id><published>2008-09-08T08:26:00.000-07:00</published><updated>2008-09-11T20:32:28.470-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Bíblia a e pá'/><title type='text'>A Bíblia e a pá: notas sobre o infanticídio amazônico</title><content type='html'>É cada vez mais estarrecedora a total falta de capacidade de tomar um caminho do meio para a qual a maioria das pessoas parece tender atualmente. Exemplo disso foi a polêmica criada em torno da recente - pelo menos para mim - divulgação de um vídeo na internet que mostrava um ritual indígena em uma tribo amazônica ainda pouco aculturada. O exótico ritual consiste em cavar um buraco de cerca de um metro de profundidade, ali mesmo, nas terras próximas à aldeia, e nesse buraco enterrar uma criança de seus sete ou oito anos de idade, viva, chorando de desespero. O significado do ritual eu ignoro. O desfecho do vídeo também, uma vez que não tive sangue frio o suficiente para assisti-lo até o final - alguns dizem que a criança se salva; duvido, mas tomara...E como se não bastassem os recentes eventos que se operaram na demarcação de terras indígenas na reserva Raposa/Serra do Sol, além da chocante cena veiculada há alguns meses atrás na qual um engenheiro era brutalmente atacado por indígenas com facões, temos mais uma vez o primeiro habitante do Brasil como o foco das atenções midiáticas.&lt;br /&gt;Arrisco-me a dizer que nenhuma outra figura foi tão controvertidamente retratada pelos meios de comunicação nacionais como a figura do índio: de um estúpido incapaz nos árcades a heróis nacional exaltado pelos românticos, o índio assume uma postura cômica com os modernistas para depois fazer as vezes de símbolo vivo do atraso brasileiro na época da TV a cores: aquele homenzinho coitado, que não possui livre arbítrio e que depende de nós para se libertar do "jugo e da maldição da ignorância e do atraso".&lt;br /&gt;Tão logo as minorias étnicas em nosso país passaram a ser valorizadas, com cotas para negros nas universidades e a necessidade de se repensar nossa história suscitada por ocasião do nosso "aniversário" de 500 anos, ser índio deixou de ser motivo de deboche e de piada para ocupar um espaço de singular destaque, o qual não se via desde José de Alencar e Gonçalves Dias.&lt;br /&gt;E é exatamente nesse ressurgimento do orgulho índio; nesse momento tão propício ao desenvolvimento de novos mitos acerca de um possível bom selvagem do século XXI, que nos deparamos com as notícias de práticas de infanticídio vindas da tribo suruwaha, para a qual o enterro de crianças vivas constitui-se como parte de sua cultura. Momento mais oportuno para denunciar o sacrifício de crianças indígenas não poderia haver: ao mesmo tempo que acompanhamos a novela Raposa/Serra do Sol, celebramos a maioridade do Estatuto da Criança e do Adolescente.&lt;br /&gt;Mais chocante do que as cenas do ritual foi a forma como a opinião pública reagiu à elas, em dois grandes blocos bastante homogêneos e extremados, aos quais podemos chamar, de maneira simplificada porém acertada, de bloco das pás, por um lado, e bloco das Bíblias, por outro. Analisemos, pois, o bloco das Bíblias.&lt;br /&gt;Os bíblicos têm uma visão bastante crítica do ritual infanticida suruwaha, bem como de todos os outros problemas reltivos à questão indígena, cuja solução é eficiente, fácil e simples, tão simples que pode ser encontrada na maioria dos lares brasileiros ou mesmo no criado mudo de qualquer indivíduo: Bíblias. Querem esses indivíduos acreditar que, um povo que não foi socializado sequer com as demais tribos indígenas que os rodeiam, irá aceitar e compreender toda uma série de conhecimentos, leis e princípios originários de uma realidade, um contexto e uma região totalmente diferentes dos seus. Em outras palavras: esperam que uma tribo dos confins da Amazônia baseie sua fé e sua crença em epopéias que narram a saga do povo de Moisés, Abraão e Davi errando pelos desertos da Palestina e fugindo do faraó do Egito.&lt;br /&gt;As atrocidades cometidas contra crianças são um poderoso trunfo para os partidários da tese bíblica, levando-os a concluir que a solução para o problema dos rituais malignos dos índios é botar um fim à toda cultura indígena e fazê-los aceitar o cristianismo. Talvez eles nunca tenham parado para pensar que a solução encontrada para por fim aos tribunais da Santa Inquisição da Idade Média passou muito longe de abolir a religião católica...&lt;br /&gt;Articulados com o bloco bíblico estão seres não tão imbuídos de um espírito jesuítico mas igualmente brilhantes em seus argumentos: são os civilizados exemplares. Civilizados exemplares são todos aqueles que sentem verdadeiro pânico de antropólgos, sociólgos, etnólogos e tantos outros -ólogos que se prestam a estudar e compreender outras culturas mais a fundo. Para eles, a civilização Ocidental, apesar de toda sua magnificência, supremacia e inquestionável autoridade, carrega um pesado fardo: o árduo dever de moldar todas as outras sociedade e civilizações à sua imagem e semelhança.&lt;br /&gt;Os civilizados exemplares se indignam ao ver rituais macabros de crianças sendo enterradas vivas, ridicularizam os defensores dos direitos indígenas, questionando-os se eles deixariam que fosse feito aquilo com seus filhos, e defendem uma aculturação rápida e imediata dos índios a fim de dar um basta a práticas horrendas como essa. O padrão de sociedade pelo qual todos deveriam se guiar é o padrão Ocidental, afinal de contas, nós não enterramos nossas crianças em nossos jardins, enterramos? Nós deixamos nossas crianças morrendo de fome nas sarjetas; nos acostumamos a ver meninos que nem sequer largaram a chupeta errando pelos sinais de trânsito todos os dias apenas para continuarem vivos, mesmo sabendo o quão miserável essa vida é; vivemos nossas vidas e nossos prazeres no conforto de nossas residências como se todo o mundo lá fora fosse pacífico como a nossa sala de estar, enquanto o crime ceifa vidas e ganha cifras cadas vez mais assustadoras nos jornais; reelegemos, ano após ano, aqueles mesmos políticos que desviam verbas da educação, saúde e moradia para seus próprios bolsos em detrimento de milhares de crianças e jovens; somos coniventes com um sistema educacional que exclui milhares de jovens do acesso à educação de qualidade; aceitamos de cabeça baixa a lei das selvas que rege o tal mercado de trabalho, que premia um número cada vez menor de pessoas em detrimento de um número cada vez maior de excluídos - nós até achamos essas leis bastante sedutoras, temos um certo fetiche por elas, afinal, quem nunca presenciou a hilária cena de um jovem engravatado de maleta na mão, ansioso para sua primeira entrevista, preocupado em parecer atraente ao mercado de trabalho? Vivemos todos sob um sistema que nos mastiga e nos tritura com uma força cada vez maior, e no entanto seguimos lutando mais para não sermos engolidos do que do que para tentar mudá-lo. Mas enterrar crianças vivas? Isso jamais!&lt;br /&gt;O pé-de-guerra que se criou com essa situação não estaria consolidado se não contasse com a presença de um outro bloco, diametralmente oposto mas igualmente excêntrico: o bloco das pás. Qual a diferença para o bloco da Bíblia? Está na cara: para estes a solução é distribuir Bíblias, para aqueles, é distribuir pás, ou seja, deixar que os índios continuem cavando buracos e enterrando suas crianças vivas dentro deles, afinal, essa é a cultura indígena e ela deve ser preservada.&lt;br /&gt;O bloco das pás é formado por toda sorte de pseudo-intelectualóides aplicados nos saberes antropológicos, etnológicos e sociológicos. É toda aquela gente revoltada com a imposição de valores à força, que acha que a diversidade cultural é, no final das contas, tudo o que importa de verdade. Gente dessa estirpe é contra a imposição de modos de vida, mas impõe que a diversidade étnico-cultural deve reinar acima de tudo - até mesmo do corpo de uma criança.&lt;br /&gt;Fazendo coro com essa elite intelectual estão os defensores dos direitos indígenas, ávidos também por preservar suas práticas e seus rituais, por mais estranhos que eles possam parecer aos olhos do homem branco. O mais interessante é notar que esses mesmos indigenistas que defendem o infanticídio como prática cultural cuspiram marimbondos quando o índio pataxó Galdino dos Santos teve seu corpo carbonizado em um ato estúpido há onze anos atrás. Ao que não posso deixar de me questionar: e se Galdino tivesse sido vítima de um ritual de magia negra? Por que condenar a sua morte se, afinal de contas, esta se daria obedecendo à uma prática cultural? E vou mais longe: os jovens que queimaram Galdino não fizeram, afinal de contas, uma prática cultural? Não é da nossa cultura, da cultura de nossa juventude, praticar atos que impressionem nossos amigos, fazer programas exóticos, divertir-se brincando com o perigo? Por que então nossa cultura de queimar corpos é condenável e a cultura suruwaha de enterrar corpos não?&lt;br /&gt;É claro, Galdino era um índio, não tinha nada a ver com nossa sociedade e suas práticas e por isso não merecia ser vítima de uma brutalidade dessas. Perfeito. E o indiozinho que foi enterrado aos prantos na selva amazônica? Ele também não tem o direito de escolher se quer ou não fazer parte daquela cultura? Nossos cientistas sociais ficam perplexos ao ver filhos que são forçados pelos pais a ir à Igreja todos os domingos; defendem que a criança deve ter o direito de escolher a religião que quer seguir e a maneira como quer segui-la, mas não admitem que a criança suruwaha também tenha o direito de não querer ser enterrada viva. O pai que faz o filho ir à Igreja contra a vontade dele é um ditador fascista; o pai que enterra uma criança viva na selva amazônica contra a vontade dela está só mantendo uma tradição.&lt;br /&gt;Se tivéssemos de aceitar tudo aquilo que passa sob nossos olhos apenas sob o pretexto de que é algo cultural, até hoje a Europa estaria ardendo sob as fogueiras da Inquisição. Pois não era em nome de Deus todo poderoso que nossos antepassados mandavam bruxas para morrer? Não era isso parte da tradição católica?&lt;br /&gt;Enfim, vendo os dois lados do confronto e não achando qualquer sentido em nenhuma das duas defesas, a única conclusão a que cheguei foi que nenhum dos dois lados chegará a uma conclusão sensata sobre o assunto. Uma conclusão que permita colocar um fim à morte de crianças inocentes sem que para isso se coloque fim à uma cultura. Só existe cultura porque existe vida; logo, a vida vem antes da cultura, e querer sacrificar aquela em nome desta deve ser algo condenável em qualquer credo ou não-credo do mundo. Os pró-indígenas sabem que há crianças índias morrendo de fome e doenças em diversas aldeias do país; os missionários evangélicos sabem que Abraão aceitou sacrificar seu filho a Deus, tal como os suruwaha - embora as pobres crianças nem sempre tenham a mesma sorte de Isaac. Enquanto o homem for incapaz de enxergar um caminho que não seja pura e simplesmente a Bíblia ou a pá, o mundo continuará caminhando torto, em guinadas e arranques, hora pra esquerda, hora pra direita, sem nunca seguir em frente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-4727059257176295247?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/4727059257176295247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=4727059257176295247' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/4727059257176295247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/4727059257176295247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2008/09/bblia-e-p-notas-sobre-o-infanticdio.html' title='A Bíblia e a pá: notas sobre o infanticídio amazônico'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-1114491260033964030</id><published>2008-08-24T19:37:00.000-07:00</published><updated>2008-08-24T19:39:33.740-07:00</updated><title type='text'>Poema concreto</title><content type='html'>Fiz castelos na areia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão bonitos ficaram&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas veio uma onda feia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eles então&lt;br /&gt;                      desabaram...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-1114491260033964030?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/1114491260033964030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=1114491260033964030' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/1114491260033964030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/1114491260033964030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2008/08/poema-concreto.html' title='Poema concreto'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-4081778364791066016</id><published>2008-06-23T14:05:00.000-07:00</published><updated>2008-06-23T16:39:44.768-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tipos ideais: o estudante de RI'/><title type='text'>Tipos ideais: o estudante de relações internacionais (vulgo internacionalóide)</title><content type='html'>Ultimamente tenho ouvido o rádio com muita freqüência, e quase sempre me deparo com aqueles programas do fundo do baú, que resgatam músicas antigas daquelas que já nos cansamos de ouvir mas nem nos lembramos mais. A impressão que isso me dá é que as pessoas já não conseguem mais inventar, e acham na reciclagem musical, artística e cultural a única maneira de permanecer fazendo sucesso. Pois bem, já que os cantores não conseguem mais inovar, nós do hiperativo-categórico.blogspot também decidimos não inovar nas postagens, de modo que estamos aqui de volta - após um longo período estagnado - com um tema já quase exaurido: o dos tipos ideais! O texto a seguir apresenta o tipo ideal do estudante de relações internacionais. Inicialmente, meu objetivo era publicá-lo no jornalzinho do CAIK - o centro acadêmico de relações internacionais da PUC-Minas - mesmo sabendo que seus editores dificilmente o aceitariam. Mas vieram as tormentas, as provas e trabalhos de faculdade e de repente não pude mais me dar ao luxo de continuar o artigo, que ficou um bom tempo pela metade. Conclui-o hoje. Espero que vocês aproveitem - mais do que eu venho aproveitando as músicas ressuscitadas pelas rádios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) introduziu, no seu campo de estudos, a noção de "tipos ideais". De acordo com Weber, o conhecimento, longe de ser uma representação fiel da realidade, era apenas uma mera aproximação, o que implica que um determinado objeto de estudo é analisado de acordo com sua maior ou menor aproximação em relação a um tipo ideal correspondente.&lt;br /&gt;Weber trabalhou sobretudo com o tipo ideal do protestante, que, anos antes, era uma figura essencial nos processos históricos. Eu - humilde que sou - me restringirei aqui a elaborar um tipo ideal historicamente menos importante, mas igualmente em ascensão: o tipo ideal do estudante de relações internacionais (RI).&lt;br /&gt;O estudante ideal de RI é, não raro, aquele sujeito que passou um ano no exterior de intercâmbio - de preferência em um país rico, como Estados Unidos, Austrália ou Canadá - e, maravilhado com os encantos que observou lá fora, retornou ao Brasil decidido a fazer relações internacionais numa chula tentativa de imortalizar seu intercâmbio e reviver as suas glórias. O estudante ideal de RI tem um quê de Napoleão III, uma vontade louca de reavivar o passado, um sentimento inexplicável de retornar ao que já morreu. E, tal como Napoleão III, acaba incorrendo em sérias mancadas.&lt;br /&gt;Durante seu tempo de intercâmbio, o típico estudante de RI absorveu cada metro cúbico da cultura e do modo de ser do país onde ele viveu; morreu de saudades do Brasil - saudades confessas - mas, logo que retornou às suas origens, se embuíu de uma "psicose retornista" (o termo é nosso) e, seja por uma vontade de acertar contas com o passado, seja por uma necessidade de esbanjar seu "status internacional", ele recusou a desgarrar-se da sua quimera internacionalista: agora ele só come no McDonalds, só assiste à CNN ou à BBC, só acompanha o campeonato inglês de futebol, só lê as notícias do mundo. Em outras palavras: seu corpo retorna, mas sua mente permanece vagando numa dimensão espaço-tempo paralela à realidade. Não tem mais jeito: nosso estudante vive em um eterno intercâmbio.&lt;br /&gt;A entrada no curso de relações internacionais é o último passo para a concretização desse tipo ideal. Não bastasse sua alma internacionalóide, ele ainda aprende muito mais: aprende sobre a integração econômica européia, a balança de poder na África Oriental, a política externa dos Estados Unidos, as disputas fronteiriças nos Bálcãs, as relações bilaterais China-Índia, o crescimento econômico japonês, a escalada dos conflitos no Curdistão, a guerrilha tâmil no Sri Lanka... E agora - pergunto eu, e também há de se perguntar nosso estudante ideal - o que faremos com tudo isso? Qual sera a utilidade de um brasileiro que conhece o mundo como a palma de sua mão, mas é um estranho no próprio solo em que está pisando? Onde quer chegar esse sujeito, que enuncia sem hesitar todos os passos da guerra do Iraque, mas é incapaz de saber qual a conjuntura política de seu estado? O que esperar de um ser que aspira a analista internacional mas não tem a mínima noção de qual foi a última decisão que o governo federal tomou em relação à educação?&lt;br /&gt;O tipo ideal do estudante de RI carrega um discurso louvável de querer representar o Brasil no mundo, mas nem ao menos sabe o que esse Brasil é. Em suma: ele quer representar algo que ele ignora, assegurar os interesses de um ente desconhecido. Sabe de tudo o que se passa pela vizinhança, mas não sabe nem se orientar entre os cômodos de sua residência. Apesar disso tudo, não nos enganemos: nem só de lamentos é feito o tipo ideal do internacionalóide. Ele também nos diverte!&lt;br /&gt;Fazer um intercâmbio e entrar no curso de RI equivale a nunca mais pronunciar um palavrão em português. Por algum motivo, falar palavras chulas em inglês confere ao nosso estudante um certo status, fazendo-o sentir-se um nobre em meio aos párias. Assim, entre shits, damn yous, darn its e fuck yous, o estudante ideal de RI vai ganhando confiança e se sentindo cada vez mais prepotente - os seus xingamentos ganham um tom muito mais humilhante se pronunciados de forma anglófona do que na língua pátria que, de fato, só continua sendo utilizada por nosso herói por mera conveniência social. Se ele pudesse falaria inglês sempre, não por achar mais simples ou mais prático mas, como já mencionado acima, porque dá status. O típico estudante de RI não perde a pompa, e por isso nunca deixa passar a oportunidade de mostrar aos outros sua mente globalizada. E para aqueles que pensam que um ano vivendo no exterior foi o suficiente para satisfazer a fome internacionalóide de nosso estudante ideal, aqui vai a contundente prova em contrário.&lt;br /&gt;Tão logo retorna de seu intercâmbio, o internacionalóide não sossega o rabo e continua bolando novos planos mirabolantes para sair do país. Agora, cidadão do mundo que ele é - ou ao menos se acha -, o planeta virou sua casa, pela qual ele se sente livre para circular sem temer. A moda então vira fazer mochilões: colocar a casa nas costas e viajar pela América do Sul ou - no caso dos mais ousados - pela Europa, junto com os amigos. Tais planos também fazem parte da estratégia de reviver o intercâmbio mas, tal como o 18 Brumário de Luís Bonaparte, incorrem em grandes farsas pois que nunca se concretizam. Só aí nosso estudante ideal começa a se tocar que a vida não é uma grande viagem.&lt;br /&gt;E nem só de mochilões vivem esses seres frustrados. A nova onda dos ex-intercambistas é fazer voluntariado na África. O estudante de RI chega à uma certa altura do curso na qual se sente totalmente comovido pelas agruras que enfrentam as crianças da África Subsaariana, levando-o desesperadamente a torrar alguns milhares de reais...perdão, de dólares (o estudante ideal de RI sempre fala os preços em dólar, a fim de mostrar a todos o quanto ele está bem-informado do mercado de câmbio) em programas que treinam voluntários para prestar assistência ao sofrido povo africano. Nessas alturas do campeonato, nossa figura já se encontra num estado de profundo apatia em relação ao seu país, fazendo-o ignorar que ele mora num lugar onde 90 milhões de pessoas vivem na miséria, sendo mais da metade desses indivíduos habitantes das cerca de 16 mil favelas que, de tempos em tempos, se proliferam pelo Brasil. À essas alturas, em meio a tantos bombardeios no Iraque, quedas na bolsa de New York e investimentos alemães no Japão, o estudante ideal de RI se esquece que seu país é campeão de desigualdade de renda, e que na esquina mais próxima de sua casa é possível achar uma criança passando fome.&lt;br /&gt;Por que então gastar tempo e dinheiro indo até a África se tem gente precisando de ajuda aqui? É simples; tudo se resume a uma só palavra: status. Dá status exibir toda sua pujança financeira a fim de ajudar os miseráveis do continente africano. O jovem que vai até a África para ajudar quem sofre é um sujeito de grande sentimento humanitário, alma caridosa e bondosa; um cidadão do mundo consciente e preocupado com suas mazelas. O jovem que se presta a fazer trabalho voluntário na favela na rua de trás da sua casa é só um assistentezinho social fracassado.&lt;br /&gt;Após fazer uma análise tão acurada desse tipo ideal, acho importante fazer algumas ressalvas, antes que coloquem minha cabeça a prêmio nos murais do CAIK. Antes de mais nada, caso o leitor desavisado não o saiba, também sou estudante de RI e também já fiz intercâmbio um ano no exterior; logo, eu também me aproximo em maior ou menor grau do estudante ideal aqui representado. Dessa forma, gostaria que todos enxergassem nesse artigo não tanto um mecanismo pra esculhambar meus colegas, mas sim que vissem o teor auto-crítico que ele possui. Ao contrário - e muito ao contrário - do vestibulando feliz, do jovem motorista independente e do missionário ateu, eu me identifico sim um pouco com o típico estudante de RI, ainda que essa identificação muito me perturbe. Nós, do hiperativo-categórico.blogspot não temos, na elaboração dos tipos ideais, a finalidade de desmoralizar ninguém, apenas a de construir um retrato escrito da juventude que me cerca e que tanto me intriga. O internacionalóide é só mais um componente dela.&lt;br /&gt;E por fim, caso esse artigo seja lido por um de meus colegas de curso, saiba ele que não precisa se sentir ofendido. Não escrevi essas linhas com nenhum de vocês em mente, e portanto elas não se dirigem a ninguém em especial. Afinal de contas, como já fiz questão de frisar logo no início, tipos ideais são - como o próprio nome diz - ideais, não existindo pois correspondentes fieis na realidade. Logo, a figura aqui relatada simplesmente não existe, seja na PUC ou em qualquer outro curso de relações internacionais espalhado pelo Brasil, ao que não posso deixar de expressar o meu alívio: ainda bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-4081778364791066016?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/4081778364791066016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=4081778364791066016' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/4081778364791066016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/4081778364791066016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2008/06/tipos-ideais-o-estudante-de-relaes.html' title='Tipos ideais: o estudante de relações internacionais (vulgo internacionalóide)'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-6921591786449464209</id><published>2008-03-21T20:44:00.000-07:00</published><updated>2008-03-21T21:26:07.184-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinéfilo'/><title type='text'>Tipos ideais: o cinéfilo</title><content type='html'>Hoje resolvi retomar o tema dos tipos ideais, seja porque já faz um tempo que não escrevo, seja porque minha tentativa de dedicar um post aos micareteiros não logrou êxito - e eu, então, continuei sentindo a necessidade de alfinetar alguém. Acredito que esta é uma semana propícia para escrever, dado o atual estágio evolutivo de minhas forças sentimentais...&lt;br /&gt;O tipo ideal aqui retratado será o do cinéfilo - essa figurinha quixotesca que habita os principais sebos, cinemas alternativos e mostras de cinema de todo o país.&lt;br /&gt;O cinéfilo é, antes de mais nada, aquele sujeito ao qual não se pode nem sugerir o nome de um filme comercial que ele já te olha com aquela cara de bunda e diz: "ah...esse aí é comercial não é?" ou, no caso dos mais agressivos, "desculpe, não assisto a filmes comerciais". Pois bem, o cinéfilo é dotado de uma doce e ingênua ilusão que o faz pensar que os diretores de filmes alternativos - estes, suas grandes paixões - são apenas figuras com muito dinheiro e pouca coisa pra fazer que, num belo dia, se levantam de suas poltronas e dizem: "estou entediado...acho que vou gravar um filme!". Em suma: esses diretores não fazem qualquer questão de lucrar com seus filmes - só os grandes diretores das super-produções cinematográficas se atrevem a saciar sua fome capitalista de lucros por meio da produção de filmes.&lt;br /&gt;O cinéfilo ideal adentra o cinema munido de um incrível complexo de superioridade, que o faz olhar do alto todos os outros que ali estão, seja por diversão, seja pra namorar ou porque simplesmente não arrumaram outro programa para o final de semana. Aos olhos dele, toda aquela gentalha, com um baldão de pipoca e um copo de Coca-Cola, de mãos dadas, acompanhada da família ou dos amigos e conversando animadamente, não passa de um monte de "profanadores do templo da sétima arte", incapazes de "enxergar a beleza oculta em um filme", "insensíveis à essência da arte de se contemplar uma produção cinematográfica". Em suma: só ele se enxerga com um propósito nobre ali, naquela noite.&lt;br /&gt;Logo que entra, o cinéfilo senta - claro - bem lá na frente, a fim de se livrar dos incrédulos. As primeiras fileiras, além de manterem-no bem próximo da tela, são, segundo ele, propícias a que possam fluir suas "reflexões e elucubrações a respeito da obra" - note que um cinéfilo raríssimas vezes chama o filme de filme, salvo quando vai esculachá-lo, o que, como veremos, não raro acontece.&lt;br /&gt;O cinéfilo não pode jamais se ocupar de outras atividades enquanto assiste a um filme. Não surpreende, então, o fato de ele considerar uma afronta pessoas que comem ou namoram durante a exibição. Tanto é assim que, quando ele leva sua namorada não-cinéfila ao cinema, esta não pode nem pensar em segurar sua mão ou lhe pedir um humilde beijo alegando carência, no meio do filme. Tem mesmo é que se contentar em ver o seu amor de olhos vidrados em cada cena: ou com a cabeça levemente inclinada para frente - como quem é submetido a sessões de hipnose - ou com a mão segurando o queixo - apenas pra bancar de intelectual. E ela que não se atreva a lhe fazer qualquer tipo de pergunta a respeito do filme, pois que será duramente repreendida com um tapão na coxa, seguido ou não da dura: "presta atenção que você entende!", geralmente pronunciada com voz baixa e ríspida, tudo para puni-la pelo pecado de ter interrompido um cinéfilo durante sua apreciação - note também que os cinéfilos não assistem a filmes; eles apreciam-nos, ou, quando a obra é muito boa, degustam-na).&lt;br /&gt;O acender das luzes seguido da exibição dos créditos finais é, diria eu, a parte mais traumática da convivência com um cinéfilo ideal. É nesse momento que ele esbanja seu acurado saber a respeito do tema, seja para fazer comentários inteligentes e confusos, que nem ele mesmo compreende - comentários estes expressos em alto e bom som pra que todos os demais ouçam e se embasbaquem com seu QI cinematográfico - seja para criticar e expressar sua insatisfação, alegando que esperava mais daquele diretor, "dados seus vários sucessos em produções como..." e ele se põe a citar todos os filmes do indivíduo em questão, tudo pra assegurar e provar seus conhecimentos, e talvez afrontar qualquer potencial divergente.&lt;br /&gt;Um cinéfilo ideal saindo de uma sala de cinema é como uma mulher descendo da balança: raríssimas vezes está satisfeito. Por vezes ele alega que viu alguns erros de gravação que passaram desapercebidos pelos diretores. É comum também que ele reclame que o jogo de luz e sombra nas cenas mais soturnas do filme não seguiu os padrões adotados pela maioria dos diretores daquela geração, ou ainda que o grau de abstração dos diálogos entre figurantes e coadjuvantes foi deveras que ofuscou qualquer possível identificação protagonista-telespectador, fundamental para uma apreciação saudável da obra. Seguem-se a essas importantes observações algumas comparações entre o papel dos protagonistas naquele filme e suas atuações passadas. Ao não-cinéfilo que ouve essa série de fundamentais e relevantes considerações acerca do filme, só resta duas opções: passar por cinéfilo e concordar categoricamente com tudo aquilo que ele diz; ou ter a cara de dizer, sem qualquer escrúpulo: "ah, pois é... acho que depois que voltei do banheiro entrei na sala errada."&lt;br /&gt;Sinceramente, não sei que conclusões tirar a respeito dessa figura. Só quero deixar claro que não pretendo, de modo algum, fazer desse texto uma auto-crítica, tendo em vista que sou freqüentador assíduo dos cinemas alternativos de Belo Horizonte. Ademais, também tenho minhas birras com aquela gente que assiste a um filme movida unicamente pelo seu estrondoso sucesso de bilheterias ou porque o ator/atriz principal é um/uma gostoso/gostosa (tal justificativa seria válida em caso de um filme pornô, mas isso já é assunto pra outra discussão). É a gente dessa laia que poderíamos dar o nome de anti-cinéfilos, por terem um comportamento diametralmente oposto ao deles - mas igualmente bizarro.&lt;br /&gt;Mas anti-cinéfilos existem aos montes, e não sei se um estudo detalhado deles se faz interessante. Afinal de contas, como outrora disse um sujeito (que vem a ser, ninguém mais ninguém menos que eu mesmo): a graça de um artigo está escondida nas coisas que se escondem de nós (espero que isso faça algum sentido ao leitor).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-6921591786449464209?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/6921591786449464209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=6921591786449464209' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/6921591786449464209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/6921591786449464209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2008/03/tipos-ideais-o-cinfilo.html' title='Tipos ideais: o cinéfilo'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-8550526017548266484</id><published>2008-02-18T15:53:00.000-08:00</published><updated>2008-02-18T15:54:51.210-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='18 de fevereiro'/><title type='text'>18 de fevereiro!</title><content type='html'>Ontem descobri que odeio o passado. Descobri que tenho aversão a anúncios de eventos que já ocorreram, calendários desatualizados, jornais velhos que noticiam fatos já ocorridos como prestes a ocorrer e tudo mais que seja impregnado de algum teor pretérito, que não tenha qualquer importância para o dia de hoje. Tanto é que, ao reparar que na minha geladeira havia um calendário-ímã parado no mês de março de 2007, eu tremi, aquele tremor que se sente sempre que estamos diante de algo que, temos certeza, não podemos recuperar. Até pensei em joga-lo fora hoje de manhã logo que acordei, mas relutei. Ou melhor, esqueci.&lt;br /&gt;O que foi que aconteceu de tão bom em março de 2007, que pudesse despertar em mim qualquer tipo de saudosismo ou nostalgia? Certamente não me lembro. Mas é o simples fato de saber que aqueles tempo jamais voltará - se não no calendário de algum desavisado que esqueceu de atualizá-lo - o que me faz supervalorizar suas boas memórias e relevar as ruins, como se essas últimas fossem rebento unicamente do agora.&lt;br /&gt;Certa vez meu avô escreveu, em um de seus poemas, que não gostava do passado, por ele ser recheado de boas lembranças. Uma pena eu ter captado o sentido dessa frase tão tardiamente, a ponto de já não ser mais possível parabenizá-lo por ela pessoalmente. O máximo que posso fazer é exaltar o agora, e que melhor maneira de fazê-lo do que intitulando meu texto com o seu nome!&lt;br /&gt;Hoje é dia 18 de fevereiro, e aparentemente nada de especial ocorrerá. Exalto-o pela pura certeza de que, em algum lugar no futuro ele será valioso (releve-se aqui a distinção espaço-tempo).&lt;br /&gt;Ultimamente, meu passatempo preferido tem sido contemplar o calendário focando-me no quadrinho que representa o dia de hoje. É um ótimo entretenimento para aqueles que, como eu, só conseguem ver a beleza de uma data como esperança futura ou nostalgia. O presente - já diz o nome - é, pra essas pessoas, uma dádiva, mas uma dádiva que nos recusamos a aceitar, seja porque pensamos que antes eles eram mais formosos, seja porque esperamos que no futuro eles serão melhores.&lt;br /&gt;Enquanto matutava sobre aquelas questões relativas ao tempo, lembrei-me de uma das lições que a igreja me dava e as quais nunca consegui entender bem: ao mesmo tempo que éramos instruídos a viver o agora ("o pão nosso (...) nos dai hoje), tínhamos que atentar para a vinda do Messias no futuro.&lt;br /&gt;Mais do que isso: lembrei da conversa que tive com um certo amigo meu que dizia que, ao longo de nossa vida, éramos observados pelos anjos a fim de que avaliassem se poderíamos ou não ir para o céu. Sendo assim, a cada ação ruim que fazíamos, uma boa seria anulada. Só então percebi a profundidade da coisa: um erro anula um acerto? Por Deus! É o CESPE-UnB quem elabora as provas de admissão para o céu!&lt;br /&gt;Desde aquele dia, passei a agir com muita cautela. Enquanto acreditei na veracidade de tal relato, me tornei cada vez mais assíduo na casa do Senhor, afinal de contas, se o céu só admitia concursados, a igreja seria, de longe, o melhor curso preparatório.&lt;br /&gt;Deixando um pouco de lado esse papo de tempo - mesmo que temporariamente -, só tenho a dizer que, passatempo melhor que o do calendário é só aquele de ficar plantado na sacada do prédio, no domingo à noite, esperando as pernas se cansarem e o sono chegar. É de lá de cima que contemplo a cidade e, antes de receber o sono esperado, só recebo inspiração pra escrever, o que só me agita e torna a espera pelo sono ainda mais demorada.&lt;br /&gt;Quando era moleque, que quase não conseguia ver direito sobre a grade que a cerca, minha maior satisfação naquela sacada era esperar o ônibus que ia para o Sol Nascente passar. Tão logo ele passava, eu entrava novamente, mas não sem antes admira-lo, como um fenômeno que só ocorre no dia 29 de fevereiro, ou um cometa que rasga o céu brevemente e só reaparece para os nossos bisnetos verem.&lt;br /&gt;Muitos anos depois, só o que eu vejo daquela minúscula varanda é a festa de 15 anos da noite anterior; quer dizer, seus resquícios: cadeiras jogadas, mesas abandonadas, uma ou outra sujeira no chão... Enfim, nada que lembre a inebriante agitação que tirou o meu sono no meio da madrugada. Assim como o mês de março de 2007 do meu calendário, aquela festa não volta mais...&lt;br /&gt;Só a título de conclusão: hoje são 18 de fevereiro de 2008, o dia mais especial e notável da história até agora, unicamente porque só ele é o agora. Ele não morreu como muitos, e também não é um embrião como tantos outros. 18 de fevereiro de 2008!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-8550526017548266484?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/8550526017548266484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=8550526017548266484' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/8550526017548266484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/8550526017548266484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2008/02/18-de-fevereiro.html' title='18 de fevereiro!'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-503559748354205949</id><published>2008-01-29T12:59:00.000-08:00</published><updated>2008-01-29T13:36:07.641-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Duas décadas'/><title type='text'>2 décadas</title><content type='html'>Hoje Marcelo acordou relativamente cedo, apesar das férias e apesar de mais uma vez ter madrugado. Tão logo caiu em si, demorou um pouco pra se lembrar que era seu vigésimo aniversário. Talvez esse tenha sido o único incentivo pra que ele se levantasse.&lt;br /&gt;Ao longo do dia, repensou esses vinte anos como um estudante preguiçoso folheando seu livro. De início, ficou indeciso entre comemorar seus vinte anos ou comemorar o primeiro aniversário de sua aprovação no vestibular da UFMG, que, por uma feliz ironia, acabou saindo também em um dia 29/1.&lt;br /&gt;De súbito, decidiu comemorar só seus vinte anos - de indecisões, sua vida já estava cheia. E ao repensar essas duas décadas de vida, enxergou nelas uma síntese da história da humanidade. De início, temeu, pois teve o receio de carregar consigo tanto ódio, tanto mal e desgraça, ainda que em menor escala. Mas com tempo, se empolgou com a idéia de poder servir como a personificação da história mundial.&lt;br /&gt;Até seus quatro ou cinco anos de idade, viveu Marcelo sua pré-história, dado que há poucos resquícios desse período em sua mente, que foi marcado por uma relativa inatividade intelectual, mas por seus primeiros contatos com o mundo.&lt;br /&gt;Dos seis aos quatorze, ele experimentou seu Período Clássico: muito interessado em livros, adorava ler, escrever, compor poemas, desenhas...Logo demonstrou um grande interesse pela Geografia e pela História. Nutria grande simpatia pelos textos de Monteiro Lobato e padre Anchieta. Sonhava alto com ser marinheiro, monge budista e escritor...Ou até mesmo secretário-geral da Agência Internacional de Energia Atômica.&lt;br /&gt;Mas os anos difíceis vieram, e, lá pelos seus quatorze ou quinze anos, mergulhou na sua Idade Média. Até então, Marcelo jamais se interessara muito quando o assunto era vestibular. Tão logo entrou no ensino médio, tomou pavor mortal desse fenômeno. Não fazia mais sentido ser feliz, para ele, enquanto o vestibular não fosse superado. Em pouco tempo, o menino dos livros que sonhava alto, embalado nos seus poemas e nos grandes homens em quem se espelhava, tornou-se rabugento, descrente do mundo e da vida. Afinal de contas, pra todos os seus sonhos havia uma vestibular como pedágio. Os livros, o prazer de escrever e de saber, foram abandonados...Ir à escola virou um drama diário, que ele reprimia por meio do cultivo de um amor pela ignorância. Sua lógica resumida era: "se não consigo ser sábio o bastante pra vencer o vestibular, então pro diabo com a sabedoria".&lt;br /&gt;O tal vestibular, convertido no bicho-papão de sua adolescência, o fez buscar abrigo no futuro, no porvir. Assim que foi aprovado em uma seleção pra intercâmbio, depositou aí mesmo suas esperanças. Sim, aleluia! A Malásia o salvaria - ainda que temporariamente - de todas as desgraças que infestavam sua vida. Na Malásia não tem vestibular, nem escola pra se preocupar.&lt;br /&gt;Muito mais do que isso, a Malásia era sua esperança de fugir de uma outra angústia além do vestibular: suas carências sentimentais. Marcelo sonhava em ser diplomata pra negociar frente a frente com todos os Castros, Kadaffis e Husseins que existissem no mundo, mas era incapaz de gracejar uma menina.&lt;br /&gt;O intercâmbio veio, e com ele, a dura lição: a salvação não está no porvir. Aquele que vive de mirar o futuro e menosprezar o presente está fadado a permanecer para sempre na Idade Média. Felizmente, não foi assim com Marcelo.&lt;br /&gt;Seu Renascimento se deu no meio de seu décimo-sétimo ano de vida, assim que retornou do intercâmbio. Suas carências sentimentais estavam quase supridas - ele finalmente conseguira seu primeiro beijo - mas o vestibular continuava vivo.&lt;br /&gt;Não tinha outro jeito: era aceitar a realidade e se preparar pra acordar desse horrível pesadelo. O Renascimento não foi tiro e queda. Tal como na história do mundo, ele ainda guardava resquícios feudais...&lt;br /&gt;Mas eis que o temido vestibular foi superado! Iniciava então seu período de luzes: as luzes da razão. Os livros, o saber e o amor por escrever, abandonados em sua Idade Média, foram retomados. As luzes da razão apagaram as trevas que o vestibular dissipara: era quase como uma revolução burguesa!&lt;br /&gt;A apoteose de tal conquista se deu exatamente há um ano atrás, em seu décimo-nono aniversário. Com a Malásia conquistada - e depois abominada - e o vestibular superado, o que mais ele poderia querer?&lt;br /&gt;Mas logo surgiram as contradições. Tal como o intercâmbio não fora um paraíso bíblico da forma que se esperava, a temida - mas agora conquistada - "federal" não era nenhuma redenção. As luzes da razão dissiparam as trevas, mas logo essa nova fase da vida de Marcelo começou a se parecer cada vez mais com a outra, a do vestibular macabro, a do medo e da tensão...&lt;br /&gt;Já dizia Marx em seu cultuado Manifesto, que na passagem da sociedade feudal para o Estado burguês, só o que muda é a classe opressora, nunca a opressão. Se antes quem dominava era sua mentalidade avessa ao saber e ao agora, quem passara a dominar dessa vez era sua mentalidade racional, também reprimida outrora.&lt;br /&gt;Mas, se as trevas se dissiparam e a razão não mais era oprimida, quem saiu perdendo com isso tudo?&lt;br /&gt;Sim...Marcelo também tem sentimentos. A derrubada da velha ordem não fez cessar a opressão em que vivia sua classe sentimental. Um grito de pavor ainda ecoava, mesmo com o demônio do vestibular trespassado por uma lança, já sem sinais de vida.&lt;br /&gt;Confiante que estava na razão e no saber como armas letais que derrubam tudo o que lhe vier de ameaça pelo caminho, Marcelo muito se assustou ao ver que nem tudo nele estava feliz. As bases de sua mentalidade racional hão de tremer sempre que seu lado sentimental insistir em se manifestar. Afinal de contas, classe proletária jamais escapará de suas angústias enquanto houver burguesia.&lt;br /&gt;E agora, então? Agora Marcelo se encontra na berlinda da história. Não pode haver revolução sentimental sem uma classe racional fortemente consolidada, o que não é fato na vida de Marcelo. Quem sabe, no seu próximo aniversário ele não estará celebrando a derrubada de sua já antiquada mentalidade racional em favor de uma nova ordem: plena, serena e sem exploração?&lt;br /&gt;A história condenará Marcelo por plágio? Deixem que outros 29´s de janeiro venham, e então saberemos.&lt;br /&gt;E a propósito, é importante ressaltar, a título de conclusão, que Marcelo é, ninguém mais ninguém menos, que este quem vos fala! Ele prefere se descrever assim, na terceira pessoa, pelo mesmo motivo segundo o qual Brás Cubas achou conveniente se descrever depois de morto. Falar de si mesmo na terceira pessoa te desvincula de todas as suas responsabilidades por seus atos, além de evitar que um caráter excessivamente egoísta seja impregnado ao teto. Sendo assim, feliz aniversário Marcelo! Continue espelhando-se em seu livro de História do ensino médio para viver...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-503559748354205949?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/503559748354205949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=503559748354205949' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/503559748354205949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/503559748354205949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2008/01/2-dcadas.html' title='2 décadas'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-6510363096361949542</id><published>2008-01-29T07:38:00.000-08:00</published><updated>2008-01-29T08:26:38.750-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tipos ideais: o missionário ateu'/><title type='text'>Tipos ideais: o missionário ateu</title><content type='html'>&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Teresópolis&lt;/span&gt; estava &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;ótimo&lt;/span&gt;. Já Cabo Frio, decepcionou um pouco por dois motivos: um deles é que eu, há cinco anos que não &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;ia&lt;/span&gt; à uma praia no Brasil, não via a hora de entrar no mar e sentir a areia entre os dedos novamente, mas cheguei naquela &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;cidadezinha&lt;/span&gt; maldita e fui recebido por um tempo mais fechado que Bíblia de ateu.&lt;br /&gt; E é justamente desse ser que iremos tratar hoje. Não qualquer ateu: mas o ateu missionário. Dando como já esclarecida, em meu último &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;post&lt;/span&gt;, a questão acerca da minha autoridade pra estipular tais tipos, podemos então prosseguir com o assunto falando do missionário ateu ideal, que, apesar de carregar um título aparentemente contraditório, parece ser um dos tipos mais fáceis de se encontrar aproximações na realidade.&lt;br /&gt; Fazer &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;bundão&lt;/span&gt; em frente à igreja, aterrorizar os colegas religiosos e tentar provar a inexistência de Deus sentado em um botequim após ter lido livros com títulos nada presunçosos do tipo "Deus, um delírio" ou "Deus não existe" (os quais ele rapidamente transforma em seus chavões) são algumas das práticas mais corriqueiras desse ser, que se torna perfeitamente capaz de lamber o saco de qualquer personalidade que ele antes tinha por "um filho da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;puta&lt;/span&gt;" tão logo ele descobre que esse indivíduo não crê em Deus.&lt;br /&gt; O missionário ateu ideal nem sempre foi ateu. Nasceu em uma família cristã e passou a enxergar a existência de Deus de maneira diferente lá pelos seus quinze anos de idade. Logo que passou a se declarar ateu, esse indivíduo começou a sofrer do que um certo psicólogo palestino chamou de "identificação com o agressor".&lt;br /&gt; Ao tentar explicar a situação &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;ambígua&lt;/span&gt; do Estado judeu como abrigando vítimas do genocídio nazista ao mesmo tempo que comete um outro genocídio - dessa vez contra o povo palestino -, o psicólogo afirmou que os judeus hoje se identificam com seus antigos agressores ao oprimirem refugiados e demais civis de origem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;palestina&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt; Pois então, nosso missionário ateu sofre desse mesmo mal: até atingir sua adolescência, foi vítima fácil dos mais diversos discursos e pregações religiosas. Mostrando-se sempre incomodado com tais &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;falatórios&lt;/span&gt;, passou a abominá-los abertamente assim que abandonou sua religião. Mal sabe ele que acabara de assumir &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;exatamente&lt;/span&gt; a mesma postura do padre ou do pastor que tanto o atazanara: agora é ele quem vai aprontar pregações, a fim de laicizar todos os seus amigos que crêem em Deus.&lt;br /&gt; A cena que se segue é ridícula mas inevitável: o missionário ateu não suporta mais os crentes que buscam lhe &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;re&lt;/span&gt;-converter, mas acaba herdando a mesma chatice deles ao olhar pra sua cara e te ridicularizar quando descobre que você vai à missa ou reza antes de dormir; se ele busca calar a boca dos fiéis que aterrorizam a toda hora os gentios, é apenas pra que sua &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;verborragia&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;atéia&lt;/span&gt; possa ecoar ainda mais &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;ensurdecedoramente&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt; As contradições de nosso missionário da não-crença-em-Deus não param por aí. É que ele, revoltado que é contra o púlpito que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;tanto&lt;/span&gt; o influenciou em seu estágio inicial de vida, sente uma necessidade doentia de renegá-lo, de enxergá-lo como coisa do passado. Talvez porque sua convicção &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;atéia&lt;/span&gt; seja tão fraca quanto seus argumentos que, segundo ele, "provam" a inexistência de Deus.&lt;br /&gt; O missionário ateu então incorre em vícios. Vícios que servem perfeitamente para minar os "resquícios deístas" ainda nele impregnados, uma vez que contrariam ponto a ponto tudo o que ele costumava ouvir na igreja aos domingos. Vícios que minam, ainda mais, sua própria saúde.&lt;br /&gt; Beber, ficar tonto a ponto de se acordar no dia seguinte jogado num terreno baldio e ter que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;checar&lt;/span&gt; se suas calças estão ou não arriadas, fazendo-o temer ter sido vítima de uma violação sexual enquanto estava em seu transe. Fumar uma quantidade colossal de cigarros, que aumenta quase que exponencialmente a cada semana, deixando sua respiração mais e mais débil, e seu fôlego mais e mais decadente. Gastar dinheiro com vícios que nada fazem além de destruí-lo aos poucos. Eis algumas novas atitudes que o referido missionário &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;adota&lt;/span&gt; assim que larga sua crença em Deus para sempre.&lt;br /&gt; Mas é claro que esses efeitos colaterais não duram pra sempre, e o fôlego de nosso missionário logo volta assim que ele começa a discursar &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;entusiasticamente&lt;/span&gt; - qual pastor de igreja carismática - sobre os fiéis que gastam rios de dinheiro em doações a cada sessão do descarrego que vão, denunciando o quanto são alienados e facilmente submissos. Se ao menos o missionário ateu pudesse enxergar, na geladeira do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;boteco&lt;/span&gt;, a silhueta de um pastor &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;trambiqueiro&lt;/span&gt;...&lt;br /&gt; Mas ele não tem tempo pra isso - prefere buscar credibilidade por meio da citação de grandes autores.&lt;br /&gt; Quando chega nesse estágio, o missionário ateu já está a ponto de pregar uma braçadeira negra em cada amigo seu que professa uma religião, a fim de segregá-los adequadamente.&lt;br /&gt; Invocando &lt;em&gt;Sobre a questão judaica&lt;/em&gt;, de Marx, ele enuncia o total descrédito que os ateus possuem mesmo dentro de um Estado laico. E a brilhante solução que ele parece encontrar pra essa questão é tomar a via extrema-inversa: desacreditar os que professam uma religião. Na concepção do ateu missionário, desconfiar de um ateu é um mal arraigado, mas desconfiar de um religioso é mera questão preventiva. Em outras palavras: ele apaga o fogo com um extintor movido a álcool. Ao mesmo tempo que o Estado burguês exclui os ateus a nível nacional, o missionário ateu exclui os religiosos a seu nível.&lt;br /&gt; Enfim, se o leitor for uma figura próxima à do missionário ateu, terá concluído: "mais um &lt;span style="BACKGROUND-COLOR: #ffff00"&gt;FDP da TFP&lt;/span&gt; que fica escrevendo merda por aí". Ou se for um fiel daqueles que não perdem um domingo de culto e adoração, estará se lamentando: "é mais um que se desvia de seu caminho".&lt;br /&gt; A verdade é que minha paciência anda esgotada tanto com um, como com outro. Estou enfrentando o fatídico destino que precisam enfrentar todos aqueles que escolhem andar no meio do caminho.&lt;br /&gt; A minha falta de assiduidade na igreja me faz ser recebido com olhos suspeitos; o meu cristianismo confesso me faz alvo de escárnio de figuras próximas ao missionário ateu. Já não tenho mais saco pra missionários com ou sem cruz. Busco levar uma religião não tão apegada ao que vem do púlpito; mas os fiéis só entendem que eu não me apego ao púlpito, e os ateus, que eu tenho religião.&lt;br /&gt; O tipo ideal do missionário ateu não me desperta repulsa como o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;vestibulando&lt;/span&gt; feliz, nem pena como o jovem motorista independente. Apenas admiração. Admiração ao ver como uma linhagem dessa espécie ainda não entrou em extinção.&lt;br /&gt; Bom, tanto falamos dessa figura caricata e débil que nem pude contar o segundo motivo pelo qual Cabo Frio me decepcionou. Acontece que, pensava eu, se &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;Teresópolis&lt;/span&gt; forneceu montanhas que me forneceram inspiração, Cabo Frio forneceria folias, que me forneceriam material de estudo: os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;micareteiros&lt;/span&gt;! espécie da qual sempre quis analisar o tipo ideal. O problema é que o tal Cabo Folia (algo da mesma estirpe do Lavras Fobia, que acontece aqui em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;setembro&lt;/span&gt;) tinha acabado logo antes de minha chegada, impedindo-me dedicar um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;post&lt;/span&gt; em homenagem a essa figura que, ao contrário do missionário ateu, está bem longe de entrar em extinção. Mas tudo bem. Oportunidades não faltarão, afinal de contas: nesse &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;carnaval&lt;/span&gt;, "Mariana, aí vou eu!!".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-6510363096361949542?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/6510363096361949542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=6510363096361949542' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/6510363096361949542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/6510363096361949542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2008/01/tipos-ideais-o-missionrio-ateu.html' title='Tipos ideais: o missionário ateu'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2704525936267965826.post-2715034854557502235</id><published>2008-01-08T14:39:00.000-08:00</published><updated>2008-01-08T15:36:28.696-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vestibulando feliz'/><title type='text'>Tipos ideais: o vestibulando feliz</title><content type='html'>O grande sociólogo alemão Max Weber trabalhava, em suas pesquisas, com o conceito de tipos ideais, construtos mentais que consistiam na acentuação de um caráter da realidade a fim de se compreender situações corriqueiras. A realidade corresponderia, para Weber, a meras aproximações ou distanciamentos desse tipo ideal.&lt;br /&gt;  Hoje vamos trabalhar com um tipo extremamente relevante na nossa sociedade: o vestibulando feliz, que, inclusive, se manifesta vivamente nesta época do ano.&lt;br /&gt;  O vestibulando feliz ideal é, antes de mais nada, aquele que presta vestibular em ao menos uma instituição federal e, no dia marcado para divulgação do resultado final, faz morada em frente ao computador, esperando ver seu destino, atualizando incansavelmente a página da universidade e contribuindo para sobrecarregá-la de maneira colossal. Ao mesmo tempo, ele troca mensagens instantâneas com seus amigos confessando a sua apreensão, sua insegurança e, até, o que reside bem lá no seu âmago: "acho que dessa vez não deu...".&lt;br /&gt;  Mas, eis que após muita espera, sai a temida lista: ele passou no vestibular! caso contrário, não se trataria de um vestibulando feliz. Tão logo o vestibulando feliz tem acesso a tal informação, uma de suas primeiras atitudes, logo após dar gritos de alegria e alardear a notícia entre seus amigos na internet, é acessar seu Orkut e participar da comunidade intitulada "Ih, foi mal! A minha é federal!", que ostenta em sua foto um imponente e intimante brasão da República e reúne vários outros vestibulandos felizes que lá se encontram para compartilhar seu orgulho e - talvez ainda mais importante - ridicularizar os que não conseguiram alcançar o mesmo feito.&lt;br /&gt;  E de fato, o maior orgulho para o vestibulando feliz não é nem saber que, graças ao seu esforço e sua dedicação, ele passou; mas sim, saber que, por causa dele, dezenas de outros não passaram.&lt;br /&gt;  O vestibulando feliz, portanto, não ignora que ele enfrentou e venceu uma concorrência feroz, e o fato de ele ter desbancado os outros deixa de ser coadjuvante e acaba tomando a cena e tendo o papel principal, sobrepondo-se à alegria de ele mesmo ter passado.&lt;br /&gt;  Decorre disso tudo que, consumado o resultado positivo do vestibular, nosso vestibulando feliz encontra como fonte predileta de lazer atazanar os estudantes de universidades e faculdades particulares, seja conversando animadamente com seus outros amigos vestibulandos felizes, seja em tópicos postados na referida comunidade do Orkut.&lt;br /&gt;  Para eles, os candidatos que tentaram federal mas acabaram se contentando com a particularsão vítimas de um infortúnio cujos maiores causadores são suas respectivas incapacidades intelectuais - em outras palavras, suas burrices.&lt;br /&gt;  Tentou federal e não conseguiu? É burro. Tá na particular? É burro. Não deu conta de levar em frente a espartana rotina daqueles que almejam ingressar na federal? É burro.&lt;br /&gt;  E assim, com simples mas sinceras explicações, o vestibulando feliz, há pouco acostumado a se retorcer e contorcer mentalmente a fim de relatar, na mesa de prova, os prós e contras da transposição do São Francisco, o motivo pelo qual faz frio na Europa e calor na África ou o porquê da tração no fio no instante imediatamente posterior à aplicação da força de 100N num dado ponto do sistema de forças atuantes, reduz à uma simples palavra um problema que aflige a tantos. Fosse esse problema uma questão aberta de vestibular, ele teria se estrebuchado com uma tal explicação tão destituída de complexidade, e dificilmente, para infelicidade dele - e nossa-, se converteria num vestibulando feliz, digno de nossa análise.&lt;br /&gt;  Nessas alturas do campeonato, o vestibulando feliz mal se lembra que ele também já sofreu, ele também já se mostrou inseguro, ele também já chegou, no seu âmago, a crer que a batalha contra o vestibular não lhe daria mais chances. No entanto, vestibulando feliz que ele é, apenas finge jamais ter passado por tais provações - tal como Lula fecha os olhos para os tempos em que ainda cria que greves eram a solução - e age como se ele sempre estivesse convicto de sua vitória.&lt;br /&gt;  Ser vestibulando feliz, por fim, não requer apenas passar na federal e se deleitar com quem não o fez. O vestibulando feliz ideal também entra na vida universitária impregnado por um certo ufanismo, que o faz crente de que está lá para mudar o país; esperançoso de que exercerá sua profissão para transformar o mundo. O discurso de boas-vindas do reitor no primeiro dia de aula alimenta tal sentimento missionário, podendo até mesmo ser o responsável pro criá-lo.&lt;br /&gt;  Por conta disso, o vestibulando feliz não passaria de um adorável sonhador, não fosse sua total ignorância quanto a certos fatos básicos. Um deles é o de que um país e um mundo melhores se fazem com educação, mas educação não se faz com universidades que acolhem poucos e excluem "restos". E, como já vimos, é esse o &lt;em&gt;charm&lt;/em&gt; que envolve a federal, do qual nosso vestibulando feliz jamais abriria mão, que o faz orgulhoso de estar onde está.&lt;br /&gt;  Mas ainda que ele aceite o peso da educação na construção de um mundo melhor, continua achando que a praga da educação se chama burrice. Desconhece ele o fato de que, ainda que todo vestibulando tivesse o Q.I. de Einstein, continuaria havendo gente naquelas faculdades particulares que eles tanto satirizam, unicamente porque não se trata de excesso de burrice nos pré-universitários, mas de escassez de carteiras nas universidades. De modo que as poucas vagas existentes ficam reservadas apenas ao "povo escolhido de Deus" que conseguiu marcar os X´s nos lugares certos e colorir as bolinhas do gabarito sem borrá-las nem riscar fora.&lt;br /&gt;  Enfim, só nos resta agradecer a Deus... ou melhor, a Weber, por ter nos ensinado que tipos ideais não passam de aproximações e não representações da realidade. Portanto, para nossa felicidade e segurança, jamais nos depararemos com um vestibulando feliz nu e crú tal como descrito aqui.&lt;br /&gt;  Para todos aqueles que ficaram com medo ao ler sobre tal criatura - eu mesmo senti até calafrios aos descrevê-la - vos digo o que mamãe dizia nas minhas noites de pesadelo: "é só a sua imaginação...".&lt;br /&gt;  Nos resta, no entanto, ter cuidado com as prováveis aproximações que pudermos por ventura encontrar por aí.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2704525936267965826-2715034854557502235?l=hiperativo-categorico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/feeds/2715034854557502235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2704525936267965826&amp;postID=2715034854557502235' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/2715034854557502235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2704525936267965826/posts/default/2715034854557502235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hiperativo-categorico.blogspot.com/2008/01/tipos-ideais-o-vestibulando-feliz.html' title='Tipos ideais: o vestibulando feliz'/><author><name>O Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13884889298453977572</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-nYzecpdk63A/TvkVu-2uSZI/AAAAAAAAANE/cgxwxx5MdUQ/s220/IMG_3524.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
